O mercado de smartphones atingiu uma maturidade tal que existe uma grande diversidade de equipamentos disponíveis no mercado: desde dispositivos topíssimo de gama, passando por equipamentos mais modestos, smartphones de marca portuguesa ou máquinas com características nunca antes vistas.

Esta variedade faz o mercado mexer: na primeira metade do ano foram vendidos 1.234.170 smartphones em Portugal, um valor que apesar de representar uma quebra em comparação com igual período do ano passado, não deixa de ser um valor significativo para um período de seis meses e com uma população de dez milhões de habitantes.

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“A primeira metade do ano foi intensa em termos de lançamento de flagships e relançamento de marcas conhecidas do consumidor como a Nokia, através da HMD. Apesar das propostas apresentadas neste semestre, o mercado português seguiu a tendência verificada em toda a região e registou uma (expectável) queda. Comparativamente à primeira metade do ano de 2016, o mercado caiu mais agressivamente em termos de volumes distribuídos”, disse a analista da IDC, Marta Pinto, em resposta por email ao FUTURE BEHIND.

“No contexto da Europa Ocidental, o comportamento do mercado português está totalmente alinhado com o previsto: o mercado dos telemóveis está a ter alguma dificuldade em atrair consumidores, que conservam os seus equipamentos mais tempo e não encontram valor acrescentado ou inovação nas propostas apresentadas pelos fabricantes. As marcas que vão conseguindo distribuir mais volumes são as que conseguem provar que a sua proposta é a mais atraente, em termos de qualidade-preço, serviço pós-venda, garantias ou serviços adicionais”, acrescentou.

De todas as marcas que operam no mercado português, as três mais fortes continuam a ser as suspeitas do costume. A Samsung liderou nos primeiros seis meses do ano, seguida da Huawei e da Apple, respetivamente.

Os valores apresentados por estas três marcas são bastante consistentes e não fazem antever grandes mudanças na liderança para breve. A Samsung tem uma posição relativamente confortável para a Huawei, que por sua vez mantém uma distância relativamente confortável para a Apple.

No caso da Huawei já vimos que a grande ambição da empresa é chegar a número um – não especificamente em Portugal, mas sim em todo o mundo -, um objetivo que a tecnológica chinesa tem perseguido de forma feroz tanto ao nível de hardware, como ao nível de marketing.

Se no topo da tabela não houve mexidas, isso não significa que não tenha havido surpresas no restante mercado.

“As surpresas foram mais do lado das marcas que não conseguiram crescer do que do lado das que conseguiram captar atenção por parte dos consumidores. Falo por exemplo da BQ, uma marca campeã espanhola que prometia ser um sucesso e que repentinamente cai em Portugal na ordem dos 69% [variação anual]. A HTC, Sony e Acer continuam também na espiral negativa”, comenta a especialista da IDC.

Marta Pinto destaca pelo lado positivo a forma como o portfólio da Apple está mais adaptado ao mercado português, um que considera ser bastante sensível relativamente preço dos equipamentos. Mas as boas performances não ficam por aí.

“Ainda numa nota positiva em termos de crescimento, continuamos a assistir à afirmação da Asus no segmento móvel, alavancando a marca já de sucesso noutros ecrãs”.

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Tivemos especial curiosidade sobre o desempenho da Nokia. Durante o Mobile World Congress a empresa foi das que teve maior cobertura mediática, muito por causa do icónico Nokia 3310, mas também porque apresentou equipamentos de média gama com uma proposta de valor interessante.

Os dispositivos demoraram algumas semanas a chegar ao mercado e isso não permitiu sentir por completo o verdadeiro impacto dos novos Nokia e do regresso da marca.

“A Nokia está ainda numa fase muito inicial para ser possível retirar conclusões significativas ou materiais. (…) Aguardemos mais um trimestre para verificar a aceitação dos novos smartphones da Nokia”, aconselhou Marta Pinto.

A IDC continua a defender que a postura com a qual a HMD chegou ao mercado reúne factores de peso que podem ditar um destino muito favorável junto dos consumidores. “A relação preço-qualidade, a disponibilização dos equipamentos nos vários canais e a brand awareness são factores que nos fazem acreditar que tem um grande potencial”, disse a especialista.

Uma questão de preço

Se o ranking das marcas que mais vendem é um dado relativamente conhecido, já o preço médio de venda de smartphones em Portugal é um dado que anda muitas vezes fugido do grande público. A IDC revelou ao FUTURE BEHIND que o preço médio de venda de smartphones no mercado português na primeira metade de 2017 foi de 279 euros – um valor que sobe para 295 euros se tivermos apenas em consideração o segundo trimestre do ano.

Na primeira metade de 2016 o preço médio de venda de smartphones em Portugal era de 233 euros, o que significa que no espaço de um ano houve um aumento significativo do preço médio – algo que não espanta sobretudo tendo em conta que os smartphones topo de gama estão a ficar cada vez mais caros e o seu preço base já ronda os 800 euros. Nos primeiros seis meses do ano assistimos ao lançamento do Galaxy S8, do Huawei P10 Plus e do LG G6.

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“Os fabricantes têm de apresentar uma oferta atrativa o suficiente para convencerem o consumidor a trocar de equipamento. E uma oferta atrativa implica quase sempre bom design e boas especificações. Ora para o negócio ser rentável num mercado que está saturado e já não apresenta taxas de crescimento como na primeira vaga de adoção de smartphones, é necessário encontrar formas de ser rentável. Uma das consequências é a apresentação de um produto mais premium, mas também um mais caro”, explica Marta Pinto.

Mas como se compara o preço médio de venda de dispositivo em Portugal com outros países? Segundo os valores da IDC, não está muito distante de mercados como a Grécia ou Espanha – 271 e 312 euros, respetivamente -, mas está distante da restante Europa. “Um preço médio de 295 euros [segundo trimestre] está bem abaixo da média europeia, que se fixa para os smartphones nos 381 euros”.

“Sendo o mercado português bastante sensível ao preço, equipamentos em promoção ou com algum tipo de desconto sustentado pelo fabricante são bastante bem acolhidos. A família Galaxy A é um dos exemplos de sucesso com as várias campanhas que a Samsung lança. Também a oportunidade de comprar um equipamento superior está facilitada pelas opções de pagamento sem juros já tão banalizadas nos vários canais em Portugal (seja retalho, seja telecomunicações)”, salientou por fim Marta Pinto.

Ou seja, mesmo numa era em que temos os equipamentos mais atrativos e avançados de sempre, o preço ainda é quem mais ordena.