Os Google Daydream View chegaram ao mercado durante o mês de novembro do ano passado, mas não perdemos esta oportunidade de testar os óculos de realidade virtual da Google pois ainda são difíceis de encontrar. Na Europa apenas são vendidos diretamente pela Google no Reino Unido e na Alemanha, por um preço a rondar os 70 euros.

Experimentámos os Google Daydream View no stand da ZTE no Mobile World Congress. Isto porque o ZTE Axon 7 é um dos poucos smartphones compatíveis com o ecossistema de realidade virtual da Google.




O primeiro elemento em destaque é o material de construção dos Daydream View. Ao contrário do que estamos habituados a ver nos Samsung Gear VR ou nos Alcatel Idol 4S VR, os Daydream View não são construídos em plástico. A Google optou por escolher tecido como material de construção e isso torna os óculos muito mais confortáveis de segurar e também de usar.

Em bom rigor, os Daydream View são fofos. Pode parecer uma palavra esquisita para definir um gadget, mas parece-nos uma forma justa de salientar o cuidado que a Google teve na conceção do equipamento. Os óculos são leves e a sua presença na cabeça acaba por se sentir menos em comparação com outros óculos de realidade virtual móvel que já existem no mercado.

A linguagem visual e o tratamento estético que a Google deu aos Daydream View acabam por tornar os óculos mais num wearable do que num gadget de eletrónica.

Google Daydream View

Colocar o smartphone é tão simples como abrir a tampa frontal, encostar o dispositivo na abertura e voltar a fechar. Não é necessário prender o equipamento a presilhas que existem nos óculos – há apenas um elástico na parte superior da tampa que faz força suficiente para segurar o smartphone nos óculos sem que o utilizador fique com medo que ele possa cair a qualquer momento.

A Google tentou simplificar ao máximo a experiência de utilizar um smartphone como um complemento de entretenimento no segmento da realidade virtual e parece-nos que neste aspeto os Daydream View estão de facto um passo à frente da concorrência direta.

Onde os Daydream View também estão à frente é na área da interatividade. Os óculos de realidade virtual trazem um pequeno comando dedicado que funciona como air mouse e inclui apenas quatro botões: o botão de confirmação, o botão de recuo, o botão que leva o utilizador para o ambiente de trabalho e o botão para controlo de volume. O comando é leve, fácil de manusear e é preciso nos movimentos.

A curva de aprendizagem para a sua utilização é mínima. Mesmo uma pessoa que nunca teve um grande contacto com outros equipamentos de realidade virtual ou com consolas de videojogos – os comandos VR funcionam todos na mesma linha dos comandos da Nintendo Wii ou da Nintendo Switch -, rapidamente vai perceber como tudo funciona.

O comando facilita imenso a forma como interagimos com os diferentes elementos que existem dentro das experiências de realidade virtual. É simples selecionar as aplicações, é simples interagir com elementos dentro dos videojogos e é simples regressar ao menu principal caso o utilizador esteja a ter qualquer dificuldade durante a experiência.

Além de simples, é tudo bastante rápido e fluído. Aqui o destaque vai para o facto de a Google estar a tentar construir um ecossistema de realidade virtual que de facto garante um elevado nível de qualidade, muito provavelmente o melhor nível de qualidade que é possível extrair atualmente de uma plataforma de realidade virtual móvel.

A latência não existe, o utilizador consegue ver dentro dos óculos qual o posicionamento do comando em tempo real e toda a definição dos conteúdos é superior ao que já experimentámos noutros óculos de realidade virtual móvel.

Do lado dos conteúdos a qualidade parece especialmente aprimorada pois a Google limitou numa primeira fase o desenvolvimento de aplicações de realidade virtual para os Google Daydream View – só por convite é que era possível criar experiências de realidade virtual para este ecossistema.

Por isso é que encontrámos jogos e conteúdos que são bastante polidos a nível visual, não havendo um grande número de artefactos que condicionam a qualidade geral da imagem.

Não passámos muito mais do que dez minutos com os Google Daydream, mas foi tempo suficinete para perceber que a tecnológica de Mountain View tem aqui a melhor proposta no que diz respeito à realidade virtual para dispositivos móveis.

Google Daydream View

Durante o Mobile World Congress a Samsung revelou uma nova versão dos Gear VR que traz um comando sem fios ao estilo dos Google Daydream View – no entanto esta versão dos Gear VR não estava disponível para experimentação no stand da Samsung.

O comando é justamente um dos elementos mais valiosos dos Google Daydream View. Mas não só: o conforto dos óculos, a qualidade de imagem que garantem, a rapidez do próprio software e o preço – só custam 70 euros – juntam-se para formar uma proposta de valor muito interessante.

O grande defeito dos Daydream View neste momento é o facto de apenas ser compatível com um pequeno número de smartphones, todos eles bastante caros e que não são assim tão fáceis de encontrar no mercado português. Este é o grande ‘senão’ dos Daydream View e muito provavelmente a razão pela qual vamos continuar largos meses sem vermos o verdadeiro impacto que estes óculos poderiam ter na democratização da realidade virtual.

Mobile World Congress 2017