Sobretudo nos últimos dois anos, a Huawei tem provocado alguma desestabilização no mercado dos smartphones – positiva para si e negativa para a concorrência, entenda-se. A marca chinesa de dispositivos móveis tem produzido alguns dos melhores equipamentos dos últimos tempos e isso fez com que se tornasse na terceira maior vendedora de smartphones em todo o mundo. À sua frente só tem a Samsung e a Apple, respetivamente.

O Huawei P7 foi um chamar de atenção, o Huawei P8 foi uma confirmação e o Huawei P9 foi um salto de gigante. Com o seu smartphone topo de gama lançado no ano passado a tecnológica conseguiu, mais do que nunca, aproximar-se dos grandes equipamentos do mercado como o Galaxy S7 e LG G5.




Este ano a Huawei decidiu adiantar um pouco o lançamento do seu novo smartphone para coincidir com o Mobile World Congress. Não há declarações oficiais neste sentido, mas também não é preciso que alguém o diga: a ausência do Galaxy S8 do MWC foi uma oportunidade de ouro para a introdução do Huawei P10.

Acontece que ao contrário do que vimos noutros equipamentos – como no LG G6 e no Sony Xperia XZ Premium -, a Huawei não fez uma uma alteração muito significativa ao seu smartphone topo de gama. Pelas nossas primeiras impressões ficámos com a ideia de que o Huawei P10 é acima de tudo uma atualização do Huawei P9.

Em termos estéticos os smartphones têm designs muito semelhantes. O Huawei P10 apresenta-se com pouca espessura, com cantos arredondados e com um friso envidraçado na parte traseira onde inclui o seu duplo sensor fotográfico desenvolvido em conjunto com a Leica. Até os botões texturizados e cobreados do Huawei P9 mantêm-se no Huawei P10.

Há no entanto algumas diferenças físicas a salientar entre os equipamentos. Por exemplo, o Huawei P10 agora apresenta-se com um botão na parte frontal. Não deixa de ser uma opção estranha sobretudo pelo timing: numa altura em que todos os fabricantes estão a abandonar os botões físicos na parte frontal, é justamente quando a Huawei opta por essa opção.

Huawei P10

O botão do Huawei P10 é háptico e como já tínhamos referido, tem algumas funcionalidades bastante interessantes: reconhece diferentes toques e movimentos do utilizador, o que resulta em diferentes formas de controlar o smartphone. Funciona ainda como leitor de impressões digitais, querendo isto dizer que a parte traseira agora é apenas ocupada pela câmara fotográfica.

Há também diferenças a assinalar nos materiais de construção. Enquanto o Huawei P9 era todo ele construído em metal, o Huawei P10 está disponível numa variedade de cores e materiais. A versão azul noite, por exemplo, tem uma parte traseira texturizada – que não apreciámos muito. Já a versão verde, uma das mais características, tem uma parte traseira em alumínio.

O ecrã do Huawei P10 tem um tamanho de 5,1 polegadas, um pouco abaixo das 5,2 polegadas do Huawei P9. Já a versão Plus do Huawei P10 herda o mesmo ecrã de 5,5 polegadas com 2.560×1.440 píxeis do Huawei P9 Plus.

As maiores diferenças entre o modelo do ano passado e aquele que foi revelado este ano no Mobile World Congress acabam por estar nas suas ‘entranhas’. O Huawei P10 vem equipado com o processador Kirin 960, uma evolução relativamente ao Kirin 955 incluído no Huawei P9.

Os utilizadores podem esperar uma melhoria na performance, no desempenho gráfico e também na autonomia. Mas estes são aspetos que só numa análise mais extensa ao smartphone serão percetíveis, pois num curto período de testes os Huawei P10 e P10 Plus mostraram-se super rápidos e bastante fluídos como os seus antecessores.

Conheça as diferenças entre o Huawei P10 e o Huawei P10 Plus

A maior das diferenças entre os modelos está nos sensores fotográficos. O Huawei P10 mantém o duplo sensor fotográfico, mas desta vez o sensor RGB de 12 megapíxeis é acompanhado por um sensor monocromático de 20 megapíxeis – no ano passado ambos os sensores eram de 12 megapíxeis.

Quer isto dizer que o Huawei P10 vai ter um melhor desempenho na área da fotografia pois o sensor monocromático vai ser responsável por captar muito mais informação, mais detalhe e maior contraste nas fotografias.

Explorar a câmara fotográfica do Huawei P10 foi o que mais gostámos de fazer quando estivemos com o equipamento – é o elemento forte do smartphone. O smartphone da tecnológica chinesa continua a ter um dos mais completos interfaces para captação de fotografia e com a chegada dos novos equipamentos, chegam novos modos criativos.

Os utilizadores agora vão poder criar fotografias com efeito bokeh de forma muito, muito simples. É impressionante como a Huawei consegue colocar nas mãos das pessoas ferramentas que vão melhorar de forma significativa a qualidade das suas fotografias ‘amadoras’.

Ainda assim, este efeito de realce que vimos no Huawei P10 pareceu-nos ser acima de tudo gerado pelo lado do software e não pelo lado do hardware. Ao contrário do que acontece no iPhone 7 Plus, por exemplo, os dois sensores fotográficos do Huawei P10 nao têm como missão reconhecer diferentes profundidades de campo.

Huawei P10

Isso faz com que os bokeh captados com o Huawei P10 fiquem com um aspeto um pouco mais artificial, notando-se inclusive algum desfoque em zonas que não deviam ter sido alteradas pela técnica fotográfica. Uma vez mais, guardamos as nossas reservamos para um teste completo ao equipamento para percebermos melhor esta questão.

Das nossas primeiras impressões fica a ideia de que o Huawei P10 é uma versão de evolução e não de total transformação. A Huawei, que tem feito um bom trabalho nos últimos tempos, deu com o Huawei P10 mais um passo no caminho do aperfeiçoamento do seu smartphone topo de gama.

Com o Huawei P10 a empresa fica também um passo mais próximo das suas grandes rivais – Samsung e Apple -, ambas com grandes lançamentos agendados para 2017. O ano promete.