Os Moto G e Moto G2 foram marcos importantes não só para a Motorola, como para a indústria dos smartphones no geral. Os equipamentos trouxeram para o mercado um novo standard no que diz respeito à relação qualidade preço. Sobretudo o Motorola Moto G2 tornou-se bastante popular e um barómetro de comparação para outros smartphones.

O elemento mais valioso deste modelo, lançado em 2014, era o facto de apostar numa versão pura do sistema operativo Android. Sem as típicas personalizações os utilizadores conseguiam ter acesso a um desempenho mais consistente, mesmo o hardware não sendo de ‘outro mundo’. Os updates para novas versões do Android também chegavam mais rápido ao Moto G2 do que aos dispositivos da concorrência, pelo que os consumidores viam este investimento de 250 euros como algo perfeitamente justificável.




Daí para a frente a concorrência soube responder. Chegaram muitos e bons smartphones ao mercado cujos preços situaram-se entre os 200 e os 250 euros. Muitas marcas chinesas começaram a dar saltos intercontinentais e modelos que antigamente eram difíceis de comprar na Europa, tornaram-se mais acessíveis graças à evolução do comércio eletrónico.

Por este motivo – mas também por alguma falta de capacidade de resposta por parte da Motorola, que entretanto passou para as mãos da Lenovo -, as versões Moto G3 e Moto G4 acabaram por passar despercebidas e não tiveram o mesmo impacto que os seus antecessores. Agora, no Mobile World Congress, a linha Moto G ganha novos elementos – a quinta geração foi apresentada e as atenções estão concentradas no Moto G5 Plus.

Com este equipamento a Lenovo parece querer repetir a receita que já fez sucesso para a marca Motorola: apostar numa relação qualidade-preço forte. O Moto G5 Plus vai custar 279 euros e depois de um primeiro contacto com o smartphone, o valor parece-nos ajustado.

O primeiro elemento que fica logo em evidência é a construção do dispositivo. O Moto G5 Plus tem uma construção em metal bem conseguida e apesar de não podermos apelidar o equipamento de premium, podemos dizer que está acima da média para o segmento de preço no qual joga.

Durante a nossa experimentação ficámos satisfeitos com o desempenho geral do smartphone: bastante rápido, super fluído e com um Android que está muito próximo da sua versão pura. Este foi o aspeto que a Lenovo optou por preservar e a escolha não podia ter sido mais acertada.

O processador Snapdragon 625 parece estar mais do que talhado para as exigências que lhe possam atirar, mas preferimos não criar grandes expectativas neste elemento pois também não fizemos testes propriamente intensivos. Futuras oportunidades ditarão a real capacidade do chip do Moto G5 Plus, assim como a sua otimização.

Mas se há característica do smartphone na qual podemos colocar grandes expectativas é na câmara fotográfica. De todos os elementos este parece ser aquele que tem maior potencial para causar desequilíbrio relativamente à concorrência.

Os disparos que fizemos com o Moto G5 Plus resultaram sempre em imagens com bastante detalhe. As fotografias apresentam-se com bons recortes, com cores interessantes e também com uma boa interpretação dos contrastes. O sensor é de 12 megapíxeis, um número que pode não ser o mais chamativo, mas já sabemos que na questão da fotografia os números não são tudo.

Destacamos também o sistema de focagem muito rápido e o disparo igualmente veloz. Este simples aspeto – o de apontar, focar e disparar – não deixa o Moto G5 Plus muito atrás de outros smartphones que são bem mais caros. É claro que com vários meses de utilização o desempenho do smartphone poderá não permanecer o mesmo, mas pelo menos temos bons indicadores como ponto de partida.

O Moto G5 Plus tem 3GB de RAM, 32GB de armazenamento e leitor de impressões digitais

Se a câmara convenceu logo no primeiro ‘encontro’, já o design da própria câmara nem tanto. A rodela negra do sensor de imagem que existe na parte traseira do smartphone não é, na nossa opinião, a mais apelativa e aquela que funcione melhor na linguagem visual do equipamento. Por outro lado, o aparato visual acaba por ter uma correspondência em termos de resultados.

Numa análise mais geral, e ainda relativamente ao design, o smartphone não é dos que se apresenta com um aspeto modernista, apostando num formato mais curvo e apresentando-se com uma espessura ainda significativa. Aqui parece-nos claramente que já há equipamentos mais apelativos no mercado e que custam bem menos – o Honor 5X e o Alcatel Shine Lite são apenas dois exemplos.

Estas foram as mensagens que tirámos do novo Lenovo Moto G5 Plus em 15 minutos de experimentação. Espreitámos também o seu irmão mais novo, o Moto G5 que vai ser vendido por 199 euros, mas parece-nos que a versão Plus é a que apresenta a melhor proposta de valor entre os dois – arriscaríamos inclusive a dizer que o Moto G5 foi concebido, de certa forma, para colocar ainda mais em evidência o Moto G5 Plus.

Pelos materiais de construção, pela experiência limpa e rápida do Android e acima de tudo pela boa impressão deixada pela câmara fotográfica, o Moto G5 Plus será certamente um dos equipamentos que vale a pena manter debaixo de olho ao longo deste ano. A linha Moto G parece estar de novo com uma relação qualidade-preço que, já não sendo imbatível, pelo menos é apelativa e parece justificar o investimento.

Mobile World Congress 2017

Sem mais artigos