Quando alguém coloca uns óculos de realidade virtual é transportado para um mundo à parte. A total imersão numa experiência digital pode deixar o utilizador ‘isolado’ pois mais ninguém no mesmo espaço físico é capaz de saber o que está a acontecer dentro daqueles óculos. A não ser que a experiência esteja a ser transmitida num computador ou num televisor.

Mesmo nestes casos, o facto da experiência estar confinada a duas dimensões acaba por não conseguir passar para as restantes pessoas um verdadeiro sentido de partilha. Por isso é que o investigador Drew Gottlieb decidiu fazer uma combinação incomum: ligar uns óculos de realidade virtual e um dispositivo de realidade aumentada.




Objetivo? Permitir ver em realidade aumentada aquilo que está a ser criado dentro do mundo virtual.

Para esta experiência Drew Gottlieb decidiu ligar os HTC Vive como os Microsoft HoloLens através do ambiente de rede do motor de desenvolvimento gráfico Unity. Os dois equipamentos, mesmo pertencendo a categorias diferentes, passaram a comunicar entre si de forma fluída.

Tudo aquilo que o utilizador de realidade virtual estava a construir podia ser visto através dos HoloLens, havendo uma conversação direta dos objetos digitais em tamanho e em posicionamento. O vídeo de teste feito por Drew Gottlieb dá-nos uma perspetiva do que é verdadeiramente o conceito de realidade misturada.

O projeto foi desenvolvido em menos de uma semana e o próprio investigador admite que há arestas por limar, como explica o Engadget. No entanto até Drew Gottlieb mostrou-se surpreendido com os resultados alcançados.

No seu blogue pessoal o programador explicou ainda que é possível ‘tirar da equação’, por completo, os óculos de realidade aumentada, deixando apenas os controladores dos HTC Vive. Ou seja, alguém com uns Microsoft HoloLens pode usar os bastões dos Vive para a criação de objetos em tempo real. Em alternativa é possível ter mais do que um espectador, ou seja, pode ligar-se um número ilimitado de HoloLens ao equipamento de realidade virtual.

Ainda há várias restrições a este sistema de realidade ‘partilhada’: o utilizador que tem os HoloLens precisa de fazer uma sincronização com os controladores dos óculos de realidade virtual; já a pessoa que tem os óculos de realidade virtual continua confinado a um espaço físico predeterminado, por força dos sensores de posicionamento.

O que Drew Gottlieb mostrou com a sua própria experiência talvez seja um primeiro olhar para aquilo que a Microsoft pretende criar com a sua aposta em conteúdos 3D. Depois de uma fase em que parecia apenas estar interessada na realidade aumentada, a tecnológica revelou um forte interesse em óculos de realidade virtual.
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