O diretor executivo da Netflix, Reed Hastings, foi um dos nomes ‘cabeça de cartaz’ do Mobile World Congress. Perante uma plateia cheia, o fundador e atual líder da empresa que mudou o panorama da distribuição de filmes e séries fez uma análise ao estado atual da tecnológica e do seu serviço.

Por exemplo, a Netflix apesar de ser líder na área do streaming ainda tem cinco milhões de clientes no seu serviço de aluguer de DVD. Surpreendido?




Reed Hastings foi várias vezes desafiado a olhar para o futuro e para os desafios que esperam a sua empresa. Num tom sempre cordial e até simpático para alguns dos seus rivais, o CEO da Netflix foi cumprindo ‘guião’ nas respostas que dava.

Mas houve momentos em que as declarações de Reed Hastings permitiram um pequeno vislumbre sobre o posicionamento que a empresa tem relativamente ao mercado e relativamente àquilo que o futuro lhe pode reservar.

Selecionamos as cinco ideias mais marcantes da intervenção do CEO da Netflix no Mobile World Congress.

1. Daqui a 10 ou 20 anos todo o vídeo que consumirmos vai ter origem na internet: É uma previsão abrangente, mas que não é difícil de imaginar. Os conteúdos online vieram roubar a atenção que os consumidores prestavam apenas aos conteúdos de vídeo que eram transmitidos na televisão. Agora plataformas como o YouTube, o Facebook, o Netflix e a Amazon Prime Video estão a dispersar as atenções para mais formatos de consumo. Para Reed Hastings será uma questão de tempo até que todos os conteúdos de vídeo consumidos pelos utilizadores tenham origem na ‘grande rede’.

2. Uma ligação de 200 Kbps será suficiente para ver Netflix com qualidade: Quando questionado sobre como se sentia relativamente à existência de limites de tráfego implementados por alguns operadores, o CEO da Netflix deu uma resposta que virou o tabuleiro – a empresa em vez de se preocupar com estes limites está preocupada em saber viver com eles. Reed Hastings diz que quem tiver uma ligação de internet com 1Mbps já consegue ter uma experiência de visualização com qualidade no Netflix, devido à evolução que a empresa tem feito sobretudo ao nível da compressão dos vídeos. Na visão do porta-voz da empresa, dentro de alguns anos apenas será necessário ter uma ligação de 200 Kbps para conseguir ver séries e filmes no Netflix com um mínimo de qualidade garantida, algo que será igualmente importante para os países fracos em infraestruturas tecnológicas.

3. Conteúdos verticais? É uma hipótese: Reed Hastings respondia sobre a forma como a Netflix tenta adaptar os seus conteúdos aos hábitos de consumo dos utilizadores. Em determinada parte da resposta, numa alusão à forte utilização do Netflix em smartphones, o CEO disse: “Talvez um dia vamos olhar para a produção de conteúdos verticais”. Não pareceu uma promessa, nem um compromisso, mas antes um assinalar de como a Netflix mantém a mente aberta no que diz respeito à produção de conteúdos.

4. Mente mesmo aberta: “Se a realidade virtual descolar, vamos adaptar-nos. Se forem lentes de contacto [realidade aumentada], vamos adaptar-nos”. O CEO da Netflix não quis assumir qualquer compromisso relativamente àquilo que o serviço de streaming pode vir a ser no futuro – basta pensar que também disse que o download de conteúdos estava fora de questão e agora é uma funcionalidade primordial na plataforma. Em vez de assumir que quer fazer A ou B, Reed Hastings assumiu outra ideia: a Netflix vai fazer uma leitura constante do mercado e vai adaptar-se às novas tendências se estas estiverem de facto a ser valorizadas pelos utilizadores.

5. Netflix e a inteligência artificial: A jornalista que conduziu a entrevista insistiu para que Reed Hastings imaginasse o futuro da sua empresa daqui a 20 anos. E foi aí que o CEO teve a mais surpreendente, e também a mais interessante, das estiradas. O empreendedor norte-americano disse que dentro de duas décadas a inteligência artificial será um assunto sério e completamente implementado no nosso dia-a-dia – e quem sabe até nas pessoas. “É difícil pensar no entretenimento quando não sabemos se vamos estar a entreter as pessoas ou a inteligência artificial”, colmatou o executivo.

Depois desta entrevista, os possíveis caminhos para o futuro da Netflix ficaram mais interessantes.

Mobile World Congress 2017

Sem mais artigos