“Tivemos esta ideia de fazer um filme em realidade virtual com personagens que podiam ser modeladas com base na pessoa que estava a ver o filme. Apaixonámo-nos pelo projeto e decidimos andar para a frente. O Pedro tinha um trabalho do qual não gostava, eu tinha um trabalho do qual não gostava”.

Foi assim que nasceu a Retrai. O nome veio do projeto de final de curso que Ana Fitas e Pedro Moura realizaram em conjunto no Instituto Superior de Engenharia de Lisboa: Renderização Em Tempo Real de Ambientes Imersivos (RETRAI).

Mas o que nasceu de um projeto de realidade virtual rapidamente passou para outras tecnologias.




“A Retrai é uma empresa com menos de um ano focada nos novos media – realidade virtual, realidade aumentada, tecnologias touchless. A nossa ambição, aquilo que queremos proporcionar, é experiências diferenciadoras para ativação de marca, marketing, isso é um pouco aquilo que tencionamos fazer”, explicou Pedro Moura em entrevista ao FUTURE BEHIND.

“Pensámos: gostamos de fazer coisas inovadoras e queremos estar com projetos na mão que nos motivem todos os dias a trabalhar. É difícil, é. É difícil chegar ao cliente e tentar explicar o que é que nós vamos fazer porque as pessoas ainda não conseguem visualizar”, acrescentou depois Ana Fitas.

Esta é a dualidade das tecnologias emergentes. Por um lado são promissoras pois existe um grande potencial de mercado por explorar. Por outro lado uma boa parte do mercado simplesmente ainda não está ‘acordado’ para estas novas tecnologias e não mostra ainda um grande interesse de investimento.

Por isso é que a Retrai tem investido parte do seu tempo em montar protótipos de experiências que ajudam no processo de negociação com o cliente. Por exemplo, na Maker Faire Lisboa marcaram presença com uma máquina de fotografias que podia ser controlada com recurso a um sensor Kinect.

Mais recentemente a empresa começou a desenvolver um projeto diferenciador e ao qual chamou de Vertigo VR. Na prática a Retrai pegou em equipamentos que já estão acessíveis no mercado – Samsung Gear VR, Kinect – e conseguiu criar uma experiência de realidade virtual de grande escala.

Nas imagems Pedro Moura dá a conhecer a experiência Vertigo VR.

Ou seja, o utilizador não precisa de ficar sentado e usar um comando para conseguir mover-se no ambiente de realidade virtual, pode mesmo mexer-se pela sala que a personagem virtual vai acompanhar os seus movimentos. Com a ajuda do Kinect é ainda possível reconhecer o posicionamento dos braços, o que traz outra camada de imersão ao projeto – mas que está num estado inicial de desenvolvimento, diga-se.

A Retrai está já assim a experimentar com um ambiente que vai ser popular – Intel, Oculus e Alcatel são algumas das empresas que estão a testar equipamentos de realidade virtual independentes e que suportem experiências room scale.

Por agora a Retrai já concretizou alguns projetos para o ISEL, mas a startup está a chegar ao seu primeiro grande momento de definição: tem alguns possíveis contratos em cima da mesa e que podem trazer à empresa uma maior projeção no mercado.

Um destes trabalhos é um projeto de venda de bilhetes em ambiente de realidade virtual que permitirá ao consumidor perceber qual será o seu posicionamento e enquadramento dentro da sala de espetáculos. A plataforma estaria disponível em ambiente de webVR, desktop, dispositivos móveis e equipamentos dedicados como os Oculus Rift.

“É um projeto extremamente escalável”, defendeu Pedro Moura.

Dependendo dos projetos que os clientes pedirem à Retrai o preço varia. Por exemplo, um interface de interação sem toque com recurso ao Leap Motion pode rondar os 1.500 euros, enquanto um portal webVR já pode ultrapassar os dez mil euros.

Este é um ponto interessante. Apesar de a conversa ter fugido a maior parte das vezes para a realidade virtual, isto acontece pois tanto Ana Fitas como Pedrou Moura acreditam que no curto prazo será a tecnologia que mais vai crescer.

Retrai Ana Fitas Pedro Moura

Ana Fitas e Pedro Moura, os dois fundadores da Retrai. #Crédito: Future Behind

O potencial para as marcas e, em consequência, para o consumidor, é enorme. Já existem empresas que vendem projetos imobiliários ainda por construir com recurso à realidade virtual e outras marcas que já promovem os seus automóveis com recurso à tecnologia. Sem sair de casa, sem sair do sofá, vai poder experimentar o produto no qual está mais interessado.

Ainda assim a Retrai não quer ficar apenas ligada a este segmento tecnológico. “A nossa área não deixa de ser sempre a parte dos novos media – da realidade virtual, da realidade aumenta e da interação sem toque. São os nossos grandes focos. Mas também não queremos dizer ao cliente que tem de ser de realidade virtual a aplicação que vai fazer para a ativação de marca. Se quiserem simplesmente uma ativação de interação sem toque, também fazemos”, defendeu Ana.

Quando questionados sobre quais os planos para a próxima etapa da empresa, ambos os fundadores foram unânimes nas suas ambições.

“Era crescer em termos de estrutura. Mas para isso temos de ter alguma almofada. Depois era começar a tentar ganhar nome. Neste momento somos nós que vamos ter com as empresas para nos apresentar. Gostava que o próximo passo fosse as empresas a vir ter connosco. (…) Era o nosso sonho”, disse Ana.

“Sim. É um bom sonho”, concluiu Pedro.