Do mais improvável dos fabricantes de smartphones – a HP – chega a mais recente proposta de um telemóvel que vai tentar que alguns utilizadores esqueçam os seus computadores. Não serão todos, mas se forem alguns já será uma missão concretizada.

O smartphone em questão é o HP Elite X3, um dispositivo topíssimo de gama. As especificações técnicas enchem claramente o olho.

Este investimento em especificações justifica-se pelo que a HP pretende que este equipamento seja. O Elite X3 não é suposto ser apenas mais um smartphone – e talvez o último grande smartphone com Windows. O Elite X3 quer de facto substituir o computador.

A ideia é que use o smartphone tal como usaria outro smartphone qualquer, mas quando chegar ao seu ambiente de trabalho apenas precisa de colocar o equipamento numa doca para ligá-lo a um ecrã externo, a um rato e a um computador – sem perder acesso ao ambiente Windows e às aplicações que caracterizam este ambiente.




Além de contar com a funcionalidade Continuum, que é nativa no sistema operativo Windows 10 Mobile, a HP conferiu-lhe uma outra camada de produtividade e este é, na realidade, o grande ponto de interesse deste equipamento.

Chama-se HP Workspace e na prática dá acesso a um ambiente de virtualização, o que permite ao utilizador aceder a partir do smartphone a aplicações desktop sem qualquer restrição. O Continuum, por exemplo, permite aceder a aplicações desktop, mas apenas àquelas que são construídas como sendo aplicações universais.

Diz quem já experimentou – Engadget, PC World – que este ambiente de trabalho virtualizado funciona bem, ainda que tenha as suas limitações – as ações não são fluídas, havendo uma quebra de frame rates, por exemplo.

Para as empresas pode ser uma proposta interessante pois dá aos utilizadores acesso a aplicações como o Internet Explorer 11, o que pode ser vantajoso em termos de gestão de legado de alguns serviços e programas.

O HP Elite X3 já está à venda em Portugal. Custa 860 euros e pode ser encontrado nos revendedores empresariais da marca

Mas nem só de ‘velharias’ se faz este ambiente de trabalho virtualizado. Já existe suporte para as aplicações mais recentes, como são o Slack, Crome, HipChat, e também algumas mais exigentes, como o AutoCad.

Ainda não testámos o HP Elite X3, mas é um conceito que nos desperta o interesse. Parece que a tecnológica norte-americana consegue aproximar-se mais do que nunca do sonho de transformar o smartphone no único dispositivo de computação que a maior parte das pessoas vão necessitar.

Outras tentativas

É de facto um cenário tentador e a nível de mobilidade é o que faz mais sentido. Um único dispositivo, que tanto dá acesso a um ambiente mobile como a um ambiente desktop, sem compromissos nos dois lados.

Claro que ter o smartphone como único ‘PC’ é limitador no sentido em que para tirar partido de toda esta portabilidade é necessário ter um monitor e os devidos periféricos à sua espera. Por exemplo, se for de viagem o quarto de hotel terá de garantir estas condições, caso contrário vai sempre precisar de um portátil para poder ‘viver’ o modo desktop.




A HP não é a primeira a tentar a concretização deste ‘sonho’. A funcionalidade Windows Continuum foi criada justamente para isso, para permitir que os principais smartphones com Windows 10 Mobile pudessem, ainda que de forma mais limitada, garantir aos seus utilizadores um ambiente de trabalho em desktop.

O problema é que o Windows 10 Mobile – software e hardware – é neste momento um tema em clara queda na Microsoft. Já lá vai quase um ano desde o lançamento dos últimos smartphones topo de gama de marca própria da Microsoft. Sobre o Windows 10 Mobile já expusemos algumas considerações.

Quando pensamos em smartphones que tentaram dar uma reforma antecipada aos computadores, é inevitável não pensar no Ubuntu Edge. O conceito nunca saiu verdadeiramente do papel, mas era semelhante ao que vemos agora no Elite X3: smartphone com especificações topo de gama e acesso a um ambiente desktop tradicional.

A grande diferença? O sistema operativo era o Ubuntu, claro.

O projeto na altura – ano de 2013 – gerou bastante entusiasmo e ainda conseguiu angariar 12 milhões de dólares, uma quantia impressionante para um projeto de crowdfunding. A questão é que a Canonical, empresa responsável pelo Ubuntu, pedia como mínimo viável 32 milhões de dólares.

O Ubuntu Edge ainda despertou o interesse de alguns fabricantes e o fundador da Canonical, Mark Shuttleworth, disse mesmo que o equipamento chegaria ao mercado algures durante o ano de 2015. A verdade é que 2017 está quase à porta e o Ubuntu Edge não passou disso mesmo, de um sonho.

A Canonical ambicionava produzir 40 mil unidades do Ubuntu Edge

Na altura muitos questionavam se o Ubuntu Edge era fazível. Mais de três anos depois a HP mostra que sim. O Ubuntu teria a vantagem de não necessitar de um sistema virtualizado para dar todo o potencial do desktop ao utilizador. Mas por outro lado, o Elite X3 existe mesmo.

Fazendo uma pesquisa no Google sobre o tema são vários os artigos que dizem ‘como transformar o seu smartphone Android num PC’ ou ‘nunca na vida os smartphones vão substituir os PC’. Olhando para estes resultados parece que este debate, se será ou não possível o smartphone um dia substituir totalmente os computadores, fará parte do roteiro tecnológico nos próximos anos.

Pelo menos equipamentos como o HP Elite X3 mostram-nos que esse sonho está vivo. Mas talvez mais importante: esse sonho não está assim tão longe de ser concretizado.