Muitas vezes existe um paralelismo entre as personagens Sonic, da Sega, e Mario, da Nintendo. São dois ícones dos videojogos e ajudaram a definir gerações, de consolas e de jogadores. Mas se o canalizador italo-americano da Nintendo tem sabido envelhecer – ainda que nem todos os jogos apresentem a mesma qualidade -, já o ouriço azul tem tido uma grande dificuldade em afirmar-se nos tempos modernos. Agora até trabalham juntos, veja-se bem.

Culpa acima de tudo da Sega que não tem sabido produzir os videojogos que o legado da sua personagem merece. Nos últimos anos saíram vários títulos de Sonic sem grande apelo no enredo, na arte ou na jogabilidade.



Mas Sonic sendo Sonic tem sempre fãs. Há sempre quem esteja à espera que de um momento para o outro o ouriço volte a correr mais rápido e consiga restabelecer a adrenalina a que habituou os jogadores sobretudo com os jogos da Mega Drive. Pois bem, esse momento pode finalmente ter chegado.

Apresentando Sonic Mania:

Sonic Mania não é mais uma remasterização. É um novo jogo que tem muito do seu passado. A arte em 2D está lá. Os sons familiares também. Há níveis conhecidos, como os da Green Hill Zone, mas também haverá novos cenários para explorar.

Em determinado momento do vídeo vemos Sonic a ser transferido entre satélites, ao bom estilo zigue-zague rápido dos jogos clássicos. Há um novo movimento, o drop dash, que permite cair ao chão e continuar a rolar a alta velocidade. Promete.

Talvez um dos aspetos mais importantes de Sonic Mania é o facto de a Sega ter decidido disponibilizar apenas três personagens jogáveis, as três que têm maior tradição: Sonic, Tails e Knuckles.



O novo jogo está a ser desenvolvido em parceria com os estúdios Headcanon, Pagoda West Games e ainda Christian Whitehead. Este último é um programador independente que ficou conhecido pelos seus trabalhos relacionados com a adaptação dos jogos de Sonic a outras plataformas e acabaria por ser contratado pela própria Sega.

Se este jogo de Sonic pede por uma consola Sega, a verdade é que vai ficar disponível na PlayStation 4, Xbox One e computador. Mas teria sido uma jogada de génio lançar este jogo para quem tivesse uma consola Sega antiga.

No final do trailer a Sega diz que é uma celebração de passado e futuro. Sim, porque já há um futuro além de Sonic Mania. Se será entusiasmante ou não, só o tempo o dirá.

Este novo jogo, por agora apenas intitulado de Project Sonic 2017, vai chegar à PlayStation 4, Xbox One, Nintendo NX e também ao PC no final desse ano. Em conjunto com Sonic Mania serve para celebrar os 25 anos que a personagem fez recentemente.

Apesar de o trailer mostrar um grafismo mais moderno e bem conseguido, não nos podemos esquecer dos flops que chegaram nos últimos anos mesmo depois de outros trailers bem conseguidos. Mas também não é de todo justo traçar já um destino negro ao videojogo – quem sabe se impulsionado pelo sucesso de Sonic Mania traz para a franquia ideias inovadoras e frescas.

É que nem tudo tem sido mau neste legado mais recente de Sonic e destacaríamos aqui dois momentos.

@sonic_hedgehog

Tornou-se num dos mais conhecidos perfis de redes sociais do mundo. Tem pouco mais de três mil tweets e junta 372 mil seguidores. Não é o mais popular, mas é um dos mais divertidos, caústicos e até estranhos na rede de microblogues.

Foi esta mistura de elementos que o catapultou para a fama. O Sonic do Twitter não tem papas na língua e sabe gozar com os seus próprios momentos mais fracos na carreira dos videojogos.

O perfil tem sido gerido nos últimos anos por Andrew Webster, um funcionário que já trabalhava na Sega, foi despedido em 2014, regressou e conseguiu colocar a internet a falar novamente do ouriço azul graças às suas estiradas em 140 caracteres.

“O Sonic e a Sega eram a antítese do Mário seguro”, disse Andrew numa entrevista ao The Verge em junho deste ano. Quando tomou as rédeas do perfil no Twitter sentiu que precisava de imprimir uma nova velocidade e distanciar-se o mais rápido possível da gestão “aborrecida” – palavras dele – que em 2014 estava em curso.

Interagir com os fãs e diversão foram os seus principais objetivos. Atingidos, ao que tudo indica.

Sonic Jump Fever

A personagem nasceu nas consolas de videojogos, mas teve de render-se às evidências dos novos tempos. Se pesquisar nas lojas de aplicações vai encontrar vários jogos oficiais do Sonic, mas houve um em particular que chamou a nossa atenção quando chegou ao mercado em 2014.

Sonic Jump Fever é o nome que deve procurar se tiver interesse. Na prática é um jogo de plataformas na vertical, mas o que o destaca é a jogabilidade divertida e o design mais próximo ao que os jogadores tiveram há 25 anos quando Sony estreou-se na Mega Drive. É verdade que rapidamente torna-se ‘sufocante’ devido às tentativas constantes de monetização. Mas mesmo assim, teve um apelo que já não víamos há alguns anos.

O jogo foi bem pensado para os dispositivos móveis e também para a era em que as pessoas partilham os seus progressos na rede social. Não foi um sucesso como está agora a ser Pokémon GO, mas foi uma boa jogada por parte da Sega. Mostrou atenção ao pormenor e detalhe. Mostrou saber apelar aos jogadores casuais, aqueles que mais consomem jogos em formato móvel.

Foram jogos como Sonic Jump Fever que foram dando alguma esperança aos fãs que um dia os grandes jogos de Sonic regressariam. Será que é desta?