A Sony Interactive Entertainment (SIE) já tinha confirmado o desenvolvimento de uma nova consola, por isso era uma questão de tempo até que fosse revelada. Mas em vez de apresentar um novo sistema de jogo, a tecnológica japonesa apresentou dois: uma nova PlayStation 4 standard e uma versão mais poderosa da consola conhecida como PlayStation 4 Pro.

A PlayStation 4 mais básica retém exatamente as mesmas características do modelo original lançado em 2013, à exceção da sua estrutura: é mais pequena, é mais leve e energeticamente mais eficiente. Em condições normais seria apelidada de PlayStation 4 ‘Slim’, mas como a SIE vai descontinuar o modelo original da consola, esta passa a ser a PS4 de base.



Vai chegar ao mercado já no dia 15 de setembro e vai custar 299 euros.

Agora a verdadeira novidade é a PlayStation 4 Pro, uma consola que apresenta-se com maior poder de processamento e uma capacidade gráfica duas vezes maior do que a do modelo original.

“A PlayStation 4 foi a grande tela que nos esperávamos que fosse. Suportando uma tremenda variedade de títulos, desde os triple AAA aos jogos digitais mais pequenos”, começou por dizer o diretor executivo da SIE, Andrew House, no evento PlayStation Meeting.

“Sempre foi nossa intenção desenhar a PlayStation 4 como uma plataforma para estimular a evolução futura. Esta visão do futuro e a arquitetura que o permitira, foram desenhadas no produto desde o início. Contudo, percebemos que há um grande desejo de avanço e os jogadores queriam-no nesta geração. À medida que a tecnologia continua a evoluir, trazendo novas formas de realizar as aspirações da comunidade de jogadores, estamos a ajustar e a acelerar a nossa cadência de inovação”, acrescentou logo a seguir, como justificação para este lançamento.

A chegada da PlayStation 4 Pro – juntamente com o lançamento da Xbox One S -, marca uma quebra no ciclo de vida tradicional das consolas que por norma rondava os sete anos. O avanço galopante das tecnologias e a desvantagem das novas consolas face aos videojogos para computador obrigaram a uma atitude diferente por parte das consolas domésticas.

A SIE também redesenhou alguns acessórios como a PlayStation Camera e o headset dedicado

O CEO da Sony Interactive Entertainment define claramente o público-alvo para a nova PlayStation 4 Pro: “O nome PlayStation 4 Pro é para simbolizar que [a consola] é parte desta geração e direcioná-la para os jogadores hardcore ou consumidores de televisores avançados”.

Todo o poder extra que a PlayStation 4 Pro traz de origem permite que os jogadores tenham acesso a videojogos em resolução 4K e também a conteúdos em High Dynamic Range (HDR), garantindo assim ambientes mais fotorrealistas.

A consola vai chegar ao mercado no dia 10 de novembro e vai custar 399 euros. Mas primeiro é necessário conhecer melhor as características deste novo sistema de jogo.

Toda uma nova PlayStation

A PlayStation 4 Pro tem um processador ‘AMD Jaguar’ de oito núcleos, tem uma placa gráfica que permite atingir os 4,2 teraflops de rendimento, vem com 8GB de memória RAM e um disco rígido de 1 terabyte.

Apesar de ter entrada para discos e suporte para altas resoluções, a consola não será capaz de ler discos Blu-Ray 4K, informação confirmada por um representante da Sony ao site Polygon. Em contrapartida é algo que a Xbox One S consegue fazer.

A PS4 Pro tem de facto capacidade técnica para reproduzir jogos 4K em HDR – algo que a Xbox One S não faz -, mas de acordo com o Engadget nem todos os jogos vão chegar a essa resolução. Aquilo que a PlayStation estará a pedir aos estúdios é que garantam dois modos de jogo: um em Full HD e outro apelidado de Quality Mode, que renderiza a resolução do jogo dependendo da sua performance.

Está garantida a compatibilidade com todos os jogos já lançados para a PlayStation 4

A publicação diz que a maior parte dos jogos terá resoluções que estarão 90% próximas do verdadeiro 4K, mas que no início serão poucos os que vão cumprir a promessa por inteiro – The Elder Scrolls Online é um dos títulos confirmados em Ultra HD ‘puro’.

Rise of the Tomb Raider, Watch Dogs 2, Call of Duty: Infinite Warfare, For Honor e Horizon: Zero Down são alguns dos títulos já confirmados como sendo compatíveis em Ultra HD.

Esta exigência de duas resoluções é importante para o posicionamento da Sony relativamente à PlayStation 4 Pro. É óbvio que quem quiser tirar o maior proveito da consola terá de ter um televisor Ultra HD e HDR, mas a PlayStation 4 Pro também é compatível com televisores Full HD.

Aquilo que acontece é que os jogos sofrem uma renderização diferente – têm melhorias relativamente às versões normais em Full HD, mas não conseguem ter o mesmo impacto visual da resolução Ultra HD devido às limitações dos televisores.

Com esta ‘tática’ a SIE espera que o facto de uma pessoa não ter um televisor Ultra HD não seja o motivo pelo qual não vai comprar a nova e mais poderosa PlayStation.

Por outro lado a empresa japonesa fala num reforço de conteúdos em 4K – tanto o Netflix como o YouTube estão a trabalhar em novas aplicações para disponibilizarem conteúdos nesta resolução -, pelo que fará de facto mais sentido ter um televisor Ultra HD para acompanhar a consola.



Se a resolução dos conteúdos é importante, a sua dinâmica traz todo um novo fulgor à jogabilidade. Os jogos que estão a ser desenvolvidos em HDR apresentam uma paleta de cores muito mais realista e preenchida, tornando mais rica a experiência visual.

Na tentativa de trazer esta experiência a todos os utilizadores, todas as versões da PlayStation 4 vão receber uma atualização de firmware que vai ativar o suporte para conteúdos em HDR – só precisará de ter um televisor compatível para tirar proveito desta funcionalidade.

O anúncio da PlayStation 4 Pro acaba por ser interessante devido ao seu timing: é anunciado depois de já ter sido revelado o Project Scorpio da Microsoft – em teoria a consola rival será mais potente a nível gráfico com 6 teraflops de potência -, mas vai ter uma vantagem de um ano relativamente à concorrente.

Isto pode deixar os jogadores mais hardcore no limbo: esperar durante um ano por uma máquina teoricamente mais poderosa ou avançar já para a primeira consola doméstica a suportar videojogos em Ultra HD?

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