“Agora sinto que tenho dois batimentos cardíacos. O meu próprio e o pulsar da Terra”, Moon Ribas

Já aqui abordámos o tema dos humanos que têm tecnologia integrada nos seus corpos. São o que temos mais próximo do conceito de ciborgue que ficou, acima de tudo, popularizado na ficção científica.

Mas a história de Moon Ribas é um pouco diferente – não só pela tipologia do projeto, mas por a integração da tecnologia estar ao serviço das artes.

Na prática a artista espanhola tem um ‘sismógrafo’ integrado no seu braço esquerdo. Não é um sismógrafo no sentido lato do conceito, mas sim na sua finalidade. Moon Ribas diz sentir todos os terramotos que existem no mundo.

Quando há um tremor de terra ela sente-o. Se for fraco, a vibração do equipamento eletrónico é fraca. Se for forte, então a vibração é forte. Mas por que razão alguém quereria sentir todos os terramotos do mundo com a ajuda da tecnologia?

“O planeta move-se, tremendo constantemente e mexendo-se todos os dias. Pensei que seria incrível traduzir os movimentos naturais e massivos do planeta de forma diferente”, disse Moon Ribas, citada pela publicação Quartz.

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# A espanhola é uma das criadoras da Cyborg Fundation, uma organização sem fins lucrativos que tem três grandes objetivos:
– Ajudar os humanos a tornarem-se ciborgues;
– Defender os direitos dos ciborgues;
– Promover o ciborguismo como uma arte e movimento social;

Esta forma diferente é a dança. A artista espanhola tem uma performance artística chamada Esperando pelos Terramotos. Durante as performances Moon Ribas fica à espera que os terramotos aconteçam e depois dá corpo e interpretação às vibrações que está a sentir.

O implante que tem no braço está ligado a um smartphone que através de uma aplicação agrega toda a informação, em tempo real, dos sismos que estão a acontecer no planeta.

A reportagem conta que quando aconteceu o sismo do Nepal, que atingiu os 7.8 na escala de Richter, Moon Ribas estava a dormir, mas rapidamente acordou pois percebeu que a situação era catastrófica. Mas para a ‘artista ciborgue’ “ainda temos de aprender a viver no nosso planeta” pois considera que não deviam ser construídas grandes cidades em cima de pontos sísmicos ativos.

Neste vídeo podemos ver Moon Ribas numa conferência TedX onde fala sobre a sua experiência ciborgue e sobre como o facto de ter tecnologia integrada no corpo está a alterar o funcionamento do cérebro.

No vídeo ficamos a saber, por exemplo, que apesar de haver uma ligação ‘privada’ entre a artista e o planeta Terra é possível sentir o que Moon Ribas sente: ela criou uma réplica 3D do seu braço e integrou o mesmo sistema para ‘sentir terramotos’. A peça já esteve exposta em Barcelona e os visitantes podiam tocar e ter acesso a parte da experiência que a artista catalã tem de forma quase constante. O chip nunca fica desligado.

Os planos de ter um sexto sentido para os sismos não ficam por aqui. Em conjunto com Neil Harbisson – o primeiro ciborgue oficialmente reconhecido – está a estudar a possibilidade de fazer novos implantes tecnológicos nos dedos dos pés. O objetivo é começar a segmentar as sensações que está a receber, neste caso perceber em que continente está a acontecer cada terramoto.

Uma das questões mais interessantes é o facto de Moon Ribas sentir-se, agora que é um ciborgue, muito mais ligada ao planeta Terra e também a alguns animais. Afinal de contas sente os terramotos da mesma forma que alguns deles.



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