O ano sabático, ou “Gap Year”, consiste em tirar um ano de licença para explorar os seus interesses pessoais, interrompendo assim os seus estudos ou o emprego para regressar mais tarde. É um conceito que está bastante na moda entre os jovens, mas isso não impediu a Nintendo de também aderir. Em 2016 a Nintendo bateu em retirada, mas promete que volta mais tarde e trará consigo uma nova consola. O problema é que foi para um local com problemas de comunicação.

De vez em quando, a Nintendo divulga algumas novidades online e até envia jogos para as lojas, mas no local onde se encontra não recebe de volta as mensagens dos fãs. Há uma consola prometida, com o nome de código NX e lançamento previsto para março do próximo ano, mas da qual não se sabe absolutamente nada. Reina a especulação e uma panóplia de rumores para todos os gostos. Por esta altura, os fãs contam com uma consola híbrida entre o doméstico e o portátil, mas ainda não há um consenso sobre em que moldes irá funcionar. Daqui por cinco meses, mais coisa menos coisa, estará disponível nas lojas.

A cada dia que passa, o mistério e o entusiasmo transformam-se gradualmente em algo tóxico para a marca. O que parecia uma estratégia na E3, focando o evento no magnífico The Legend of Zelda: Breath of the Wild, abriu portas a toda uma discussão em torno da data em que será revelada a nova consola. Poderia ser em julho ou agosto, mas de setembro não passava. É preciso tempo para promover e divulgar a consola, alegam os fãs. Qual será o interesse de deixar o mercado gastar dinheiro em consolas rivais na quadra natalícia, quando o poderiam gastar na pré-reserva de uma NX?

Os fãs questionam-se e questionam a Nintendo, mas a empresa não está lá para responder. Tiraram um ano sabático, deixaram as publicações agendadas e, a cada anúncio, os fãs utilizam-nas para perguntar pela NX. Cada post, cada notícia é abafada pela curiosidade. Seja um livestream oficial a apresentar a Nintendo Classic Mini: NES, ou apenas um vídeo do Yoshi a andar a cavalo, o resultado é o mesmo. E em contrapartida, acumulam-se expetativas irreais acerca do que a consola poderá oferecer.

A nível de lançamentos, não me recordo de um ano tão fraco em termos de grandes títulos. A Wii U viu na semana passada o lançamento do seu último exclusivo, Paper Mario: Color Splash, e fica agora em stand by até à chegada do novo Zelda em simultâneo com a sua sucessora. Não fossem os indies e não haveria mais nada para jogar. Percebe-se a desistência da consola, devido às fracas vendas e a necessidade de produzir conteúdos para a NX. Já a Nintendo 3DS teve um ano muito mais interessante e ainda aguarda o lançamento de uma nova geração de Pokémon (com Pokémon Sun e Pokémon Moon), mas ainda assim com menos lançamentos do que no passado.

A falta de software em 2016 pressupõe uma avalanche de conteúdos em 2017. A Ubisoft diz que é uma consola fantástica e a Pokémon Company elogia a nova abordagem que desafia o conceito do que é uma consola doméstica ou uma portátil. A questão que paira no ar é quando irá a Nintendo fazer o seu comeback e mostrar ao mundo o que andou a fazer durante este período de afastamento. Para os fãs, o momento certo é agora.



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