A Nintendo desvendou finalmente o conceito da sua próxima consola a chegar ao mercado, a Nintendo Switch. Esta é uma consola doméstica com uma reviravolta, pois é também uma consola portátil. Com o trailer de apresentação revelado na semana passada, foram mostrados vários exemplos de jogabilidade e utilização do sistema híbrido, permitindo retirar o múdulo principal da base que o liga à TV e, com os novos comandos Joy-Con, continuar a jogar em qualquer lado o mesmo jogo, sem tirar nem pôr.

A ideia de poder jogar os nossos jogos favoritos em qualquer lado é bastante apelativa, especialmente quando a vida adulta nos impede de ficar tanto tempo em frente à TV quanto gostaríamos. O anúncio vinculou a ideia de que todos os jogos poderão ser jogados tanto no modo doméstico como portátil, mesmo que possa haver diferenças naturais ao nível da resolução. Resta ver como ela se comporta na prática mas, em teoria, é um conceito genial.

Os comandos Joy-Con têm também uma surpresa interessante: como podem ser facilmente acoplados e desacoplados, também permitem em modo portátil fazer sessões a dois jogadores com um só ecrã. A ideia é óptima para jogar com amigos em vários contextos sem ser dentro de casa, dividindo e partilhando os comandos, que parecem ainda esconder mais alguns truques. Para um formato mais tradicional, podem estar reunidos num “Joy-Con Grip” ou ser substituídos por um Pro Controller mais convencional. Consigo imaginar-me a transportar um comando destes na mochila para jogar Zelda ou Skyrim nas longas viagens de Intercidades, por exemplo.

A dualidade da Switch é o que lhe dá o potencial de ser um grande sucesso comercial. Em vez de competir com as novas iterações topo de gama da PS4 Pro e Xbox Scorpio a tentar acompanhar os avanços no PC, a Nintendo apostou em criar uma experiência de consola “normal” com as vantagens da mobilidade. Se o grafismo dos jogos na TV estiver perto dos padrões atuais da PS4 ou Xbox One, então é uma consola irresistível só pelo simples facto de também se poder jogar em qualquer lado. A única coisa que é preciso garantir é que o suporte das companhias third-party será bastante sólido, trazendo para a plataforma os grandes títulos que anualmente ocupam os lugares no top de vendas como o FIFA ou Call of Duty.

Imaginemos então o inevitável lançamento do FIFA 18 daqui por um ano, e que este tem uma versão para a Nintendo Switch. Não é uma versão com personagens Mii, como houve na Wii, nem uma versão mobile. É o mesmo FIFA 18 lançado na PlayStation 4 e Xbox One, com os mesmos jogadores e as mesmas funcionalidades – mais polígono ou menos polígono, tanto faz. Um dia, um jovem adolescente decide ir para a escola com a sua Switch para jogar FIFA no intervalo. Um amigo pergunta se pode experimentar o jogo e o rapaz separa os Joy-Con da consola, passa um ao amigo e assim jogam uma partida a dois. Pela altura do Natal, metade dos alunos da escola irão pedir uma Nintendo Switch com o FIFA, mesmo que também tenham em casa a versão PS4.

É uma aposta com um grande ‘se’, pois depende muito da relação entre a Nintendo e a Electronic Arts. Mas é precisamente nesta aposta que vejo o grande potencial para a Switch se tornar uma consola extremamente popular. Até ao lançamento da consola em março, a Nintendo ainda terá muitas novidades para anunciar, incluindo os títulos iniciais. O novo Legend of Zelda: Breath of the Wild terá um público assegurado logo no lançamento, e um eventual jogo de Pokémon em HD terá sem dúvida um enorme sucesso, mas a chave para conquistar uma posição sólida no mercado está nas mãos de parceiros como a Activision e Electronic Arts.

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