É um dos jogos do momento, ainda que tenha sido lançado originalmente em setembro 2016. Bastou que um vídeo de Trap Adventure 2 começasse a ser viralmente partilhado nas redes sociais para o jogo ganhar fama à escala global. Se passa tempo sobretudo no Twitter, é provável que já tenha visto este pequeno homem aos saltos.

Trap Adventure 2 é um desafio que só está disponível para dispositivos iOS e que se define como o “jogo retro mais difícil”. Desenvolvido pelo japonês Hiroyoshi Oshiba, este é um título pensado do início ao fim para fazer com que o jogador morra vezes sem conta devido à grande dificuldade de progressão.

O jogo é gratuito, mas na versão freemium o jogador só tem uma vida – sempre que morrer terá de voltar ao início e pelo meio terá de assistir a uma publicidade para ganhar uma nova possibilidade de jogar. Se pagar um euro, então além do jogo perder a publicidade, vai dar ao utilizador várias vidas para poder ir avançando sem tantas interrupções.

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À semelhança do que aconteceu com o jogo Flappy Bird, é o elevado nível de dificuldade de Trap Adventure 2 que está a fazer com que a aplicação seja tão falada. Tudo o que fazemos neste jogo parece que está condenado a acabar na desgraça da nossa personagem.

É um jogo feito para deixar o utilizador desgastado, com os nervos em franja, sem paciência e a fazer perguntas como ‘Porque raio estou a jogar isto?’ ou ‘Mas quem foi a mente demoníaca que desenvolveu esta armadilha humana?’. São demasiados sentimentos negativos para algo que à primeira vista parecia ser uma cópia mais simplificada de Super Mario Bros..

Mas é justamente esta tempestade de sentimentos negativos que faz com que o jogo seja interessante. Trap Adventure 2 não está sozinho nesta realidade – antes de si já jogos como I Wanna Be The Guy, VVVVVV, 1001 Spikes e Super Meat Boy deixaram jogadores de todo o mundo com elevados níveis de frustração e stress.

Enquanto alguns destes jogos apostam no conceito de tentativa-erro, isto é, obriga o jogador a passar do ponto A ao ponto B fazendo ‘saltos de fé’, pois fisicamente é impossível fazer aquele percurso, Trap Adventure 2 faz exatamente o contrário: mostra o percurso ao jogador e castiga-o por ser tão previsível.

Este é um dos aspetos que mais tem encantado nos vídeos de jogabilidade de Trap Adventure 2: o jogo é uma ode à previsibilidade do comportamento humano. Significa isto que quem desenhou o jogo sabia exatamente como a esmagadora maioria dos seres humanos iria comportar-se perante os diferentes obstáculos que vão aparecer. É como se Hiroyoshi Oshiba fosse um mentalista e já sabia como iríamos jogar o jogo.

Por isso é que Trap Adventure 2 é um verdadeiro inferno: os nossos movimentos já estão mais do que calculados e devidamente castigados. Isto faz com que seja divertido jogar este título, como também é divertido ver outros a jogá-lo: basicamente estamos a ver a lógica humana a ser destruída, tentativa após tentativa. E ao fim de muitas tentativas é preciso voltar a fazer tudo outra vez, mas com uma carga de nervos muito maior.

Trap Adventure 2 é aquilo que se pode chamar de um sucesso em termos de engenharia social. De tão difícil e desprezível que o jogo promete ser, dá vontade de experimentar. De tão simples que parecem os níveis e os nossos falhanços, dá vontade de continuar. De tão bem engendrado que está o esquema de só haver uma vida no modo gratuito, dá vontade de comprar.

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