O mercado de smartphones em Portugal encolheu em 2017. Não foi uma diferença muito significativa tendo em conta as vendas de 2016, mas não deixou de se registar um declínio: venderam-se 2,85 milhões de smartphones em 2017, contra os 2,96 milhões que tinham sido vendidos no ano anterior, segundo dados da consultora IDC.

O valor continua no entanto a ser significativo para um país que tem uma população de dez milhões de habitantes. “A taxa de penetração dos smartphones em Portugal continua abaixo da média europeia, é normal que ainda se continuem a vender mais smartphones do que noutros países, porque ainda continuamos a ver esta transição dos feature phones para os smartphones”, explicou o analista principal da IDC EMEA para o mercado de dispositivos móveis, Francisco Jerónimo, em entrevista por Skype ao FUTURE BEHIND.

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Apesar do declínio registado, a luta pela posição cimeira continua animada, com os três principais fabricantes a terem aumentado as suas vendas em 2017.

A Samsung continua a ser a marca líder de smartphones e em 2017 vendeu perto de 700 mil unidades no mercado português. A Huawei continua a sua perseguição à primeira posição e registou 570 mil unidades vendidas. Já o terceiro lugar pertence à Apple com 360 mil unidades comercializadas em território português.

O restante top 10 é constituído, na seguinte ordem, pela Wiko, pela Asus, pelo MEO, pela Vodafone, pela Alcatel e pela Nokia.

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A entrada da Nokia no top das marcas que mais smartphones vendem em Portugal é um dos destaques deste ranking, mas também é de destacar a ausência de alguns nomes bem conhecidos do mercado de smartphones, casos da LG e da Sony.

Acompanhando aquela que é uma tendência internacional, também em Portugal as duas marcas asiáticas viram as suas vendas a encolher de forma significativa: a LG é o caso mais crítico, tendo passado de 140 mil unidades em 2016 para 38 mil unidades em 2017, já a Sony tinha vendido 54 mil smartphones em 2016 e em 2017 baixou para 43 mil unidades.

Feature phones ainda representam 20% das vendas

Seria de esperar que em pleno ano de 2017 as vendas de smartphones já dominassem por completo as vendas totais de telemóveis, sobretudo nos países da Europa Ocidental. Acontece que há dois países que destoam deste cenário ‘moderno’: Portugal e Grécia.

No caso português, no ano de 2017 foram comercializados 690 mil feature phones, um valor que representa quase 20% do total do mercado de telemóveis em Portugal. O analista Francisco Jerónimo diz que a média de venda de feature phones nos outros países europeus varia entre os 5% e os 10%.

“Claramente Portugal e Grécia estão muito acima da média europeia por razões económicas e também por razões culturais, mas essencialmente por razões económicas”, explicou o analista.

O facto de um em cada cinco novos telemóveis em Portugal ser ainda um dispositivo básico tem depois um impacto direto noutros indicadores de mercado, como o facto de Portugal ser dos países onde o preço médio dos telemóveis é mais baixo. “O preço médio em Portugal dos telefones aumentou de 233 dólares [~ 187 euros] para 259 dólares [~ 208 euros], mas a nível europeu o preço médio aumentou de 392 dólares [~ 315 euros] para 408 dólares [~ 328 euros]”, revelou Francisco Jerónimo.

Em países como o Reino Unido e a Suíça, onde o poder de compra dos consumidores é muito maior, o preço médio gasto em telemóveis chega mesmo a ser superior a 500 dólares, ou seja, superior a 403 euros.

“O preço médio dos telefones vendidos em Portugal continua a ser inferior à média europeia. Isso não vai mudar, porque as pessoas não vão enriquecer de um momento para o outro para decidirem que vão gastar o triplo em telefones. (…) Em Portugal esse crescimento [no preço médio] também se verificou, mas isso também é normal porque no momento em que continua a haver a transição dos features phones para os smartphones é normal que o preço médio aumente”, esclareceu o especialista.

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