Vem aí o maior evento do mundo ligado à área dos videojogos. Durante quase uma semana serão apresentadas as principais novidades da Sony, Microsoft e Nintendo relativamente ao futuro das suas plataformas. Muitos estúdios de desenvolvimento subirão a palco para mostrar os jogos que vão dar que falar nos próximos meses.

Se por norma a Electronic Entertainment Expo [E3] é acima de tudo dominada por software, o ano de 2016 promete trazer muitas novidades a nível de hardware.




Devido a todos os anúncios é fácil perder-se em tamanha excitação. Tantas novidades, novas propriedades intelectuais, novas consolas, realidade virtual e sabe-se lá mais o quê.

Mas se há algo que já deu para aprender com a E3 é que apesar de ser um bom evento para degustar, deve ser consumido com moderação. Referimo-nos particularmente à questão dos downgrades gráficos, isto é, jogos que perdem qualidade gráfica ao longo do período de desenvolvimento.

Mais do que uma vez os estúdios mostraram na E3 jogos graficamente espetaculares e com uma jogabilidade de sonho, mas quando o título é lançado efetivamente as diferenças são por demais evidentes.

As empresas de videojogos não admitem de ânimo leve a questão dos downgrades e dizem inclusive que isso implica uma consciência na redução gráfica. Mas as suas justificações não são tudo: basta pesquisar pela palavra ‘downgrade’ no YouTube para perceber que o que é mostrado nos eventos não é o mesmo que os jogadores vão ter mais tarde. Nem todos os jogos são assim, mas têm existido alguns casos gritantes.

O que acontece é que muitas vezes os estúdios de desenvolvimento estão a trabalhar num conceito de jogo e fazem-no em computadores super-potentes, com os melhores componentes do mercado. Mas quando tentam adaptar o título à arquitetura das diferentes consolas acabam por encontrar restrições de compatibilidade e otimização.e3-logo-gaming

A E3 acontece entre os dias 14 e 16 de junho em Los Angeles, nos EUA, mas as apresentações começam já no domingo

Não deixa de ser no entanto criticável criar hype em torno de um determinado patamar de qualidade quando se desconfia fortemente que o mesmo não poderá ser concretizado. Os grandes estúdios de desenvolvimento têm todas uma PlayStation, uma Xbox e uma Nintendo para poderem construir de raiz jogos otimizados para esses sistemas de jogo.

Uma outra questão está relacionada com os trabalhos de desenvolvimento. O mesmo jogo pode ser desenvolvido por estúdios diferentes: um trata da versão PS4 e outro da versão para PC por exemplo.  Ajuda a explicar por que razão há versões melhor otimizadas: os engenheiros informáticos a trabalharem não são os mesmos e claramente há quem tenha mais talento. Mas também não serve de desculpa pois estamos a falar do trabalho de algumas das maiores empresas do mundo.

Além de criarem bons jogos, a missão dos estúdios de desenvolvimento é de criar títulos que sejam rentáveis. É fácil perceber por isso que queiram apresentar aos jogadores jogos com o melhor aspeto possível. Os trailers feitos em computer graphics (CG) e não com o motor de jogo também ajudam a tornar tudo mais apetitoso. Desta forma um título consegue ter milhares de unidades comercializadas mesmo antes de chegar ao mercado, através dos modelos de pré-vendas.

A questão é que o mercado de gaming está a ficar exigente e com razão. As produtoras estão a dançar em cima do limite que separa o bom trabalho da vontade de vender.

Recuperamos aqui alguns dos exemplos que mais polémica causaram nos últimos anos. Os exemplos são de diferentes fontes para que haja aqui um pluralismo de análises relativamente aos downgrades e vão até ao ano de 2005.

Watch Dogs

Uncharted 4

The Division

The Witcher 3

Rainbow Siege Six

Alien: Colonial Marines

Killzone 2