Há eventos desportivos de escala global que não conseguem agarrar a atenção de tantas pessoas. Durante nove minutos mais de dois milhões seguiram em direto o primeiro voo do Falcon Heavy, o veículo espacial mais potente da atualidade. Foi apenas um voo de teste, mas as jogadas de marketing engendradas por Elon Musk e um grande feito de engenharia fazem com que este seja um momento para mais tarde recordar.

O primeiro grande momento deu-se logo após a conclusão da contagem decrescente e com a ignição dos 27 motores: os elementos da SpaceX que estavam em Cape Canaveral, na Flórida, entraram em euforia quando viram o resultado de tantos anos de trabalho a elevar-se no ar.

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Já com uma velocidade próxima dos 4.000 Km/H, fica a imagem de uma enorme mancha de fogo que emanava dos motores do Falcon Heavy – que na prática é composto por três foguetões mais ‘pequenos’, os Falcon 9, sendo que dois deles estavam a ser reutilizados.

Os momentos de separação dos foguetões de apoio e do foguetão principal decorreram sem qualquer problema e foi aí que se seguiu mais um grande momento visual: o elemento principal do Falcon Heavy, a cápsula de transporte, abre-se para revelar o Tesla Roadster cor de cereja que Elon Musk quis enviar para o espaço.

A bordo do Tesla lá estava o Starman, um boneco dummy vestido com o fato desenvolvido pela SpaceX para futuras missões espaciais. A cereja no topo de bolo, tal como já tinha prometido Musk, foi a reprodução da música Life on Mars?, de David Bowie, durante os primeiros momentos do Tesla em espaço.

Cá em baixo os engenheiros da SpaceX continuavam ao rubro, como se ouvia pela transmissão. Enquanto as imagens de um carro com um boneco ao volante no espaço falavam por si, mais um pequeno pormenor para mais tarde recordar: no sistema de infoentretenimento do carro lia-se a frase Don’t Panic (não entre em pânico, em tradução livre], numa alusão ao livro Hitchhiker’s Guide to the Galaxy.

Enquanto uns olhavam para o carro a ser empurrado a alta velocidade pelo único motor descartável do Falcon Heavy, já outros estavam a virar a sua atenção para os três foguetões Falcon 9 que se tinham desprendido da carga principal – estava na hora de trazê-los novamente para Terra, para aterrá-los em segurança se possível.

Mais um momento digno de um filme de Hollywood: a SpaceX não só conseguiu recuperar os dois Falcon 9 de apoio, como aterrou-os em simultâneo, numa descida sincronizada que nos próximos dias certamente vai dar ao mundo algumas fotografias espetaculares. Para Elon Musk e os seus engenheiros o desafio já não é recuperar um foguetão – é recuperar três e ainda dar espetáculo pelo meio.

Na altura de publicação deste artigo não havia ainda novidades do terceiro Falcon 9, denominado de ‘núcleo central’. Este foguetão iria aterrar numa plataforma flutuante no meio do mar, ao passo que os outros dois Falcon 9 aterraram em solo firme. Entretanto, e segundo a publicação The Verge, já há confirmação de que o ‘núcleo central’ não teve uma aterragem bem-sucedida.

Como escreveu o próprio diretor executivo da SpaceX, Elon Musk, na rede social Twitter, será agora necessário esperar algumas horas até que a carga seja transportada até perto de Marte, o grande objetivo deste voo de teste do Falcon Heavy.

N.R. [22:00 de 06-02-2018]: Atualização sobre a aterragem falhada do núcleo central do Falcon Heavy

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