Quando a Wiko anunciou a sua chegada ao mercado português em 2013, a marca era relativamente desconhecida. Em vez de fazer uma entrada em pézinhos de lã para tentar apalpar terreno, a empresa seguiu uma estratégia muito mais agressiva: no preço e no número de smartphones que fez chegar ao mercado.

Estes dois elementos são aqueles que compõem o bilhete de identidade da Wiko: tem muitos smartphones, bastante diversificados nas características e em todos eles tenta oferecer uma relação qualidade-preço que mesmo não convencendo de imediato o consumidor, pelo menos obriga-o a considerar os smartphones da marca. Qual é a pessoa que não gosta de fazer o melhor negócio possível?



A estratégia tem resultado. Sobretudo no mercado livre de operador – ainda que esta situação tenha sofrido uma grande alteração recentemente -, a Wiko é uma das empresas que mais vende em Portugal.

Daquilo que já conhecemos da Wiko e também do que já experimentámos, a empresa segue uma estratégia diluída, isto é, espalha características técnicas apelativas por um grande número de smartphones. Há um que tem um bom ecrã, outro que é bom na bateria, outro que convence pelo design, outro que é apelativo pelo processador rápido…

O problema desta diluição é que por vezes isso não permite construir equipamentos consistentes. Foi o que sentimos no Wiko Lenny 3 Max. Por outro lado, às vezes a ‘poupança’ em especificações técnicas acaba por produzir equipamentos bastante competitivos. Foi o que aconteceu com o Wiko Ufeel.

Agora a marca francesa parece estar disposta a dar o seu máximo, a tentar o seu melhor e a arriscar na liga dos campeões dos smartphones. O Wiko Wim, anunciado no Mobile World Congress, é a primeira tentativa no segmento de gama média-alta. A lista de especificações é apelativa o suficiente.

Wiko Wim

Ecrã: 5,5 polegadas
Painel: AMOLED
Resolução: 1.920x1.080 píxeis

Densidade de píxeis: 401 ppi

Processador: Snapdragon 626 octa-core [8x2,2 GHz]
Unidade gráfica: Adreno 506
Armazenamento: 32 GB
RAM: 4 GB
Sensor fotográfico: 13 megapíxeis RGB + 13 megapíxeis B/W
Qualidade do vídeo: 4K @30 fps

Sensor fotográfico frontal: 16 megapíxeis
Bateria: 3.200 mAh
Bateria removível: Não
USB: microUSB
Cartão microSD: Sim
Leitor de impressões digitais: Sim
Altura: 15,62 cm
Largura: 7,53 cm
Espessura: 0,79 cm
Peso: 160 gramas
Android: 7.0 'Marshmallow'


PREÇO: Por anunciar 

Durante o Mobile World Congress tivemos a oportunidade de experimentar o Wiko Wim e o destaque do smartphone vai claramente para a aposta na qualidade fotográfica – uma das áreas onde a Wiko nunca foi especialmente forte.

A Wiko segue a mesma abordagem da Huawei: aposta em dois sensores fotográficos que desempenham tarefas distintas. Enquanto um está encarregue de captar a informação relativa às cores, há outro que capta a imagem a preto e branco, o que dá mais força à definição e ao contraste da imagem final.

Além de garantir imagens com maior qualidade, o duplo sensor fotográfico do Wiko Wim também permite que o utilizador explore outras funcionalidades criativas, como a profundidade de campo. Através de uma opção na câmara é possível colocar em contraste qualquer elemento da composição.

Graças ao software implementado no Wiko Wim é até possível ‘brincar’ com a profundidade de campo já depois da fotografia ter sido captada, isto é, escolher posteriormente qual o elemento que deve ter um maior foco.

Pelo nosso primeiro contacto ficam boas impressões da qualidade fotográfica garantida pelo Wiko Wim, sobretudo dentro do nível de preço em que vai estar situado – apesar de não haver uma confirmação oficial, é de esperar que se situe um pouco acima dos 400 euros.

Há outros elementos interessantes no smartphone: o design arredondado, apesar de ser comum no mercado dos smartphones, acaba por ser diferente dentro dos equipamentos que a Wiko já disponibiliza; o equipamento tem acabamentos metálicos, apesar da construção na parte traseira ser em plástico e não muito premium para o preço que virá a ter; o ecrã é grande, tem detalhe e tem também uma boa reprodução de cores.

Há ainda um leitor de impressões digitais, suporte para redes 4G e um desempenho que não estando em linha com os principais smartphones do mercado, pelo menos promete justificar o seu preço.

Apesar de estar a preparar-se para lutar num terreno que é o seu, o momento escolhido pela Wiko é inteligente. Se há quatro anos os smartphones topo de gama custavam perto de 600 euros, cada vez mais esses valores aproximam-se dos 700 euros e em alguns casos até dos 800 euros. Ou seja, a distância entre o segmento de gama alta e o segmento de gama média-alta está a aumentar, o que torna apelativas propostas que fiquem abaixo dos 500 euros e que não comprometam muito em termos de qualidade. Esta parece-nos ser a radiografia mais acertada para o Wiko Wim.

Aguardamos pela oportunidade de testar devidamente o novo Wiko Wim e também pela receção que o equipamento vai ter no mercado português: pois no caso do Wiko Wim não se trata apenas de ver como é que a marca francesa apresenta a sua proposta num segmento de mercado mais elevado, interessa também perceber como vai passar essa mensagem para os consumidores.

A Wiko tem criado o seu espaço no mercado português sobretudo nos segmentos de gama média e gama baixa. Com o Wiko Wim o cenário muda um pouco: a Wiko vai lutar onde nunca lutou.

Mobile World Congress 2017