O Woolim aparenta ser um tablet genérico feito por um fabricante chinês como tantos outros. Mas o Woolim é especial. É especial pela sua raridade e também pelas suas características. Na prática este é o tablet ‘oficial’ da Coreia do Norte, um país conhecido pelo seu secretismo e pelas limitações tecnológicas que impõe a habitantes e visitantes.

Não é por isso de estranhar que o interesse pelo Woolim tenha crescido nos últimos dias. É a oportunidade de ver um dispositivo de eletrónica muito pouco comum.




A oportunidade surgiu depois de os investigadores Florian Grunow e Niklaus Schiess terem publicado um trabalho em 2015 sobre o sistema operativo RedStar OS, uma distribuição Linux desenvolvida pelo estado norte-coreano e que é o software que alimenta os computadores públicos do país.

Depois da análise feita ao RedStar OS, uma organização não governamental da Coreia do Sul fez chegar o tablet Woolim até aos investigadores. Neste novo projeto de análise um terceiro elemento, Manuel Lubetzki, fez parte do grupo de investigação.

O trio revelou agora as suas conclusões sobre o tablet Woolim no Chaos Communication Congress, um dos eventos de hacking mais conhecidos em terras norte-americanas. A Motherboard revela as principais conclusões.

O tablet não será o único modelo disponível na Coreia do Norte, mas será um dos mais recentes, tendo sido fabricado em 2015 de acordo com as estimativas da publicação. A produção esteve a cargo da empresa chinesa Hoozo.

Mas quando chegou à Coreia do Norte nem todos os componentes foram aprovados. Os módulos Wi-Fi e Bluetooth do Woolim foram modificados, para evitar ligações a redes e dispositivos não permitidos. A única ligação permitida é à intranet que existe no país.

O tablet só tem capacidade para reproduzir alguns conteúdos multimédia, sobretudo aqueles que já foram previamente aprovados pelo regime norte-coreano. Sempre que o utilizador abre um novo ficheiro, seja um documento de texto ou um ficheiro HTML, o tablet analisa a criptografia desse ficheiro. Se não corresponder à base de dados do sistema, então não será reproduzido.

Imaginando que quer colocar no tablet uma fotografia, isso também não é possível. Apenas as imagens geradas diretamente do tablet são permitidas para reprodução.

Instalar aplicações além das que vêm previamente carregadas no dispositivo também é virtualmente impossível para a maioria das pessoas. Seria necessário conhecimentos em criptografia para conseguir contornar estas limitações. Como o próprio Florian Grunow disse à Motherboard, “[o tablet] está basicamente fechado”.

Além da limitação a ficheiros externos, o Woolim também é perito em manter registo daquilo que está a ser feito pelo utilizador. Sempre que uma aplicação é aberta, o tablet faz uma captura de ecrã, ficheiro esse que não pode ser eliminado do sistema.

De origem o Woolim traz alguns ficheiros PDF sobre a sua utilização, traz também textos de propaganda e algumas aplicações instaladas: é possível aceder à televisão estatal, existem dicionários de inglês, francês e russo e os inevitáveis Angry Birds.

“O público-alvo definitivamente é alguém com dinheiro, não é para a normal classe de trabalhadores”, acrescentou o investigador.

Esta não é a primeira vez que um equipamento da Coreia do Norte chega às grandes manchetes de todo o mundo: em 2013 o Arirang, o primeiro smartphone produzido no país, também conseguiu chamar a atenção da imprensa internacional.

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