Análise POSTAL Redux

Mete-se o jogador na máquina do tempo e recua vinte anos. Primeiros pelos no peito, confuso crescimento de interesse amoroso por alguém que há pouco tempo se odiava, tempos de personagens felizes e coloridas. Ano de 1997, mais propriamente, quando a editora Running With Scissors, nome por si só já algo polémico, lançava uma obra que iria lançar o pânico no continente americano e chegando mesmo a ser proibido em vários outros países. Em tempos de candura, Postal pintou de vermelho sangue as paredes da ira e discórdia, lançando mais uma vez o debate da violência nos videojogos. Um pedaço de história, sem dúvida. Vinte e três anos depois, a editora faz chegar à Nintendo Switch Postal Redux, revelando-se não só como um jogo velho e com alguma violência completamente datada, mas sim também como um prenúncio malfadado da mistura de problemas de saúde mental e armas.

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Será que Postal Redux se vai esvair em ideias ultrapassadas ou estamos perante um tiro certeiro na história dos videojogos para maiores de dezasseis?

RIP (Rest in Pieces!)

O objetivo é bastante simples. Sem grande contexto, somos atirados para a pele de um residente de uma aldeia pacata que padece de alguma doença mental e vira-se contra a pacata população. Convencido de que todos o querem matar, inclusive o exército americano, a nossa personagem mune-se das mais variadas armas e tenta liquidar o maior número de “inimigos” que encontra pelo caminho. Não interessa se são civis, polícias armados ou ainda militares. O que interessa é exterminá-los para poder avançar para a próxima zona. Há várias formas de o poder fazer, apontando a custo com a panóplia de armas disponíveis (tudo é tão pequeno e indefinido nesta emulação que nem se tem bem a certeza de se estar a acertar em alguém).

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Não sem qualquer contexto, enquadramento. Tudo acontece por que sim. As personagens ao serem mortas proferem algumas frases que ainda chocarão os mais puros e o nosso assassino perturbado também parece estar a gostar do que está a fazer. Torna-se tudo até piroso, porque são frases que talvez tivessem alguma agressividade na altura, mas gora soam só pirosas.

Postal Redux tenta apelar hoje em dia a uma geração que consome violência gratuita, mas a gratuitidade aqui eleva-se a níveis que roçam o mau gosto. Embora este tenha sempre sido o grande ângulo desta saga.

A controvérsia não envelheceu bem…

Nos dias que correm, a violência tornou-se algo tão comum que o vemos a toda a hora, qualquer que seja o media que consumimos. No mundo dos videojogos, isto não é exceção. Postal Redux sempre quis mais chocar do que vender um bom jogo. E há vinte e poucos anos conseguiu-o. Esse truque já não resulta numa sociedade com GTA, Resident Evil e Mortal Kombat. Esta obra já não choca, mas fere agora de outras formas, como a sua emulação para a Nintendo Switch, que tem vários problemas que tornam esta experiência não numa bela recordação, mas sim em algo que vamos querer rapidamente esquecer.

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Todo o visual do jogo parece ter saído de uma qualquer cave com um quarto de século, pois o jogo é sujo, feio, desfocado e não é o mais fácil de abordar num ecrã tão pequeno como o da Switch. Não culpo a consola, mas sim a qualidade  fraca dos sprites, que tornam a experiência tão desagradável. O som não é melhor.

No que diz respeito aos controlos, os twin-stickers tornam qualquer tentativa de apontar extremamente difícil, raramente dando aquela satisfação de que algo se fez bem. Vale essencialmente pela diferenciação das armas, que podem ser usadas de formas bastante criativas, mas que depois de se experimentarem, deixam de ser entusiasmantes.

Considerações finais

Postal Redux é aquele vinho velho que azedou, aquela memória carregada de boas vibrações que nos faz lembrar tempos mais felizes, mas que posta ante nós hoje em dia, é apenas estranha e constrangedora.

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É um jogo que sente em demasia a força do tempo. Apesar de ter sido inovador na sua altura, o pouco trabalho efetuado pela editora em torná-lo um pouco mais atraente para os jogadores que ainda não eram nascidos quando foi lançado faz com que o jogo se mantenha feio, de gosto duvidoso nas falas e temas musicais e não seja claramente o melhor jogo para aproveitar os comandos disponíveis para a consola japonesa. De pouco interesse no que diz respeito à repetibilidade, fica um interessante modo online que pode juntar até oito amigos e fazer de Postal Redux algo divertido, numa desenfreada matança. Mas é só.

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Ser só violento não chega já para Postal Redux. Ambientes datados, som e falas genéricas, comandos que não ajudam à experiência e ação aborrecida. Há coisas que parecem bem melhores nas nossas memórias. Este é um desses casos.

+ Modo online com amigos

+ Tão mau que é bom

– Apresentação datada

– Controlos da Switch não ajudam

– Torna-se rapidamente aborrecido

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N.R.: A análise a Postal Redux foi realizada numa Nintendo Switch com acesso a uma cópia do jogo, gentilmente disponibilizada pela Running With Scissors.

Paulo Tavares: Professor de ocupação, jogador por diversão. Guarda religiosamente as cassetes do seu Spectrum 128k. Leva demasiado a sério a discussão de melhor Final Fantasy. 7, fim de conversa.
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