What Lies in the Multiverse – Análise

Já não estamos no Kansas!

Para jogo que se prevê futurista e anárquico, What Lies in the Multiverse começa como muitos outros antes de si: num quarto. Um estudante de doutoramento tenta escrever um artigo científico sobre mundos paralelos, enquanto o seu gato se borrifa para tudo o que ele lhe diz. Mais um dia normal para quem tem um gato. O problema é que algo acontece no seu computador, uma espécie de erro espacio-temporal que o projeta para fora do seu quarto mal iluminado, acordando o nosso protagonista numa montanha budista, cheia de gente zen e de ensinamentos ambíguos.

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Eis que aparece Everett, uma espécie de homem-gato que poderia perfeitamente ter saído de um qualquer livro infantl do Dr. Seuss, com um proeminente chapéu e uma aparente begala, com uma atitude despreocupada e que acaba por contratar o nosso protagonista ávido de conhecimento como seu assistente. Cedo percebemos que Everett não é aquela personagem simples que aparenta ser. A comédia dá por vezes azo a tristeza e a uma história mais triste do que aparentaria ser. Com um diálogo que por vezes toca o infantil e o profano, mais uma vez nos lembra este jogo que também neste aspeto os multiversos linguísticos, a luz e as trevas, se tocam e coexistem.

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Saltos com cabeça

What Lies in the Multiverse é acima de tudo um jogo de plataformas com puzzles, onde para além de puxarem ligeiramente pela nossa massa cinzenta, envolvem também movimentar alguns objetos e reflexos de lince. Mas o aspeto fundamental que diferencia esta obra de outras é a capacidade de mudar de “universo paralelo”. Com um pequeno toque num botão, o caminho que parece obstruído num lado do espelho, aparece totalmente livre no outro. O objetivo nos vários níveis que percorremos é sempre o mesmo: caminhar até ao seu fim, mudando de mundo, encontrando chaves, puxando alavancas e aproveitando o que um dos mundos nos dá para fazer do outro uma oportunidade para progredirmos, desviando-se de paredes e movimentando caixas.

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A mecânica de alterarmos entre mundos paralelos começa simples, mas o nível dos puzzles vai subindo, embora nunca representem um desafio assim tão elevado. Talvez os mais complexos sejam aqueles que envolvem para além de uma solução pensada, também um momento em que temos de efetuar um salto enquanto mudamos de realidade; os comandos não são os mais responsivos e podem ser frustrantes estes saltos que acabam muitas das vezes em morte imediata. Nada que represente um problema demasiado grande, pois não há ecrãs de game over a chatear-nos. O timing e a precisão são mais difíceis de alcançar do que gostaria.

Beleza alternativa

Os gráficos minimalistas e a música de elevador que acompanham o jogador não são de todo uma crítica a What Lies in the Multiverse. A arte pixelizada que tão bem distingue os vários mundos dentro de cada mundo (nível) estão muito bem conseguidos e as suas mecânicas pessoais e as diferentes zonas de perigo são estilizadas de forma perfeita a fazer recordar outros tempos de jogos. O verdadeiro motivo de atração aqui são os puzzles e os diálogos bem conseguidos. O formato que os sustenta não está nada mal conseguido. 

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What Lies in the Multiverse acaba por ser bastante curto, o que pode ser algo que desencoraje os mais ávidos de puzzles. Para mim, foi aquele jogo perfeito para me distrair ao fim do dia, sem um nível demasiado exigente, bonito de ver e ouvir e que puxa razoavelmente pela cabeça. Não há grande repetibilidade do mesmo, embora haja achievements espalhados por todo o jogo. Os adeptos das platinas podem facilmente perder um ou outro troféu; ou uma conversa com alguém que não se encontra se não se explora convenientemente, ou até morrer de certa forma pode fazer perder alguns dos mesmos. É ter atenção e explorar.

Considerações finais 

What Lies in the Multiverse é uma experiência curta, mas intensa, com personagens engraçadas e cheias de vida e com diálogos bipolares que vão do super divertido ao quase mórbido. Os puzzles ambientais brilham e adicionam uma camada de dificuldade que se pretendia mais desafiante. E este aspeto pode afastar alguns jogadores. Com ambientes bem diferenciados e de beleza pixelizada imponente, vai agradar aos revivalistas dos 8 bits.

Não deixa de proporcionar umas curtas horas bem passadas, sejam amantes de ficção científica leve, com drama e humor à mistura. 

What Lies in the Multiverse mistura humor com drama, numa ótima tentativa de abordar o batido tópico da multiversidade. Curto, mas bonito e variado.


+ História e desenvolvimento das personagens
+ Variedade entre puzzles ambientais
+ Mundos pixelizados atraentes

– Botões por vezes pouco responsivos
– Bastante curto

N.R.: A análise a What Lies in the Multiverse foi realizada numa Nintendo Switch com acesso a uma cópia do jogo cedida pela Wire Tap Media.

Paulo Tavares: Professor de ocupação, jogador por diversão. Guarda religiosamente as cassetes do seu Spectrum 128k. Leva demasiado a sério a discussão de melhor Final Fantasy. 7, fim de conversa.
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