Análise Fade to Silence – Uma viagem com alguns problemas

Depois de jogos como Darksiders, a THQ Nordic traz-nos agora Fade To Silence. Produzido pelos estúdios Black Forest Games este título transporta-nos para um mundo pós-apocalíptico onde para além dos demónios que tentam dominar o planeta temos ainda que enfrentar condições climatéricas extremas e a falta de recursos… tudo isto enquanto tentamos criar um acampamento seguro o suficiente para proteger a filha do protagonista, Ash.

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Será que Fade to Silence tem o suficiente para nos fazer querer enfrentar o frio gelado?

Fade to Silence tem muito para oferecer, pois traz-nos um pouco das características de um RPG para um mundo pós-apocalíptico onde temos que nos preocupar não só com um mapa, de dimensões generosas, completamente gelado mas também com vários tipos de inimigos que por sua vez têm diferentes formas de atacar o que faz com que de inimigo para inimigo tenhamos que nos manter atentos e ter a estratégia bem estudada… acreditem que não querem morrer muita vez em Fade to Silence, mas já lá chego.

Dois modos, duas formas de jogar

Fade to Silence apresenta-se com duas formas de jogar, a primeira apresenta-nos um mundo em que os inimigos são menos e as condições climatéricas não me pareceram tão agressivas, diria até que os recursos são mais abundantes. Este mundo foi criado para aqueles que querem conhecer, e jogar, a história do novo título da THQ Nordic sem se terem que preocupar excessivamente com os inimigos à sua volta ou com o facto de poderem morrer de frio a qualquer altura. 

Na verdade o detalhe mais importante deste modo mais tranquilo (e um pouco aborrecido) é o facto de poderem morrer as vezes que quiserem sem terem que se preocupar com o facto de perder os recursos que já angariaram ou mesmo o vosso percurso no jogo. Sim, porque o segundo modo de jogo apresenta-se com algo que deixa as coisas um pouco mais… quentes.

A segunda forma de jogar, como devem imaginar, apresenta-nos um mundo mais agressivo. Aqui os recursos aparentam ser menos e os inimigos mas, o frio está lá para nos tramar e a fome também. Neste modo de jogo importa ter atenção e não nos afastarmos muito do acampamento sem ter os mantimentos necessários, até porque alguns só conseguimos produzir quando estamos num campfire.

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Como referi anteriormente, a forma mais agressiva de jogar Fade to Silence vem com um pequeno pormenor que deixa as coisas mais “interessantes”. Em qualquer um dos modos quando morremos voltamos para nossa base, e depois de ouvirmos a voz demoníaca que reside na nossa cabeça a dizer que falhamos (mais uma vez), lá temos que voltar a fazer o mesmo caminho para voltar ao ponto onde estávamos… Mas neste segundo modo ao morrermos algumas vezes temos aquilo que nenhum jogador gosta que lhe aconteça: Permadeath.

Estas morte permanente para além dos mandar de volta para a nossa base envia-nos também para o início da campanha e vamos ter que voltar a fazer a história toda de novo, embora tenhamos alguns dos atributos que fomos adquirindo de forma a tornar esta segunda caminhada mais fácil (isto segundo os criadores de Fade to Silence, lamento mas não fui corajoso o suficiente para “testar” esta permadeath). Mas já sabem, tenham em atenção o que fazem e como fazem, não vão querer morrer muita vez.

Mecanicas de combate

O combate parece bastante simples, principalmente quando jogamos com o comando da Xbox One, duas teclas para atacar (uma delas sendo um ataque especial que vai tirar stamina a Ash) uma para bloquear ataques e outra para esquivar dos golpes dos inimigos. Nada de mais.

Ao início os ataques dos inimigos parecem muito previsíveis fazendo até com que o combate se possa tornar demasiado fácil e aborrecido. Sempre os mesmos movimentos, fáceis de antecipar, o que nos faz suspirar por um pouco de ação. No entanto, à medida que vamos avançando no mapa e na narrativa de Fade to Silence os inimigos vão sendo diferentes e os movimentos passam a ser não tão previsíveis o que faz com que tenhamos que pensar duas vezes antes de nos deixarmos ser vistos pelos demónios que vagueiam pela terra.

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O primeiro dos inimigos que vão ter pela frente é um reaper, fácil de matar (principalmente depois de conseguirem construir um machado) e simples de perceber como vai atacar. Mas quanto mais exploram mais perigos encontram, desde inimigos com tamanhos surpreendentes a pequenos demónios que aparecem do nada para investir sobre Ash… quase como se viajassem à velocidade da luz.

Importa ainda referir que à medida que vamos avançando pelo mapa (fast travel é possível de acampamento para acampamento… mas nãoquerem perder os bons momentos na neve com demónios pois não?) vamos encontrar pedaços de uma espécie de raiz que a criatura que está a “poluir” este mundo deixa para trás, quase como forma de se alimentar da natureza à sua volta. Estas raízes são simples de destruir mas para isso temos que sacrificar alguma da nossa vida, pensem bem nisto antes de gastarem vida numa altura em que estão longe do acampamento e com temperaturas negativas a rodear o vosso corpo.

Recursos e craft

A medida que vamos explorando o mapa de Fade to Silence vamos também encontrando NPCs com os quais podemos interagir, e até convidar para o nosso acampamento caso a personagem em questão tenha características que nos agradem, a escolha será sempre nossa. Estas interações são bastante importantes pois ajudam-nos a criar laços com personagens que ao juntarem-se ao nosso acampamento acabam por ter um papel bastante importante, não estão lá apenas para fazer número.

Quanto mais população tiver o acampamento mais recursos vamos ter e mais pessoas temos para ajudar a criar as infraestruturas necessárias para vida no acampamento ou mesmo para a proteção do local onde vivemos. Nós, na pele de Ash, como líderes do acampamento podemos dar ordens aos NPCs para que estes ajudem na construção de um edifício ou saiam do acampamento para recolher recursos como madeira ou mesmo alimentos, seja através de plantas ou da prática de caça.

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A recolha de recursos é bastante importante, pois só com estes recursos é que podemos criar o que precisamos para sobreviver. Desde poções para dar saúde, alimentos, arcos e flechas ou mesmo machados (estes são uma ótima arma e ainda servem para cortar madeira), tudo é criado com os recursos que vamos encontrando durante as nossas sessões de jogo. É importante perceber o que importa guardar e o que é dispensável ou até mesmo que materiais precisamos de criar e quando criar.

Os diferentes inimigos e as diferentes formas de abordar as situações, os NPCs usados como força laboral e aliados, a procura de recursos e a criação de material fazem com que Fade to Silence não seja apenas um RPG de sobrevivência mas também um jogo de estratégia em que cada passo, cada decisão, conta.

Algo que não bate certo

Fade to Silence está em early access (acesso antecipado) na loja Steam desde dezembro de 2017 e mesmo assim acaba por ter situações que não devem acontecer num jogo que está prestes a ter uma versão final lançada depois de quase ano e meio em acesso antecipado.

Não vou pegar sequer na falta de emoção presente nas personagens durante as cutscenes, onde falam como se fossem robôs e a expressão facial é quase nula. Durante estes momentos entre partes jogáveis, o que mais me espantou foi mesmo algumas situações em que a conversa entre Ash e alguns dos NPCs envolve uma troca de objetos… aqui de facto o NPC faz todos os movimentos de quem vai dar algo a Ash, e Ash agradece dando algo em troca mas na verdade não há nada nas mãos. As personagens estão a dar nada uns aos outros, mas pelo menos ficam felizes e com o objeto no inventário, menos mau.

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Durante o gameplay encontramos (digo encontramos porque o jogo tem um modo de Co-Op onde podemos convidar amigos que tenham também o título da THQ Nordic) ainda situações em que a nossa personagem passa por NPC’s como se estes não estivessem lá ou ainda objetos em que apenas vimos os seus contornos, talvez por se encontrarem debaixo de neve mas não deixa de ser estranho. Numa outra situação, um NPC que nos seguia ficou “enterrado” em neve e apenas era possível ver os tais contornos e ainda um dos seres demoníacos que depois de morto ficou em pé como se de uma estátua se tratasse.

São pequenas situações que embora não prejudiquem o avançar da narrativa acabam por estragar a experiência aos jogadores, principalmente quando sabemos que o jogo já está disponível para ser jogado (em early access) desde o fim de 2017.

Considerações finais

Fade to Silence é um jogo bastante promissor. Com um mundo diferente daqueles a que estamos habituados em cenários pós-apocalípticos, e com um gameplay que junta o melhor dos jogos de exploração e sobrevivência com táticas mais presentes em jogos de estratégia, acaba por ser uma lufada de ar fresco (gelado até) dentro do género.

No entanto acaba por ter algumas falhas que fazem com que a experiência de jogo seja prejudicada e até mesmo com que o jogador acabe por perder um interesse em explorar o mapa gelado de Fade to Silence.

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Importa referir que a análise foi feita durante o período de early access e que com o lançamento do jogo algumas destas questões podem ser solucionadas em atualizações futuras. Espero que sejam pois Fade to Silence tem muito para oferecer… principalmente pelo facto de nos deixar explorar um mundo nunca antes explorado na companhia de outro jogador.

Fade to Silence fica hoje, dia 30 de abril, disponível para PlayStation 4, Xbox One e Windows PC.

 

N.R.: A análise a Fade to Silence foi realizada num Lenovo Legion Y720 através de uma chave, para a versão early access do título, gentilmente cedida pela THQ Nordic.

Fade to Silence
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Mapa de dimensões generosas
Mundo diferente daqueles a que estamos habituados
Junção de características de exploração com estratégia
Obriga o jogador a pensar
Alguns bugs que não fazem sentido num jogo com ano e meio de Early Access
Cutscenes com animações muito pobres
7
EM 10
André Oliveira Santos: Licenciado em comunicação, a trabalhar em fotografia. Sempre tive um gosto especial e uma grande paixão por gadgets, videojogos e novas tecnologias no geral.
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