Análise Two Point Hospital

O grande sucesso da série “Theme” – (Theme Park, Theme Hospital ou Theme Aquarium), produzido pela lendária Bullfrog Productions, originou não só um novo estilo de jogos de simulação com temas humorísticos dentro de propostas reais (por exemplo: gerir um hospital com doenças imaginárias e cómicas), como também teve uma grande importância na abertura de portas do género de simulação às consolas, nomeadamente num período em que jogos de simulação só corriam praticamente em computadores.

O sucesso da série “Theme” foi de tal forma impressionante que ainda hoje muitos jogadores ainda consideram alguns desses títulos os melhores jogos dentro do género simulação/gestão, nomeadamente pela simplicidade e diversão que ofereciam. A autenticidade ficcional misturada com elementos que por vezes apareciam durante as partidas, elevavam de tal forma a hipérbole que tornavam viciante e, ao mesmo tempo, deveras hilariante.

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Talvez por causa da genuína nostalgia dos jogadores que jogaram esses títulos naquele período específico, e numa tentativa de captar a atenção dos novos jogadores que, entretanto, foram crescendo ou que simplesmente começaram a olhar mais recentemente para o mercado dos videojogos que Two Point Hospital surja presentemente no mercado não só numa perspetiva de sucessor espiritual de Theme  Hospital, mas também para relançar e replicar a experiência que os títulos “Theme” ofereceram no passado.

 

O justo sucessor espiritual de Theme Hospital

Tal como já foi referido, Two Point Hospital é um claro sucessor espiritual de Theme Hospital, com visuais melhorados, com interface adaptada aos tempos atuais, com jogabilidade sublime e com novas sugestões e atividades disponíveis. A ideia base passa principalmente por gerir um ou vários hospitais, com todas as suas necessidades, sob o passo traçado do calendário mensal. Cada hospital possui vários objetivos propostos durante o período de exercício e conforme esses objetivos vão sendo concluídos um novo hospital será desbloqueado. Cada hospital tem características específicas, o que levará a que a estratégia a ser utilizada nunca seja igual.

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Em cada hospital será necessário construir várias especialidades, oferecer vários serviços e contratar: médicos, enfermeiros e assistentes. Cada funcionário terá características próprias, logo será necessário também selecionar, avaliar e escolher da melhor forma onde é que cada perfil se encaixará melhor. Para além disso, cada funcionário possui também uma personalidade diferente, o que influenciará imenso com o desenrolar do tempo a estrutura do hospital. Na pior das hipóteses, a opção passa especialmente por formar e especializar cada funcionário e aí, a versatilidade de cada um aumenta naturalmente.

Gerir bem as contas para não ir tudo por água abaixo

Curar é fundamental, mas a administração das contas a curto e a longo prazo poderá afundar por completo todo o tempo investido na saúde física e até mental. Logo, a estratégia de cada jogador determinará o sucesso de cada partida em curso. A forma como se vai lidando com os problemas que vão aparecendo será fundamental, assim como saber lidar com despesas de rendas, promoções de cargos, subidas de ordenados, emergências específicas e excessos de afluências às instalações, ou ainda avarias e atualizações aos equipamentos. E por último, mas não menos importante, a gestão do espaço e a forte aposta em expansão, limpeza e extermínio imediato de fantasmas. Sim, fantasmas.

Two Point Hospital tem uma forte componente humorística que acompanha a jornada estratégica. Por vezes aparecem doentes que sofrem de doenças absolutamente mirabolantes, que nos obriga a investir em investigação e obviamente em equipamentos atualizados e em departamentos de cura específica. Mas nem tudo são rosas, as visitas regulares do avaliador vão fazendo com que a pressão aumente e a dificuldade vá aumentando e conforme os objetivos que o jogador opte por realizar.

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As avaliações ao hospital vão sendo periódicas e os objetivos propostos também vão sendo distribuídos durante o decorrer do calendário. A conclusão de cada conjunto oferece uma estrela de cada vez, que são um total de três. Após a conclusão das três estrelas, os objetivos estipulados ficam completos. Para se alcançar estes objetivos, tanto pode ser curar doentes, dar formação a um determinado número de funcionários contratados, criar um departamento específico ou, por exemplo, desenvolver uma pesquisa.

A versão de consola não fica a dever nada à versão de computador

A experiência de Two Point Hospital com o comando e consola é excelente. Ao contrário do que geralmente acontece com a maioria dos jogos de simulação, manipular, construir e gerir um espaço com o comando é simples e prático. A navegação entre os menus é simples, a interface é acessível, a construção e a manipulação de objetos é clara. Para facilitar ainda mais, existe a opção de copiar um departamento e colocar simplesmente ao lado, ou noutra divisão qualquer, o que evita a construção de um novo departamento igual aos já existentes, o que torna em momentos de maior fluxo tudo mais prático.

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Visualmente Two Point Hospital é magnífico. As animações dos doentes a realizarem exames ou a movimentarem-se pelas várias atividades existentes nos hospitais são ricas e variadas. Para contribuir ainda mais para todo este envolvimento, o som que vai acompanhando a experiência também é muito bom e há melodias variadas, o que para um jogo destinado a várias horas, é brilhante. Porém, tratando-se de uma versão de consola, e obviamente sendo uma versão limitada ao poderio de processamento da máquina, há alguns ecrãs de carregamento ligeiramente demorados, e por vezes algumas quebras de fluidez durante as sessões, com alguns segundos de paralisação. Todavia, estas ocorrências não são alarmantes e não prejudicam a experiência, mas infelizmente não passam despercebidas quando surgem.

Considerações finais

Two Point Hospital é sem dúvida o sucessor digno do saudoso Theme Hospital. O trabalho realizado pela Two Point Studios é sensacional, especialmente pela forma como conseguiram tornar a interface e a acessibilidade, ao ponto da versão consola não ficar a dever praticamente nada a versão original para computadores.

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Quanto ao jogo em si, é formidável para quem gosta de administrar e tire prazer com simuladores. As possibilidades são vastas e há muito por onde estudar as várias estratégias para se sair bem-sucedido dos vários hospitais. Two Point Hospital tem também uma longevidade absurdamente longa e ainda possui vários objectivos para quem não gosta de virar as costas a verdadeiros desafios.

N.R.: A análise a Two Point Hospital foi realizada numa Playstation 4 com acesso a uma cópia do jogo, gentilmente disponibilizada pela Ecoplay

Two Point Hospital
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Interface, jogabilidade e acessibilidade
Estratégia por vezes em períodos apocalípticos
Dotado de uma longevidade incrível
Divertido e viciante
Algumas quebras de desempenho durante as sessões
4
Tiago Marafona: Um autêntico fã de RPGs japoneses e um belo apreciador de jogos de plataformas. Nunca diz não aos clássicos Super Mario, The Legend of Zelda e Final Fantasy. É também um acérrimo admirador do trabalho do Ryu Ga Gotoku e da Monolith Soft.
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