Depois de mais de 20 anos afastada dos videojogos, a série Onimusha está finalmente de volta. Onimusha: Way of the Sword recupera a fórmula que tornou a série conhecida, mas apresenta-a com gráficos modernos, um novo protagonista e um sistema de combate pensado para os jogadores atuais. Joguei os principais jogos da série de 2001 a 2006 (na altura produziam-se jogos em tempo recorde) em que foram feitos cinco títulos, entre principais e spin off’s, mas que marcou claramente uma geração, principalmente na PS2. A jogabilidade seguia muito a linha dos Resident Evil originais, uma constante em vários jogos da Capcom da altura. Agora a produtora japonesa está de novo em clara ascensão, com vários lançamentos novos e algumas remasterizações extremamente positivas nas críticas e Onimusha claramente foi outra aposta certa no seu catálogo.
A aventura coloca-nos no papel de Miyamoto Musashi, uma versão ficcional do famoso samurai japonês. A história leva-nos até uma Kyoto dominada pelo caos e por criaturas demoníacas conhecidas como Genma. Pelo caminho, Musashi vai enfrentar inimigos cada vez mais perigosos, conhecer novas personagens e descobrir os segredos por detrás desta ameaça. O resultado é um jogo de ação bastante sólido, com uma boa história, personagens interessantes, excelentes cinemáticas e um sistema de combate que, apesar de algumas limitações, funciona muito bem. Na Nintendo Switch 2, a versão testada, a experiência também surpreende pela positiva, principalmente tendo em conta o tipo de jogo que estamos a falar.
Musashi é um protagonista com personalidade
Uma das melhores coisas de Way of the Sword é o próprio Musashi. A personagem não é apenas um samurai que passa o jogo inteiro a lutar contra demónios. Tem personalidade, sentido de humor e alguns diálogos bastante divertidos. Esta característica ajuda a tornar a aventura mais agradável e mesmo quando a história entra em momentos mais sérios, existem situações em que Musashi consegue aliviar o ambiente com uma piada ou uma reação inesperada. As restantes personagens também ajudam a dar vida ao jogo e o elenco é variado, existindo algumas figuras bastante engraçadas, que acabam por criar uma boa ligação com o protagonista. Nem todas têm a mesma importância, mas, no geral, funcionam bem e ajudam a tornar a história mais interessante.
É uma boa decisão da Capcom, porque evita que a aventura seja demasiado pesada já quetemos violência, demónios e momentos bastante dramáticos, mas também temos espaço para humor e momentos mais descontraídos.




Uma história que cumpre
A história mistura acontecimentos inspirados no Japão feudal com fantasia e elementos sobrenaturais. Estamos em Kyoto e é uma cidade em perigo, enquanto os Genma vão aparecendo e tornando a situação cada vez mais complicada. Não estamos perante uma narrativa demasiado complexa, mas também não precisa de o ser. A história é fácil de acompanhar e consegue manter o interesse durante a maior parte da aventura por muita “culpa” do tipo de personagens que temos e à medida que avançamos, vamos conhecendo melhor as personagens e percebendo o que está realmente a acontecer. Existem alguns momentos em que o ritmo baixa demasiado, mas são situações pontuais.
O grande destaque vai para as cinemáticas. A Capcom fez um excelente trabalho nesta área, com sequências muito bem realizadas e com bastante detalhe. As personagens têm boas expressões faciais e os momentos mais importantes da história são apresentados de forma bastante cinematográfica e espetacularidade.
Um combate bom, mas mais lento
O combate é, sem dúvida, uma das partes mais importantes de Onimusha: Way of the Sword. E, felizmente, é também uma das suas maiores qualidades, no entanto, é importante deixar uma coisa clara: o combate é bastante bom, mas em minha opinião é lento. Quem estiver habituado a jogos de ação muito rápidos pode estranhar os primeiros momentos.
Musashi não se movimenta pelo campo de batalha a uma velocidade absurda e os ataques têm algum peso sendo preciso pensar antes de agir. Não basta carregar constantemente no botão de ataque, é necessário observar os inimigos, perceber os seus movimentos e esperar pelo momento certo para atacar. A defesa e o parry têm um papel muito importante e podem mudar completamente o resultado de um combate. Quando conseguimos defender um ataque no momento certo, temos uma oportunidade para contra-atacar. É uma mecânica simples, mas muito satisfatória quando começamos a dominá-la, bem como todos os movimentos que advêm da nossa defesa e esquiva.
O problema é que esta velocidade mais baixa também pode tornar alguns combates um pouco repetitivos. Alguns inimigos utilizam os mesmos padrões várias vezes e, depois de algumas horas, começamos a perceber facilmente o que vão fazer. Mesmo assim, os sistemas funcionam e torna-se cada vez mais interessante à medida que desbloqueamos novas habilidades e aprendemos a utilizar melhor as capacidades de Musashi, algo que só acontece ao aplicar as almas que absorvemos com a nossa Oni Gauntlet, bem como outros itens que vamos angariando.
Os bosses são um verdadeiro teste
Se há uma área onde o combate funciona particularmente bem, é nos confrontos contra os bosses. Estas batalhas obrigam-nos a prestar atenção aos movimentos dos adversários e estes têm ataques diferentes sendo necessário perceber os seus padrões para encontrar oportunidades de ataque. É aqui que o jogo começa realmente a exigir mais de nós.
A dificuldade aumenta ao longo da aventura e, principalmente na parte final, existem combates bastante mais exigentes e alguns bosses podem obrigar-nos a tentar várias vezes antes de percebermos exatamente o que devemos fazer. Pode ser frustrante em alguns momentos, mas também é bastante recompensador, mas quando finalmente derrotamos um inimigo que nos estava a dar problemas, sentimos que conseguimos porque aprendemos a jogar melhor. Nunca senti que a luta estava a ser desleal, sempre consegui perceber que mais uma tentativa poderia vencer o combate. Essa sensação é uma das melhores coisas que Way of the Sword oferece.
Bom grafismo na Nintendo Switch 2
Visualmente, Onimusha: Way of the Sword é um jogo bastante interessante na Nintendo Switch 2. É verdade que a versão da consola da Nintendo não consegue apresentar exatamente a mesma qualidade gráfica das versões para PlayStation 5, Xbox Series X/S ou PC. Existem algumas diferenças na resolução e no nível de detalhe, principalmente quando comparamos diretamente as versões, mas isso não significa que o jogo tenha mau aspeto na Switch 2, muito pelo contrário. O grafismo é muito competente e não compromete a experiência.
Os cenários têm bastante detalhe, as personagens estão bem construídas e os efeitos das batalhas ajudam a criar uma experiência visualmente espetacular. Para uma consola que também pode ser utilizada em modo portátil, o resultado é bastante positivo. Peca por vezes em algumas texturas, principalmente nos cenários, mas longe der o pior que já vimos, é um port totalmente digno de ser jogado e apreciado.
A Capcom disponibiliza ainda duas opções de desempenho. Podemos jogar a 30 fps, com uma experiência mais estável, ou escolher o modo Uncapped, onde os fps estão desbloqueados. A escolha depende do gosto de cada jogador. Os 30 fps oferecem maior estabilidade, enquanto o modo Uncapped permite uma experiência potencialmente mais fluida. É bom ter esta opção, sobretudo num jogo em que a precisão durante os combates é importante.
Um jogo que sabe divertir
Apesar de ser uma aventura marcada por combates e momentos mais sérios, Way of the Sword também sabe divertir. O humor de Musashi é importante para isso, assim como algumas das personagens secundárias. Existem momentos mais leves que ajudam a equilibrar a violência e a tensão da aventura como conteúdos adicionais para quem quiser passar mais tempo com o jogo, incluindo desafios e outros elementos opcionais. A exploração, por outro lado, não é o principal objetivo. Não estamos perante um enorme mundo aberto cheio de missões secundárias e atividades. Kyoto é uma vila que tem os seus problemas e podemos ajudar a população dessa maneira, com objetivos secundários que honestamente só nos dão materiais para melhorar o nosso equipamento.
A experiência é mais direta e concentrada na história e nos combates e isso acaba por funcionar. O jogo sabe aquilo que quer ser e não tenta colocar conteúdo apenas para aumentar artificialmente a duração.
Considerações finais
Onimusha: Way of the Sword é um excelente regresso para uma série que esteve demasiado tempo afastada. Para mim não é um jogo perfeito, mas por coisas que podiam ser mais à minha imagem e não como erros que foram feitos na sua produção. O combate podia ser mais rápido e alguns inimigos tornam-se repetitivos, mas os pontos positivos acabam por falar mais alto.
Temos uma boa história, um protagonista carismático e divertido, personagens interessantes, cinemáticas excelentes, bons gráficos e um sistema de combate que, apesar de lento, funciona muito bem. A dificuldade também merece destaque já que o jogo vai aumentando a exigência de forma gradual e chega à parte final com alguns combates bastante difíceis, obrigando-nos a dominar verdadeiramente as mecânicas. Na Nintendo Switch 2, Onimusha: Way of the Sword é uma excelente opção para quem procura um jogo de ação com uma boa campanha e uma forte componente de combate. Não é a versão tecnicamente mais poderosa do jogo, mas a Capcom fez um trabalho competente e conseguiu manter uma experiência visualmente agradável.
No final, fica a sensação de que Onimusha voltou para ficar e depois de uma espera tão longa, é difícil pedir muito mais do que isso.


