Ghost of Yōtei continua a receber conteúdo e, com a chegada da Complete Edition, trouxe-nos também um dlc com muitas novidades, ao estilo do que a Sucker Punch fez com Ghost of Tsushima.
Com Echoes of Sekigahara (a nova história) e o novo modo Most Wanted, a Sucker Punch encontrou uma boa forma de prolongar a experiência de Atsu. A expansão narrativa, o novo modo de combate e os vários conteúdos acrescentados através das atualizações tornam esta versão do jogo mais completa, sem alterar aquilo que tornou a aventura original tão especial. O mais interessante é que a Sucker Punch não tentou reinventar Ghost of Yōtei. A fórmula mantém-se praticamente intacta, mas foi enriquecida com uma nova história, uma nova região, novas recompensas e uma experiência de combate pensada para quem procura um desafio diferente depois de terminar a campanha.
E, mesmo depois de tantas horas passadas em Ezo, há algo que continua a impressionar imediatamente: o jogo continua visualmente fora de série. Aqui não vamos falar sobre o jogo base, mas se quiserem saber a nossa opinião, podem ler a nossa análise.
UM VISLUMBRE DO PASSADO DE ATSU
Echoes of Sekigahara é essencialmente uma expansão narrativa que procura aprofundar a história de Atsu. A aventura leva-nos ao passado da protagonista e permite conhecer melhor alguns dos acontecimentos que ajudaram a definir a personagem que acompanhámos na campanha principal. A narrativa funciona precisamente porque não se limita a acrescentar mais algumas missões ao mapa. Existe uma preocupação esse passado e em mostrar acontecimentos que ajudam a compreender melhor as suas motivações, relações e a forma como chegou ao momento em que a conhecemos.
A história alterna entre o presente e acontecimentos do passado da protagonista, levando-nos até à Batalha de Sekigahara enquanto no presente, Nagato (um companheiro e amigo de Atsu no exército) assume um papel importante nesta nova história, enquanto os Vipers, um grupo de caçadores furtivos, controlam Ashoro Foothills, o novo palco desta aventura. Há outros enlaces à mistura, como ligações ao clã Saito do jogo original.
É, portanto, uma boa continuação da história de Atsu. Não estamos perante uma aventura completamente desligada do jogo original, mas sim perante uma extensão natural daquilo que já conhecemos.
MAIS GHOST OF YŌTEI
A nova região é suficientemente interessante para justificar a viagem, mas também deixa clara uma das principais características desta expansão: Echoes of Sekigahara não pretende mudar radicalmente a estrutura de Ghost of Yōtei. As missões, a exploração e os diferentes tipos de atividades continuam muito próximos do que encontramos no jogo principal. Quem já passou dezenas de horas em Ezo vai reconhecer imediatamente a estrutura da nova zona, desde a forma como exploramos o território até aos desafios e atividades secundárias que encontramos pelo caminho.
Na prática, Echoes of Sekigahara é mais Ghost of Yōtei. E isso, para quem gostou do jogo original, está longe de ser uma coisa negativa.
EZO CONTINUA DESLUMBRANTE
Visualmente, a experiência continua impressionante. Ghost of Yōtei já era um dos jogos mais bonitos da PS5 e esta expansão mantém o mesmo nível de qualidade, apresentando paisagens que continuam a ser uma das principais razões para simplesmente parar e apreciar o mundo à nossa volta. As montanhas, florestas, rios, campos e aldeias continuam a apresentar um enorme cuidado artístico. A iluminação, as condições atmosféricas e a forma como o ambiente muda ao longo da exploração fazem com que a região pareça constantemente viva.
A nova zona também não destoa do resto do mapa. Existe uma clara preocupação em fazer com que esta área pareça pertencer ao mesmo mundo, mantendo a identidade visual que tornou Ghost of Yōtei tão marcante. Ao início, a zona está batida, lúgubre e nada convidativa aos seus habitantes, mas assim que vamos cumprindo objetivos e missões secundárias, o mundo fica mais colorido, viçoso e deslumbrante.
O COMBATE CONTINUA A SER UM DOS GRANDES TRUNFOS
A Sucker Punch também não mexeu demasiado numa das melhores componentes do jogo: o combate. As diferentes armas, técnicas e possibilidades de abordagem continuam a oferecer bastante liberdade, enquanto as novas recompensas introduzidas pela expansão dão mais razões para experimentar diferentes configurações.
Echoes of Sekigahara acrescenta novas armaduras, equipamentos e outros elementos que permitem personalizar Atsu, mas a grande novidade neste campo surge sobretudo através do Most Wanted.
É aqui que a experiência muda significativamente, mas não escondo que, ao fim de um ano sem jogar a Ghost of Yōtei, foi complicado reaprender todos os golpes e combinações de botões que precisamos de usar em alturas mais complicadas.





MOST WANTED É OUTRA OPÇÃO
Most Wanted funciona como uma espécie de rogue like dentro de Ghost of Yōtei. Em vez de seguirmos uma campanha tradicional, somos colocados perante uma sucessão de combates e desafios que vão aumentando de dificuldade até ao confronto com um dos membros dos Yōtei Six. A grande diferença está na forma como evoluímos durante cada tentativa. À medida que avançamos, vamos conquistando diferentes habilidades e vantagens de combate que podem alterar a forma como enfrentamos os inimigos.
Uma tentativa pode levar-nos a apostar numa determinada arma, enquanto outra pode incentivar uma abordagem mais agressiva ou defensiva. O objetivo passa por construir uma combinação de habilidades suficientemente forte para conseguirmos chegar ao final da caçada. Esta estrutura funciona particularmente bem porque aproveita uma das melhores características de Ghost of Yōtei: o seu sistema de combate. Ao sermos constantemente colocados perante grupos de inimigos e desafios diferentes, somos obrigados a experimentar técnicas e combinações que talvez não utilizássemos com tanta frequência durante a campanha.
Outro ponto positivo é a progressão. As recompensas obtidas em Most Wanted podem ser utilizadas para desbloquear novas opções, equipamentos e cosméticos, dando um objetivo adicional aos combates. É precisamente por isso que a estrutura rogue like funciona tão bem. Cada tentativa pode ser diferente e a progressão incentiva-nos a experimentar novas possibilidades. Não existe a sensação de estarmos simplesmente a repetir as mesmas missões do jogo principal, apesar de muitos dos elementos de combate serem familiares.
AS ARMADURAS QUE CELEBRAM A PLAYSTATION
Uma das surpresas mais interessantes deste novo conteúdo está nas novas armaduras e visuais. Para além dos equipamentos relacionados diretamente com Echoes of Sekigahara e Most Wanted, a Sucker Punch introduziu como recompensa quatro conjuntos inspirados em alguns dos jogos mais reconhecidos da PlayStation. Atsu pode agora utilizar visuais inspirados em Journey, Helldivers, Astro Bot e The Last of Us. Estes conteúdos são desbloqueados através de Most Wanted e, depois de conquistados, podem ser utilizados também fora deste modo, incluindo na aventura principal.
A armadura inspirada em Journey é provavelmente uma das que melhor se adapta ao universo de Ghost of Yōtei. O visual foi reinterpretado para encaixar no estilo de Atsu, mantendo a identidade do jogo da thatgamecompany sem parecer completamente deslocado do Japão feudal.
A referência a Helldivers segue uma direção bastante diferente. O equipamento militar dos Helldivers é facilmente reconhecível, mas foi adaptado ao universo de Ghost of Yōtei, criando um contraste curioso entre a estética futurista da série e o período histórico representado no jogo. Já Astro Bot aposta numa abordagem mais colorida e descontraída, funcionando quase como uma celebração da própria identidade da PlayStation. É um daqueles conteúdos que não precisa de qualquer explicação para os fãs reconhecerem imediatamente a referência.
Por fim, temos The Last of Us, através de um visual inspirado nos Clickers. É provavelmente a referência mais estranha quando pensamos no universo de Ghost of Yōtei, mas precisamente por isso acaba por ser uma das mais divertidas. A Sucker Punch conseguiu transformar elementos de uma série pós-apocalíptica num conjunto que pode ser utilizado por Atsu sem quebrar completamente a identidade visual do jogo.
CONSIDERAÇÕES FINAIS
Echoes of Sekigahara e Most Wanted não procuram reinventar Ghost of Yōtei. Fazem algo mais simples e, talvez por isso, mais eficaz: dão-nos novas razões para voltar a um mundo que continua extraordinário. A história é boa, as paisagens continuam impressionantes, o combate mantém a qualidade e Most Wanted acrescenta finalmente uma experiência mais focada na ação e na repetição. Não é uma expansão perfeita, mas é uma excelente extensão de um dos melhores jogos de ação e aventura disponíveis na PlayStation 5.


