Boris Raguza, Bruno e Ricardo Cesteiro. Um é considerado um feiticeiro gráfico, capaz de pôr a nossa cara num porco foto-realista, o outro é o especialista em tudo o que é tech e claro temos que meter na equação o cérebro por detrás das histórias criadas… tudo somado temos o estúdio português Camel 101, responsáveis por Those Who Remain, um título de terror psicológico que nos leva a mergulhar na intensa cidade de Dormont. 

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De certeza que todos aqui já nos assustamos com algo, já suspiramos de alívio e quase de certeza que já todos demos por nós a pensar – “Mas será que é esta a decisão correta? Será que é melhor fazer ao contrário?”. Em Those Who Remain vamos sentir tudo isto, elevado à potência, enquanto tentamos resolver cada um dos puzzles e evitamos a escuridão. 

Em Those Who Remain a escuridão mata e a luz pode-nos levar a questionar as nossas decisões do passado, mas será que o título do estúdio Camel 101 tem futuro? 

Those Who Remain apresenta-se com um ambiente escuro, pesado onde tudo contribui para nos “arrastar” para dentro da cidade de Dormont. Aqui somos colocados na pele de um homem que, para além de ter alguns segredos, não consegue viver em paz com o seu passado por erros que acredita ter cometido.

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Numa noite que parecia ser a última, somos puxados para uma jornada onde temos que descobrir o porque da nossa cidade estar submersa naquilo que parece uma noite sem fim, onde a população parece agora estar transformada em criaturas com forma humana que nos matarão sem dó nem piedade assim que pisarmos a escuridão.

Agora, antes de nos desculparmos (ou, quem sabe, culparmos) por erros cometidos, é a nossa vez de julgar os erros dos outros. 

Um puzzle de luz e decisões

As mecânicas de Those Who Remain são simples, podemos andar, correr, abrir portas e gavetas, mover certos objetos e ligar e desligar luzes (fica a dica: não desliguem). Abrir portas e gavetas, bem como mover objetos é bastante importante, pois teremos pistas importantes para descobrir ou até itens que nos ajudarão a progredir no nível onde nos encontramos. Mas, como devem imaginar, a mecânica mais importante é o ligar e desligar luzes, pois é através desta mecânica que conseguimos evitar as criaturas sombrias que nos querem matar, pois as mesmas só habitam na escuridão. 

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Cada um dos níveis vai levar-nos às diferentes localizações da cidade de Dormont, onde o principal objetivo é conseguir ultrapassar esse edifício sem acabar engolido pela escuridão. Para o fazer teremos como fator-chave a exploração dos níveis, abrir cada porta, cada gaveta e mover cada caixa em busca daquele objeto que nos falta para ligar uma luz ou mexer uma estatueta.

Durante o nosso percurso em cada um dos níveis, que atuam como puzzle, vamos ainda ter que descobrir algumas pistas em forma de jornal, carta ou até fotografia. Estas pistas ajudam a perceber um pouco mais da história e daquilo que se está a passar naquela que é agora a nossa cidade (acreditem, ao entrarem no jogo vão-se sentir transportados para a cidade Americana de Dormont). Cada um dos níveis levar-nos-à a duas dimensões, duas realidades que acabam por se complementar, isto porque na realidade a que podemos chamar de alternativa vamos encontrar objetos e pistas que podemos transportar connosco para a nossa realidade e assim dar continuidade à aventura.

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Durante quase todo o jogo vamos ter decisões para tomar, decisões que fazem de nós “juízes de moral”. Com as pistas e informações que fomos recolhendo ao longo de cada nível vamos ter que decidir entre justo e pecador, entre o bem e o mal. Mas, mais uma vez, será que tomamos as decisões corretas? Those Who Remain vai-nos deixar sempre na dúvida, mesmo depois de terminar a história vamos ficar a pensar “e se tivéssemos escolhido daquela forma?”. Não se preocupem, podem sempre voltar a jogar e fazer escolhas diferentes, em busca de um dos três possíveis finais. 

A forma como nos movimentamos, como abrimos portas ou até como mexemos objetos dá a Those Who Remain aquela sensação de jogo desenvolvido para realidade virtual, quem sabe não é este o plano do estúdio Camel 101 – Transportar-nos ainda mais para dentro de uma história que pode ser a causa de algumas noites mal dormidas, ou pelo menos de candeeiro ligado. 

Importa ainda referir que a qualidade do voice acting durante o decorrer do jogo apresenta-se com boa qualidade, tanto da personagem principal (ao ouvir os seus rápidos monólogos e pensamentos) como das que vamos encontrando pelo caminho.

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No decorrer da história vamos ainda conhecer outras criaturas, umas mais amigáveis que outras é claro, mas todas elas com uma ligação muito forte com o desenrolar da história. Uma dessas criaturas é um monstro que no lugar da cabeça tem uma luz forte. Este monstro não tem medo da luz e persegue-nos durante quase todo o jogo… por vezes até na realidade a que chamamos de alternativa. Aqui seria importante ter a possibilidade de nos agacharmos na parte de trás de um carro, por exemplo, mas isso não acontece, acabando por levar a algumas situações em que andamos a brincar ao jogo do gato e do rato com este monstro que tem como missão atormentar-nos durante as cerca de 8 hora de gameplay.

Considerações Finais

Those Who Remain é uma aventura forte, carregada de sentimentos e com uma narrativa que é capaz de nos fazer esquecer tudo o que está à nossa volta. É um jogo para os amantes de terror psicológico, mas também um jogo para os amantes de histórias bem contadas… no fundo, acaba por ser um jogo para os amantes de jogos. Mas claro, se forem “assustadiços” preparem-se para umas noites mal dormidas. 

Dependendo da velocidade com que passam cada um dos níveis, que por sua vez estão muito bem construídos, o jogo pode levar entre 6 a 9 horas a ser concluído mas, não se assustem, porque se acham pouco podem sempre voltar a jogar. Como já referimos anteriormente existem 3 finais distintos, sempre influenciados pelas decisões que vão tomando ao longo do jogo.

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Ao longo da nossa aventura em Those Who Remain fomos encontrando alguns bugs e alturas em que existiam pequenas quebras de frame rate. Nada disto foi forte o suficiente para estragar a experiência e, em contacto com o estúdio, ficamos a saber que existe um patch a ser lançado nos próximos dias para resolver estas pequenas situações. 

Those Who Remain já se encontra disponível para Xbox One, PlayStation 4 e Windows PC. Será ainda lançado no decorrer do ano para Nintendo Switch. 

nota 4

Clica na imagem para mais informação sobre as nossas classificações

+ Níveis muito bem construídos onde existe sensação de progresso

+ Ambiente sonoro capaz de nos transportar para o mundo do jogo 

+ Arte gráfica impressionante

+ Narrativa forte e capaz de prender qualquer jogador

– Impossibilidade de fazer movimentos como “agachar” para nos escondermos de certos inimigos 

– Por vezes pode ser complicado chegar interagir com certos objetos

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N.R.: A análise a Those Who Remain foi realizada numa Xbox One X com acesso a uma cópia do jogo, gentilmente cedida pela Heaven Media.

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