Fanatec GT DD Pro

Fanatec GT DD PRO – Análise

O Fanatec GT DD Pro tornou-se uma extensão do meu corpo.

Sempre fui um entusiasta de simuladores de condução, de jogos de rali mesmo que mais arcade. A minha primeira entrada a sério foi com SEGA Rally, na Saturn. Mas a tecnologia evolui e com ela, para além de jogos mais realistas, apareceram periféricos de topo para nos fazer sentir estes simuladores na ponta dos dedos.

Depois de um Logitech G29 tenho agora nas mãos um Fanatec GT DD Pro. O volante, feito em parceria com a Polyphony Digital a pensar em Gran Turismo 7, usa o motor CSL DD da Fanatec e promete trazer o Direct Drive até às massas. Mas o que é o Direct Drive? E compensa a diferença de preço? O modelo mais barato deste Fanatec GT DD Pro custa 699,99€.

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A primeira coisa que tenho que referir é o facto do volante (o aro) ter sido desenhado em conjunto com a Polyphony Digital para se tornar o volante ”oficial” do Gran Turismo, algo que esteve nas mãos de outras marcas até agora. Mas o melhor não é o selo de oficial, o melhor deste volante são pequenos pormenores que fazem toda a diferença no dia a dia em pista.

Para além de todos os botões que estão habituados a usar num DualSense, e de conseguirem fazer tudo o que fazem no comando o Fanatec GT DD Pro traz ainda uma pequena diferença e algumas adições importantes. A diferença é encontrada no D-Pad, que no caso do volante não existe e é substituído por um botão semelhante a um analógico com 5 direções, algo que assenta muito melhor no design de um volante que um D-Pad… fica mais natural.

Mas, na verdade, o ponto alto do volante, e dos comandos presentes no mesmo, está na adição de 4 botões coloridos, dois no topo esquerdo e dois no topo direito, que servem para controlar cararcteristicas especificas em corrida. Por exemplo, o botão verde vai controlar o modo de motor, que é alterado com alguma frequencia durante as corridas para poupar combustivel ou para atacar uma volta de forma mais agressiva. Já o botão azul vai controlar a quantidade de controlo de tração que usam, algo que também pode ser usado durante a corrida tendo em conta as mudanças no asfalto, por exemplo, devido às condições meteorológicas.

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E porque é que isto é tão importante? Porque se com o comando, ou com outro volante, durante uma corrida têm que navegar pelo HUD do jogo para chegar ao local onde querem, selecionar a característica que querem e então depois conseguem alterar, com o Fanatec GT DD Pro basta carregarem num dos botões, para cima ou para baixo e está alterado. Acabam por ganhar tempo, ou pelo menos por não perder tempo, conseguindo fazer estas alterações em qualquer fase de uma corrida sem problemas em falhar uma curva ou perder velocidade numa reta porque estão distraídos.

Fanatec e Direct Drive para as massas

O Fanatec GT DD Pro é vendido apenas em bundle, existem três diferentes. O primeiro, o qual tive acesso para fazer esta análise, chega com o preço de €699,95 e traz o aro do volante, o motor CSL DD (que na verdade chega com o nome de GT DD Pro e conta com uma risca azul porque claro, é para uma parceria com a PlayStation), os pedais CSL e um adaptor de corrente que dá ao volante 5 Nm de torque, bem como o acessório para prender a base a uma mesa / secretária.

O segundo chega com o valor de €849,90 e a única diferença é que o adaptor de corrente é na verdade Boost kit 180 que dá ao volante um máximo de 8 Nm de torque, mais força portanto. Por sua vez, o terceiro bundle disponível €969,85 e para além do boost kit traz também os pedais CSL Premium, que contam com um pedal extra, o da embreagem.

Comprar um destes bundles é também entrar no universo Fanatec, já que quase tudo possibilita o upgrade, como é o exemplo do primeiro bundle, o que tenho para análise, caso queira posso comprar o boost kit 180 à parte ou até os pedais premium. Para terem noção, o CSL DD (apenas a base) custa €349,95 e existem volantes (o aro) a custar perto de €2000. Tudo isto para dizer que algumas coisas tiveram que ser repensadas para conseguir entregar ao público um produto premium por um preço mais acessível.

A primeira coisa a ser repensada foi os materiais utilizados para a construção do volante propriamente dito. Embora tenha um toque e um aspeto premium todo o volante é construído em plástico rijo, o que traz algumas vantagem mas também pequenas desvantagens. Os botões acabam por ter um toque menos suave do que aquele que é encontrado em maior parte dos volantes da marca ou até quando comparado com os botões do DualSense, no entanto não é nada que faça com que a utilização seja prejudicada.

Também os manípulos para mudar as mudanças são em plástico, mas ao usar devido à sua dimensão bem como ao barulho que fazem acabam por oferecer uma experiência de utilização bastante satisfatória, não ficando nada atrás dos manípulos em metal oferecidos, por exemplo, pelo Logitech G29.

O diâmetro do volante e o baixo peso fazem com que, depois de algumas modificações feitas no software próprio da Fanatec (têm que ligar o volante ao PC, mesmo para atualizações de firmware), os tempos de reação sejam ao milissegundo. Caso o jogo / simulador que estejam a usar responda (como foi no caso de Gran Turismo 7 ou de F1 2022) podem ter a certeza que vão também ver respostas imediatas no monitor e vai ser muito, mas muito mais fácil controlar um carro… mas já lá vou.

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O GT DD Pro vem ainda equipado com um conjunto de LEDs (com cores personalizaveis no software da marca) que servem para ter-mos noção das rotações do motor e quando é que temos que trocar de mudança, e ainda com um ecrã LED de 1’’ que mostra informações com oa velocidade a que estamos ou até mesmo quando mudamos de mudança. Uma adição que deixa com que o volante substitua alguns dos elementos do HUD de jogos e simuladores e assim se consiga ter uma experiência mais limpa no monitor.

O único ponto negativo do material de construção do volante prende-se no facto de a normal Alcantara ter sido substituída por uma borracha, que por muito suave que seja, não é a mesma coisa. Quando as sessões de condução são de algumas horas, as mãos começam a ficar suadas com facilidade e acaba por se sentir algum desconforto na condução, é o preço a pagar para se poder ter Direct Drive, da Fanatec, a preços não pornográficos. E reparem, é fácil de resolver: acabaram de gastar 700 euros num volante de topo em vez de 1200? Ok, agora comprem umas luvas de condução e usem-nas nas sessões mais longas. Problema resolvido, foi o que eu fiz.

De resto, tudo no bundle é igual e compatível com os outros componentes da Fanatec. O Fanatec GT DD Pro apresenta-se com vários modos: PC, PC compatível, PS4/PS5 e PS4/PS5 compatível. Depois de uma pequena pesquisa fiquei ainda a saber que caso queira usar na Xbox basta comprar um volante (aro) compatível com a consola e os motor do GT DD Pro vai funcionar na perfeição, já que na verdade é apenas uma variação do CSL DD.

Fanatec GT DD Pro

Pedais, Direct Drive e as maravilhas de controlar um carro

Vou começar pelos pedais, a construção em metal (tirando o local onde colocamos os pés, que é de plástico, mas possível de alterar), e a força feita pelas molas conseguem reproduzir os pedais de um carro de uma forma como nunca antes tinha sentido, fazendo com que seja muito mais simples conduzir sem controlo de tração, por exemplo, já que é muito mais fácil ter noção da força que estamos a aplicar no acelerador ou travão do carro que estamos a conduzir.

Caso não tenham um setup de sim racing é importante que arranjei uma superfície que não escorregue para que os pedais continuem no mesmo sitio durante uma corrida, ou terão que os ajustar a meio da corrida… algo que não é aconselhável caso queiram fazer um bom tempo. Nada que um tapete de borracha não resolva.

Agora o Direct Drive. O que é isto? Nos volantes ”normais”, como é o caso do Thrustmaster T300, temos o motor que está ligado ao volante através de uma corrente ou de um cinto e é assim que a força é passada: o motor faz a forma, mexe a corrente e depois a corrente mexe o volante, o que faz com que embora seja ok, o Force Feeback não consiga reproduzir tão bem a força e movimentos de um volante de um carro numa curva a 200Km/h ou uma traseira a fugir depois de apanhar uma pedaço de pista molhado.

Com o Direct Drive isso muda: o volante está diretamente ligado ao motor, e a força que o motor fa é passada diretamente para o volante que está nas nossas mãos. Isto faz com que o feedback que o motor consegue proporcionar, e por sua vez o volante, seja muito mais aproximado da realidade.

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Esta aproximação da realidade faz com que, depois de um período de habituação, seja mais fácil controlar um carro, mesmo quando este está descontrolado. A precisão do travão e acelerador, juntamente com a precisão do feedback que nos é dado pelo volante faz com que ao perder controlo do carro consigamos controlar o mesmo em quase todas as situações, pois torna-se quase intuitivo. O volante atua como uma extensão do nosso corpo e não como um periférico da consola.

Também as saídas de curvas, ou controlar o carro numa ultrapassagem mais complicada, tornam-se mais simples de fazer com precisão. O facto de conseguir-mos sentir todo o feedback que o simulador nos está a dar faz com que consigamos fazer estas tarefas, por vezes complicadas, de uma forma mais intuitiva. Depois de experimentar um volante com Direct Drive posso-vos dizer que não vou querer outra coisa.

Considerações Finais

Com o Fanatec GT DD Pro a Fanatec criou o volante que tem a capacidade de trazer o Direct Drive até às massas, principalmente com a parceria com a Polyphony Digital que fazem com que este periférico seja o ideal para o novo simulador do estúdio, o Gran Turismo 7. Para além disso, a Fanatec produziu um volante sólido que conta com os componentes usados noutros equipamentos da marca, tornando-se assim altamente personalizável e uma excelente porta de entra para o ecossistema de sim racing da Fanatec.

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Caso queiram entrar no mundo do sim racing, mas não sejam fãs da série de simuladores da PlayStation, não tenham problemas, o Fanatec GT DD Pro é compatível com quase todos os simuladores tanto na consola como no PC. No fim, a aposta da Fanatec está mais que ganha, abriram a porta do seu ecossistema a jogadores mais casuais que quando meterem as mãos no volante vão ficar prontos para entrar no mundo do sim racing e tornarem-se verdadeiros ases da condução virtual.

rating recomendado

+ A melhor porta de entrada para o Direct Drive e ecossistema Fanatec

+ Altamente personalizável e capaz de oferecer uma experiência de topo 

+Feedback como nunca antes tinha sentido num volante

+ Volante perfeito para o série Gran Turismo, mas igualmente bom para outros jogos

 

– Construção em plástico e borracha pode tornar-se desconfortável em sessões mais longas

N.R.: A análise ao GT DD Pro foi realizada em PlayStation 5 e Windows PC com uma unidade cedida pela Fanatec.

O Future Behind em "Dark Mode"