“Se estavam à espera que Lovish fosse mais um Astalon: Tears of the Earth, vão ficar desiludidos.”
A LABS Works é um pequeno e talentoso estúdio que mantém a estética retro de 8 bits nos seus jogos e mesmo com o seu curto histórico de lançamentos provou que quer cimentar a sua posição em jogos retro semeando a qualidade com os seus títulos.
O seu jogo anterior, Astalon: Tears of the Earth um metroidvania, já tinha qualidade, mas com este novo jogo mudou um pouco a fórmula, mostrando que não tem problema em testar vários géneros de videojogos.
Lovish é um jogo de ação mais condensado que apresenta 7 mundos divididos em vários níveis, mais de 50 no total, cada um sendo uma pequena sala repleta de perigos e segredos para conquistar.
O cavaleiro apaixonado
Se estavam à espera que Lovish fosse mais um Astalon: Tears of the Earth, vão ficar desiludidos. Este é um jogo de ação ao estilo NES, simples e direto, que coloca os jogadores a comandar um jovem cavaleiro chamado Sir Solomon, completamente apaixonado pela jovem princesa Tsuna, que obviamente foi capturada por forças do mal, o clássico cavaleiro que precisa de salvar a donzela em perigo. Mas Solomon é uma pessoa muito sensível e tem sérios problemas de insegurança, e o seu medo é que a princesa se apaixone por outra pessoa antes dele! Assim, o nosso herói, se assim lhe quisermos chamar, parte em direção ao Castelo do Devil Lord, onde Tsuna está presa, na tentativa de salvar o dia e conquistar o seu amor para toda a eternidade. Com pequenas cinemáticas percebemos rapidamente a história que é contada de forma hilariante.
Perigos e plataformas
Cada nível em Lovish é uma sala independente, um nível com só um ecrã, cujo objetivo é chegar à porta de saída. Para isso, pode ser necessário passar plataformas perigosas, ativar interruptores ou até eliminar todos os inimigos no ecrã para obter uma chave. As salas começam de forma relativamente simples, como seria de esperar, mas tornam-se progressivamente mais difíceis, apresentando desafios como picos que desaparecem e reaparecem, bolas de fogo e, claro, plataformas móveis. A dificuldade é reforçada pelo facto de termos apenas um ponto de vida, pelo menos inicialmente, o que significa que qualquer erro faz-nos reiniciar o nível para mais uma tentativa. A grande maioria das salas foi concebida para poder ser concluída rapidamente (e até existe recompensa por isso), embora exija aprendizagem e mestria.
Concluir um nível é satisfatório, mas, na verdade, não fica verdadeiramente completo enquanto não recolherem todas as coroas escondidas. Isso mesmo: cada sala tem uma coroa por descobrir, muitas vezes escondida atrás de blocos destrutíveis, à semelhança dos clássicos Castlevania. Outras coroas exigem que completem a sala dentro de um tempo limite ou que evitem eliminar inimigos. Isto acrescenta bastante diversão a Lovish, bem como voltar a jogar os níveis sem cansar e também mais desafio, apesar da sua duração relativamente curta, menos de 5 horas sem atingir 100%.
A única coisa que acho não estar ao nível do resto dos níveis são os bosses, demasiado simples e fáceis (exceto o último que já me deu mais trabalho), mas que não senti bem integrados no jogo. Aliás, se não tivessem no jogo, não faziam grande falta.
No final de cada nível, os somos brindados com uma cinemática aleatória, muitas delas hilariantes. Alguns eventos são simples, como encontrar uma imagem gerada por IA que podem esmurrar para ganhar um prémio, como se estivessem num RPG clássico por turnos. Outros são autênticos minijogos, como uma masmorra ao estilo Game Boy (é realmente um nível de Zelda encapotado), desafios para nos desviarmos de obstáculos e um minijogo ao estilo de Vampire Survivors. A natureza aleatória destes eventos mantém o jogo fresco a cada nível, e eu aguardava cada um com expectativa, mesmo quando as consequências eram negativas, já que podemos ganhar ou perder pontos de vida, dependendo do separador que nos aparece.
De regresso ao mapa do mundo, é ainda possível visitar uma loja gerida por uma rapariga chamada Purin, que vende bugigangas úteis para a aventura. Desde a possibilidade de aguentar um ponto adicional de dano até um disco voador que pode ser lançado contra inimigos, todos estes itens são um prazer de desbloquear e, regra geral, divertidos de utilizar. Outra loja acaba por surgir com outros artigos e uma sala com várias portas que só poderemos aceder quando tivermos um determinado número de coroas. Estas desbloqueiam passagens secretas que escondem alguns dos segredos mais interessantes do jogo.







Um mimo de controlar
Lovish é muito agradável de controlar, assumindo que estão habituados a jogabilidade retro. Em muitos aspetos, joga-se como um título da NES, com um salto algo flutuante e um ataque básico, sem muito mais com que se preocupar. Também não o descreveria como particularmente difícil, já que a maioria dos inimigos e bosses apresenta padrões bastante simples. O verdadeiro desafio surge ao tentar fazer speedrun e descobrir segredos ao revisitar áreas. E embora alguns itens acrescentem novas formas de ataque, a jogabilidade raramente evolui para além de plataformas e combate básico. Isto faz de Lovish uma experiência simples, mas envolvente, que praticamente qualquer pessoa pode aprender, ideal para pequenas sessões.
Tal como em Astalon: Tears of the Earth, os visuais em 8 bits de Lovish são de topo, parecendo saídos diretamente da era NES. Não fiquei particularmente fã do filtro “Soft” ativado por defeito, mas felizmente pode ser desativado para uma apresentação mais limpa e luminosa. O jogo tem um estilo adorável, com designs de personagens e inimigos muito simpáticos, cenários variados em cada novo mundo com eventos e minijogos únicos que oferecem bastante variedade. Esta apresentação é ainda elevada por uma fantástica banda sonora chiptune, cheia de energia. Cada música apresenta melodias e ritmos que me fizeram abanar a cabeça ao mesmo tempo que testamos os perigos. Os fãs de jogos 8 bits vão apaixonar-se pelo design visual e sonoro de Lovish.
Considerações finais
Jogando na Nintendo Switch 2, não tive qualquer problema com o jogo, nem quebras nem bugs nem nada. Num mundo repleto de roguelikes e metroidvanias, Lovish sente-se fresco e entusiasmante, o que é curioso, tendo em conta as suas inspirações old school. É simples de jogar, mas viciante, com um nível de desafio interessante para quem quiser recolher todas as coroas. A mistura de plataformas e ação e bem feita com uma estética 8 bits muito especial e uma banda sonora que encaixa perfeitamente. É um indie charmoso que merece reconhecimento especialmente para quem ainda procura jogos retro. É entretenimento no seu estado mais puro, é engraçado e perfeito para pequenos intervalos.


