The Last of Us Parte I

The Last of Us Parte I – Análise

Primeiro para a PlayStation 3, depois para a PlayStation 4 e agora na PlayStation 5. Caso não tinham lido o título deste artigo e estejam aqui por engano, descansem: não vos vou falar de Grand Theft Auto V. Estou aqui para vos falar da minha experiência com The Last of Us Parte I, o remake para a PlayStation 5 do jogo que saiu originalmente para a PlayStation 3 e contou ainda com um remaster na PlayStation 4.

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The Last of Us Parte I, que com o lançamento pode ser olhado não como o primeiro jogo, mas sim uma prequela de The Last of Us Parte II, chega no dia 2 de setembro e conta com um novo visual, novas opções de acessibilidade, mas também algumas das limitações presentes na sua primeira versão. É o novo The Last of Us, que, na verdade, parece o rebento de uma relação entre a Parte II e o original. A questão que fica é, valerá a pena apostar num remake depois do remaster?

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Entrei para este remake com uma mistura de sentimentos tramada: o original, não sendo dos meus jogos favoritos de todos os tempos (muito por culpa das limitações no gameplay), deu origem ao jogo que mais gostei na última década, pelo que terei sempre algum carinho pelo primeiro jogo da franquia. Do outro lado está a pedra no sapato, o remake de um jogo que na geração passada já contou com um remaster e a possibilidade deste refazer ser apenas uma má escolha de nome.

Um remake que, na verdade, é uma oportunidade

Uma das coisas que fez com que o segundo The Last of Us fosse um exemplo dentro da indústria dos videojogos foi o facto de contar com opções de acessibilidade que faziam com que grande parte dos jogadores conseguisse pegar no jogo, e não falo de “fazer o jogo mais fácil”, falo sim de fazer um jogo que, no fim, pode ser jogado por pessoas com deficiências auditivas, visuais ou até motoras.

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Com The Last of Us Parte I existe um enorme segmento do público que vai poder jogar pela primeira vez o primeiro jogo, seja pelas opções de acessibilidade visuais, pelos controlos que podem ser adaptados ou pela forma como até o DualSense ajuda no áudio. É isso mesmo, o comando da PlayStation 5 consegue transmitir vibrações que ajudam pessoas com deficiências auditivas a melhor perceber o dialogo que está a acontecer, conseguido diferenciar um diálogo calmo de algo mais agressivo, por exemplo.

Nesta opção de acessibilidade (obrigado David, por me mostrares isto) algo de impressionante acontece: ao encostarem o comando ao osso no topo do maxilar, mesmo ali do lado de fora do ouvido, conseguem ouvir o que as personagens estão a dizer apenas através da vibração do comando. É impressionante. Impressionante.

Neste primeiro segmento a resposta à pergunta inicial, se The Last of Us Parte I é uma aposta que vale a pena? Sim, sem dúvida alguma.

O original, mas de cara lavada

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É isto que vai fazer com que maior parte dos jogadores decida jogar The Last of Us Parte I, porque em muitos dos casos é isto que os jogadores procuram: melhores visuais. E, com toda a legitimidade, muitos vão querer voltar a jogar o primeiro TLoU agora que se apresenta de cara ainda mais lavada do que no remaster.

E é verdade, The Last of Us foi refeito para esta parte I, mas não foi completamente refeito. Se os modelos usados, tanto para personagens como para salas interiores ou paisagens exteriores foram refeitos e o jogo parece agora mais completo, mais cheio, que a versão remasterizada, a verdade é que as expressões faciais desses mesmos modelos, principalmente ao olhar para NPCs, continuam limitadas quando comparado com o segundo jogo. Isto explica-se, muito provavelmente, porque toda a parte do “acting” já lá estava (a usar tecnologia de 2013) e, como seria de esperar, não foi regravada.

Tal como no segundo jogo, em The Last of Us Parte I, passar a mesma batalha duas vezes significa ter duas experiências diferentes

Noutra comparação olhei para os clickers e runners para perceber se existia alguma alteração nos seus movimentos. E a verdade é que sim, existe. Tal como no segundo jogo, passar a mesma batalha duas vezes significa ter duas experiências diferentes, mesmo se optarmos pela mesma abordagem… existe sempre algo que vai fazer com um dos inimigos se comporte de forma diferente, nem que seja uma passo dado na direção errada.

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Esta inteligência superior dos inimigos ajuda a que o jogo fique mais moderno, mas a falta de renovação de grande parte das animações presentes nos movimentos faz com que essa modernidade fique um pouco falsa. Os movimentos continuam a parecer pouco naturais, quando comparado com a parte 2 do jogo, e os clickers (por exemplo) têm sempre a mesma reação ao serem baleados na cabeça. Todos estes pequenos pormenores fazem com que The Last of Us Parte I seja mais previsível que a segunda parte, sendo que foi essa imprevisibilidade que meteu TLoU II no topo da minha tabela dos melhores jogos de sempre.

The Last of Us Parte I é, no fim de contas, um remaster do remaster. Um remaster mais cuidado é certo, com partes criadas de novo, mas não o suficiente para lhe conseguir chamar remake. São pequenas coisas, que em nada estragam ou retiram mérito à narrativa criada para TLoU I, que me fazem olhar para o jogo de forma diferente, quase com um gosto amargo na boca. Gostei, foi muito mais apelativo de jogar que o original devido a todas as alterações que teve mesmo quando comparado com o remaster, mas no fim não amei. Esperava mais, queria mais. Tudo para gritar ao mundo que é um completo remake.

A luz é impressionante, mas o modo fotografia precisa de mais liberdade

Isto é um desabafo. Só um desabafo. A luz deste novo The Last of Us Parte I é fantástica. Por todo o jogo, é fantástica. A luz sendo fantástica faz com que todo o ambiente do jogo fique também ele muito bom, muito melhor que o original, sendo até mais fácil entrar no jogo e ficar completamente submerso na história enquanto, à nossa volta, o mundo continua a girar.

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Toda esta imersividade, ao juntar ao modo de fotografia presente no jogo, foi algo que me fez carregar no botão de pausa inúmeras vezes para captar momentos durante a história de TLoU. Algumas das fotografias ficaram do meu agrado, mas Naughty Dog, posso-vos pedir algo? Precisamos de mais liberdade na câmara, de mais liberdade para mover um dos três focos de luz. (spoiler alert) Aquele momento em que a Tess está deitada no chão? Ali mesmo onde a entrada de luz da janela está? Este ambiente pedia, aos meus olhos, uma foto tirada de cima, para apanhar a Tess na luz e os inimigos caídos nas sombras… mas é impossível. A liberdade para mexer a câmara para tentar capturar NPCs chega a um ponto que se torna nula. Uma pena.

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Considerações Finais

The Last of Us Parte I é obrigatório para quem nunca jogou o The Last of Us em qualquer das suas formas, passa a ser importante para quem apenas jogou a versão PS3. Depois disto, ou seja, caso tenham jogado o remaster na PS4, passa a ser um luxo ou algo para os fãs hardcore que não querem mesmo perder uma versão melhorada.

Para resp0nder à pergunta que coloquei no início da análise, se vale a pena apostar neste remake, sim vale. The Last of Us Parte I é necessário, é necessário simplesmente porque dá uma oportunidade a centenas de pessoas que nunca tiveram a oportunidade de jogar o primeiro jogo da franquia. Agora podem-no fazer, sem receios, com todas as opções de acessibilidade colocadas neste remake.

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Sobre o facto de custar o mesmo que qualquer outro lançamento 1st party para a PlayStation 5, percebo parte do valor pedido por todo o trabalho que foi feito para tornar um jogo de 2013 bem mais moderno. Não compreendo o valor total simplesmente porque acredito que o investimento não tenha sido o mesmo daquele que é feito para o lançamento de um novo jogo, de uma nova história. Como, por exemplo, God of War Ragnarök.

A nota não foi fácil de dar. Primeiro porque o jogo é, agora com este Parte I, um 5 em 5. Mas a necessidade de apresentar este 5 em 5 com um preço de jogo novo, história nova, é um 3 em 5. Continua, após o ter jogado de uma ponta a outra, igual ao que foi ao início: uma mistura de sentimentos tramada.

nota 4
Clica na imagem para mais informação sobre as nossas classificações

+ Todo o trabalho feito com a luz, e sombras, faz com que o jogo suba de patamar
+ Opções de acessibilidade são muito bem-vindas
+ Integração de um melhor modo de fotografia
+ Ambientes exteriores e interiores bem mais “vivos”

– Muitas animações de NPCs foram, aparentemente, simplesmente recicladas
– Falta de liberdade com a câmara no modo de fotografia
– Preço igual a um novo jogo com uma nova história

N.R.: A análise a The Last of Us Parte I foi realizada numa PlayStation 5 com acesso a uma cópia do jogo cedida pela PlayStation Portugal

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