Mario Tennis Fever

Mario Tennis Fever – Análise

Há uma sensação muito especial quando começo um jogo de desporto das variadas séries Mario e dou por mim a sorrir como se estivesse outra vez em 2004. É aquela alegria simples de levar a consola para casa de um amigo, discutir que personagem escolher e preparar-me para horas de competição no sofá. Mario Tennis Fever consegue recuperar exatamente essa sensação. Não o faz com subtileza, atira-se de cabeça para o passado, cheio de energia e pronto para criar confusão em campo.

Confesso que em várias gerações não toquei sequer em nenhum deles, de ténis, de futebol ou sequer golfe, mas há uns bons anos atrás haviam menos jogos e mais vontade de experimentar estes jogos mais arcade.

Depois de várias horas a jogar, fico com uma ideia clara, é dos jogos mais completos da série no lançamento, mas também é irregular. Quando acerta em cheio, é extremamente divertido, sobretudo com amigos. Quando falha, nota-se principalmente no modo a solo, que volta a ser o ponto mais fraco. Essa mistura de momentos muito bons com outros menos inspirados define bem a experiência.

A febre dos poderes nas raquetes

A grande novidade são as Fever Rackets, raquetes especiais com poderes próprios. Cada uma pode mudar completamente um ponto. De repente, o campo enche-se de fogo, gelo, tinta ou obstáculos inesperados. À primeira vista parece caos total, e às vezes é mesmo, mas também traz um lado estratégico interessante. Já não se trata apenas de bater a bola para o lado certo, é preciso pensar quando usar o poder e como obrigar o adversário a errar. Há um lado quase psicológico nas partidas, mas sempre com o humor típico do universo Mario.

Felizmente, os poderes não estragam completamente o equilíbrio do jogo. Muitas habilidades só entram em ação quando a bola toca no chão, o que cria momentos tensos em que ambos tentam manter a troca no ar. Algumas raquetes parecem demasiado fortes no início, mas acabam por ter fraquezas óbvias quando aprendemos a enfrentá-las. Ainda assim, no modo de pares, o exagero pode ser demasiado. Com quatro jogadores a usar poderes ao mesmo tempo, o ecrã pode tornar-se confuso e nem sempre é fácil perceber o que está a acontecer. Nesses momentos, já não há lei em campo deixando de ser prioridade e o objetivo passa a ser simplesmente o divertimento.

Jogabilidade mais arcade

Para acompanhar esta aposta mais caótica, o ténis em si foi simplificado. O ritmo é mais lento, os movimentos são mais fáceis de executar e os erros são menos castigadores. Quem gosta de um estilo mais técnico pode sentir falta de maior exigência, mas esta abordagem torna o jogo muito mais acessível para quem está a começar. É menos rigoroso, mas mais fácil de partilhar com amigos ou família.

Mesmo assim, a base continua sólida. É muito satisfatório antecipar a jogada, posicionar bem a personagem e fazer um remate forte no momento certo. Nota-se experiência no controlo e na forma como as personagens se movem. Com uma vasta variedade de personagens à escolha, com 38 personagens, cada uma com características próprias, dá bastante variedade às partidas.

Graficamente é simplesmente… Nintendo

Visualmente, o jogo é colorido e expressivo. As personagens estão bem detalhadas e cheias de personalidade. Não é um salto técnico impressionante, mas é estável e agradável à vista. De vez em quando há pequenas quebras em ecrã dividido, mas nada que estrague a experiência.

As personagens, as animações personalizadas de cada um, são o que se espera de um jogo da Nintendo. Todo o detalhe está lá, as vozes e efeitos sonoros, passando pelo nosso narrador, a flor falante de Super Mario Wonder, que está sempre presente nos jogos com comentários sobre o que se está a passar e em minha opinião não cansa com o seu discurso.

E ténis, podemos jogar?

No que toca a conteúdos, é positivo haver desbloqueáveis ligados ao jogo offline. Podemos ganhar personagens, campos e equipamentos ao completar desafios. O problema volta a surgir no modo Aventura. Apesar de ter uma ideia inicial interessante, é apenas um tutorial mesmo muito longo e sem interesse algum. Durante grande parte do tempo, somos guiados por explicações básicas, minijogos simples e texto em excesso. Falta ritmo e personalidade. Quando começa finalmente a parecer mais interessante, termina depressa demais.

Outros modos a solo funcionam melhor. O modo Torneio é super simples apenas com três para jogar com jogabilidade variada. Ainda pensei que ao termina-los a todos, outros seriam desbloqueados, mas após 15 horas isso não aconteceu. Já os desafios especiais são mais criativos e obrigam a adaptar estratégias, tornando-se uma das partes mais divertidas para quem joga sozinho, mas eu gostaria de mais torneios, com mais variedade. Estamos aqui para jogar ténis ou para minijogos?

O multijogador é claramente o ponto alto. Online funciona de forma estável quando arranjei salas, mas até isso foi difícil de achar. Localmente é muito fácil organizar partidas com amigos. É aqui que o jogo realmente ganha vida. As Fever Rackets fazem mais sentido neste contexto, porque criam momentos inesperados e muitas gargalhadas.

Considerações finais

Ao fim de algum tempo, a sensação é de satisfação, não de vício prolongado. Mario Tennis Fever não parece feito para ser jogado todos os dias durante anos. É mais um jogo ideal para sessões rápidas, para animar encontros com amigos ou para fazer uma pausa leve entre jogos maiores.

No final, é um excelente jogo de festa e um bom jogo de ténis arcade: divertido, acessível e cheio de boas energias. Como experiência a solo, deixa a desejar. Quem procura diversão em grupo vai encontrar aqui muito para gostar. Quem procura muitos torneios ou até um modo campanha minimamente decente, não é aqui que vai encontrar e pode retirar uma estrela à nossa pontuação.

nota 4

+ Jogabilidade bastante boa
+ Grafismo e o toque Nintendo
+ Excelente party game
+ Muitos desbloqueáveis

– Apenas três torneios
– Modo aventura bastante fraco