Nioh 3

Nioh 3 – Análise

Nioh 3 continua a evolução de uma série que se tornou muito conhecida entre os fãs de jogos de ação mais exigentes. Desenvolvido pela Team Ninja, este título mantém muitas das ideias que tornaram os jogos anteriores populares, mas procura também tornar alguns sistemas mais acessíveis e melhorar a experiência geral. O resultado é um RPG de ação intenso, com combate profundo, personalização do personagem e um mundo inspirado na história e no folclore japonês como já era de esperar.

Combate é o centro de tudo

Uma das características mais importantes de Nioh 3 é o seu sistema de combate. Tal como nos jogos anteriores, as batalhas são rápidas e exigem bastante atenção dos jogadores. Não basta simplesmente atacar os inimigos, é necessário observar os seus movimentos, defender ou desviar no momento certo e gerir bem a energia do personagem. Este ritmo de combate cria uma sensação constante de tensão, porque um erro pode custar muito caro.

O jogo mantém o sistema de posturas de combate, que é uma das mecânicas mais originais da série. Existem três posturas principais: baixa, média e alta. Cada uma serve para situações diferentes. A postura baixa é mais rápida e permite esquivar-se facilmente, sendo útil contra inimigos rápidos. A postura média é equilibrada, oferecendo uma boa mistura entre ataque e defesa. Já a postura alta permite causar muito dano, mas torna os movimentos mais lentos e arriscados. Em Nioh 3, trocar entre estas posturas tornou-se mais dinâmico, o que nos ajuda a adaptar rapidamente durante as batalhas se assim o desejarmos.

Outro elemento essencial é a barra de Ki, que funciona como uma espécie de resistência. Sempre que atacamos, bloqueamos ou nos esquivamos, consome parte desta energia. Se o Ki acabar completamente, o personagem fica vulnerável durante alguns segundos. Para evitar isso existe a mecânica chamada Ki Pulse. Depois de atacar, podemos recuperar parte da energia se carregar no botão R1 no momento certo. Esta mecânica cria um ritmo muito particular no combate, quase como se fosse uma dança entre atacar e recuperar energia.

Nioh 3 também apresenta uma grande variedade de armas. Os jogadores podem escolher entre vários estilos, como katana, lanças, machados, kusarigama (foices com correntes) e outras armas tradicionais japonesas. Cada arma tem movimentos próprios e uma árvore de habilidades que permite desbloquear novas técnicas o que significa que dois jogadores podem ter experiências muito diferentes dependendo das armas que preferirem usar.

Além disso, o jogo incentiva a experimentar várias armas. Algumas funcionam melhor contra determinados inimigos ou em certas situações. Com o tempo acabamos por desenvolver um estilo de combate muito pessoal, combinando armas e habilidades de forma única.

Os inimigos são outro ponto forte do jogo. Grande parte deles são yokai, criaturas sobrenaturais inspiradas nas lendas japonesas e os habituais antagonistas da série. Estas criaturas têm aparências muito diferentes umas das outras e comportamentos únicos em combate. Alguns atacam rapidamente, outros usam golpes poderosos, mas lentos, e alguns possuem habilidades especiais que podem surpreender o jogador.

Mesmo inimigos aparentemente simples podem ser perigosos se chegarmos perto deles como se não fossem nada. Muitas vezes, o jogo coloca inimigos em posições estratégicas, preparando emboscadas ou combinando diferentes tipos de adversários na mesma área. Isto obriga-nos a avançar com atenção e a pensar antes de agir.

Os combates contra os bosses são normalmente os momentos mais memoráveis do jogo. Estes inimigos são obviamente muito mais fortes do que os adversários normais e possuem vários padrões de ataque. Para os derrotar, é preciso observar cuidadosamente os seus movimentos e acreditem que vão penar muito dado a dificuldade destes encontros. Se sentirem que não estão a ser bons o suficiente com determinado boss, alterem a vossa build de modo a tentar de novo, pode ser que tenham uma boa surpresa.


Quase mundo aberto

Em relação à estrutura do mundo, Nioh 3 apresenta áreas maiores e mais abertas do que os jogos anteriores. Embora não seja um jogo de mundo totalmente aberto, cada região tem vários caminhos possíveis, atalhos e zonas secretas e há uma separação evidente da estrutura por níveis de Nioh 2. Explorar com atenção pode levar o jogador a descobrir equipamento raro ou recursos importantes.

O design das áreas continua a ser muito cuidadoso. Existem armadilhas, passagens escondidas e inimigos colocados de forma estratégica para criar momentos de surpresa. Esta atenção ao detalhe torna a exploração interessante e recompensadora.

Fábulas japonesas

A história do jogo mistura acontecimentos históricos com elementos sobrenaturais. A ação decorre num Japão feudal alternativo, onde guerras entre clãs se cruzam com a presença de espíritos e criaturas míticas. Ao longo da aventura, o protagonista encontra várias figuras inspiradas em personagens históricas reais, mas adaptadas a este universo fantástico.

O protagonista da história é Takechiyo, jovem herdeiro da poderosa família Tokugawa. Desde cedo, Takechiyo percebe que algo está errado com o equilíbrio entre o mundo dos humanos e o dos espíritos. Aparições de yokai tornam-se mais frequentes, vilas inteiras são devastadas por criaturas sobrenaturais e rumores sobre uma energia misteriosa chamada Amrita voltam a circular entre guerreiros e estudiosos.

À medida que Takechiyo cresce e começa a assumir responsabilidades dentro do clã Tokugawa, ele é arrastado para este conflito. Guiado por aliados espirituais e por guerreiros experientes, ele passa a investigar a origem de surtos de Amrita que surgem em diferentes regiões do Japão. Cada missão revela novos fragmentos de uma conspiração maior: alguém está a manipular a energia espiritual do país para abrir caminho para um domínio yokai.

A narrativa não é contada de forma totalmente direta. Muitas partes da história são reveladas através de diálogos opcionais, descrições de objetos ou pequenos acontecimentos espalhados pelos níveis. Este estilo de narrativa incentiva-nos a explorar e a prestar atenção aos detalhes do mundo. Honestamente, a história não foi nada que me tivesse chamado a atenção e nem é o foco do jogo. Senti-me mais preocupado em terminar a missões secundárias que me focar numa história banal, mais uma no Japão feudal, que temos tido tantas ultimamente.

Outro aspeto muito importante em Nioh 3 é o sistema de progressão do personagem. À medida que derrotamos inimigos, ganhamos experiência que permite subir de nível e melhorar atributos como força, resistência ou magia. Estes atributos influenciam o estilo de jogo e permitem criar personagens muito diferentes.

O equipamento também tem um papel enorme. Durante a aventura, encontramos constantemente novas armas e armaduras com diferentes níveis de qualidade. Algumas peças oferecem bónus especiais, como mais dano com certas armas ou melhor regeneração de energia. Escolher o equipamento certo pode fazer uma grande diferença no desempenho em combate. Nioh sempre foi um jogo de números, e há equipamento novo por todo o lado, só temos é de decidir qual iremos usar consoante a nossa build preferida e temos de nos preparar para passar muito tempo nos menus.

Para jogadores que gostam de otimizar personagens, este sistema pode tornar-se bastante profundo. É possível combinar diferentes peças de equipamento para criar conjuntos que funcionam especialmente bem em conjunto.

Outro elemento interessante são os espíritos guardiões. Estes espíritos oferecem habilidades especiais e podem alterar temporariamente as capacidades do personagem durante o combate. Dependendo do espírito escolhido, o jogador pode ganhar vantagens diferentes, como mais poder ofensivo ou melhor defesa.

Fantasia japonesa

Visualmente, Nioh 3 apresenta um grande nível de detalhe. Os cenários mostram florestas densas, templos antigos, aldeias destruídas pela guerra e campos de batalha sombrios. A atmosfera é muitas vezes pesada e misteriosa, reforçando a sensação de perigo constante. Não é o melhor graficamente em modo performance, mas o design é excelente, recreando fielmente o espírito da série.

O design das criaturas também é impressionante. Muitos yokai têm formas estranhas ou assustadoras, inspiradas em histórias tradicionais japonesas. Estas criaturas ajudam a criar uma identidade visual muito forte para o jogo.

O som também contribui bastante para a experiência. A música mistura instrumentos tradicionais japoneses com sons mais modernos, criando um ambiente que combina perfeitamente com o cenário histórico e sobrenatural. Durante as batalhas contra os bosses, a música torna-se mais intensa e dramática, aumentando a emoção do combate.

A dificuldade continua a ser uma característica importante da série. Nioh 3 é um jogo que exige paciência e prática. Os jogadores vão provavelmente morrer várias vezes ao longo da aventura. No entanto, cada tentativa ajuda a compreender melhor os inimigos e as mecânicas do jogo. Apesar disso, o jogo oferece algumas ferramentas para tornar a experiência menos frustrante. Por exemplo, existe a possibilidade de jogar em cooperação online e pedir ajuda a outros jogadores para derrotar inimigos difíceis. Algo que é bastante importante se estivermos bloqueados numa zona mais difícil, ou se simplesmente quisermos companhia para conhecer o mapa.

Considerações finais

Dentro do género dos RPG de ação, Nioh 3 destaca-se por combinar combate rápido com grande profundidade mecânica. Enquanto alguns jogos do mesmo género têm combates mais lentos e metódicos, Nioh aposta numa abordagem mais dinâmica e técnica.

Nioh 3 consegue melhorar muitos dos elementos que tornaram a série popular. O combate continua desafiante, o sistema de progressão é profundo e o mundo do jogo é interessante de explorar. Embora possa não ser o jogo mais fácil para principiantes, oferece uma experiência que recompensa para quem estiver disposto a aprender as suas mecânicas.

É um jogo que combina ação intensa, estratégia e um universo rico inspirado na cultura japonesa. Para fãs de desafios e de sistemas de combate complexos, Nioh 3 tem potencial para se tornar um dos títulos mais marcantes do género.

nota 4

+ Áreas mais abertas
+ Combate e jogabilidade
+ Co-op muito bom

– Continua a ser muito igual aos outros