Mouse: P.I. For Hire

Mouse: P.I. For Hire – Análise

Hoje em dia é raro encontrar um shooter na primeira pessoa que pareça genuinamente diferente. Apostar em algo único pode ser assustador, mas também pode resultar em algo especial. É aqui que entra Mouse: P.I. For Hire.

A história acompanha o protagonista Jack Pepper, um investigador que reúne todos os clichés dos detetives clássicos numa só personagem e isso não é de todo algo negativo e funciona na perfeição com o humor do jogo. Tudo começa com a investigação ao desaparecimento de um mágico e antigo amigo de Jack, mas a história acaba por se expandir para outros casos mais à frente.

Mouse: P.I. For Hire não vai ganhar prémios pela sua narrativa, mas isso não significa que seja má. Faz um trabalho competente com a jogabilidade e a manter o ritmo ativo da ação, e em muitas vezes é perfeito para várias piadas relacionadas com queijo. Gostava de ver mecânicas de investigação mais profundas condizente com o seu nome? Claro. Mas esse não é o objetivo do jogo.

Um rato bastante ágil

Pelos trailers que foram surgindo antes do lançamento, toda a gente já sabia o quão bom o jogo parecia visualmente. A grande questão era: será que a jogabilidade estaria à altura? A resposta é um grande sim. A movimentação é rápida e precisa, com uma mecânica de dash que ajuda bastante a manter o ritmo durante os tiroteios. Isto é complementado por movimentos adicionais que vamos desbloqueando, como o salto duplo e o tail spin, que acrescentam variedade e verticalidade tanto ao nível de saltos em plataformas como ao combate. Em certos momentos, parece mesmo que estamos a jogar uma versão cartoon de DOOM, embora com um pouco menos de profundidade e acreditem que em certas situações, vão precisar de todas as ferramentas para aguentar a pressão.

Também existe uma boa variedade de armas de fogo. Começamos com uma pistola, mas rapidamente temos acesso à excelente espingarda pump-action Boomstick, à hilariante “James Gun” (uma metralhadora estilo tommy gun), entre outras armas especiais como a Turpentine Gun, que basicamente derrete os inimigos com um líquido tóxico. Os limites de munições obrigam-nos de forma inteligente a experimentar diferentes armas, algo que apreciei bastante. Ainda assim, quando estava cercado de inimigos, acabava quase sempre por recorrer à caçadeira. Rebentar cabeças é extremamente satisfatório e poupa bastante tempo.

Um pouco mais que andar aos tiros

Embora a maior parte do tempo de jogo seja focada em combate e em limpar salas cheias de inimigos, existem também momentos de pausa bastante interessantes. O mapa onde fica do escritório do Jack é uma rua que tem uma loja, uma oficina de melhorias, um bar e, claro, o próprio escritório. Aqui podemos falar com NPCs, avançar na história e aceitar algumas missões secundárias. As pistas encontradas durante os níveis também podem ser colocadas no teu quadro de investigação para uma melhor organização dos casos.

A melhoria das armas é feita através da recolha de esquemáticas durante a aventura e da sua entrega na oficina. Cada esquemática funciona como um ponto de melhoria genérico, em vez de estar associado a uma melhoria específica. Isto permite escolher livremente quais as armas que queremos evoluir e não andar à procura de uma em específico para certa e determinada arma.

O sistema de lockpicking do jogo é uma ideia muito simples: a nossa cauda entra na fechadura e funciona quase como um clássico jogo da cobra. Temos de ativar todos os pinos e sair pelo outro lado. Por vezes temos um número limitado de movimentos, noutras ocasiões és limitado pelo tempo. Nunca se tornou demasiado frustrante, mas foi sempre divertido.


Design e grafismo fora do comum

Dito de forma simples, Mouse: P.I. For Hire é absolutamente deslumbrante. A animação em estilo cartoon com um toque de filme noir é impressionante do início ao fim. A dualidade do preto e branco destaca-se imenso e o efeito de grão cinematográfico dá-lhe aquele toque extra na animação. O mundo é tridimensional, enquanto os NPCs e inimigos são desenhados em 2D e ajustam-se constantemente para estarem sempre virados diretamente para o jogador.

Fiquei completamente impressionado com todos os aspetos visuais. As comparações com Cuphead são inevitáveis, mas este jogo tem outras ambições ambição. Os cenários são variados e as animações em combate complementam perfeitamente a jogabilidade. Os locais visitados são variados e ricos em detalhe e único ponto menos positivo que conseguimos apontar é que o design dos inimigos é um pouco limitado. Os modelos são excelentes, mas poderiam existir mais variações.

O áudio é outro dos grandes destaques. A banda sonora encaixa na perfeição na época e no ambiente do jogo. A dobragem está muito bem conseguida em todos os aspetos e Troy Baker cumpre perfeitamente o papel do protagonista Jack Pepper. As nuances da sua voz como um personagem de filme noir daquela época é perfeita, bem como a entrega das muitas piadas do guião.

Na performance, este é mais um aspeto em que o jogo brilha. A nossa análise na PlayStation 5 foi realizada no modo performance, que correu a 120fps com resolução de 1600p. Se preferirem mudar para o modo qualidade, tens 60fps a 2160p. Não encontramos quaisquer bugs, quedas de frame rate ou problemas gráficos, algo extremamente raro nos dias que correm.

Com cerca de quinze horas de duração, Mouse: P.I. For Hire oferece uma excelente relação qualidade/preço. Pode argumentar-se que não existe muito valor de repetição, já que não podemos repetir os níveis ao terminá-los (algo que esperamos que seja corrigido numa atualização), mas quando o produto apresentado tem esta qualidade, é natural que muitos jogadores regressem para uma segunda ou terceira campanha no futuro.

Considerações finais

Provavelmente já deu para perceber que ficámos impressionados com aquilo que a produtora Fumi Games conseguiu alcançar com Mouse: P.I. For Hire. Muitas vezes surgem jogos com um estilo visual único, mas sem jogabilidade suficiente para o suportar. Aqui, porém, temos combate ao estilo de DOOM, armas fantásticas de utilizar, performance irrepreensível e um excelente trabalho sonoro, tudo envolvido num dos melhores estilos artísticos dos últimos anos e é um verdadeiro triunfo da criatividade.

nota 4

+ Design e grafismo
+ Níveis diferentes e criativos
+ Jogabilidade bastante boa

– Não poder repetir níveis para apanhar colecionáveis