LEGO Batman: Legacy of the Dark Knight

Lego Batman: Legacy of the Dark Knight – Análise

Xi, há doze anos que uma aventura Batman não era lançada. Nada melhor do que Lego Batman: Legacy of the Dark Knight aparecer neste momento em toda a sua glória e história longa. Desde os seus tempos de meninice parental, à sua transformação e obsessão pelas sombras e pelos bichos que se diz terem causado uma pandemia mundial, até ao enfrentar de boa parte dos seus inimigos de sempre e para sempre. Este é um típico jogo da TellTale Games, mas parece-me ir mais longe, ser mais ambicioso. Mas continuam a partir tudo em busca das pecinhas, não se preocupem.

Batman é o mesmo e não tem nada a ver…

Bruce Wayne de Batman Arkham está presente nas primeiras horas deste jogo, explorando o início e desenvolvimento de uma personagem maior do que a vida, sempre com aquele humor tonto e bastante físico que caracteriza estas obras. O prólogo dura várias horas, passando pelos jardins da sua mansão, à descoberta daquela que será a BatCaverna, indo até à sua formação com o mestre da Liga das Sombras, Ra’s Al Ghul.

E só depois o mundo se abre literalmente, naquela que é a maior mudança em relação a todas as outras iterações Lego no mundo dos videojogos. A fórmula vencedora é aqui quebrada para termos acesso a Gotham de forma livre para poder ser explorada a nosso bel-prazer, com imensas atividades para fazer e crimes por toda a parte para resolver. A cidade está cheia de vida naquele ambiente taciturno, onde criminosos tentam assaltar velhotas e o crime está sempre atrás de qualquer esquina. Há ainda perseguições a alta velocidade no Batmobile, onde temos que ir embatendo nos veículos que fogem até se incendiarem.

Muito para fazer, mas a maior parte do tempo estamos entretidos com a progressão natural do jogo e da sua narrativa, com as missões que envolvem os grandes reis do crime que crescemos a odiar/amar.

Estas missões formam como que pequenas peças individuais que vão estruturando o enredo de cada personagem maléfica. Acabamos por combater por diversas vezes cada um desses némesis, num crescendo progressivo, ajudando a criar um argumento mais coeso e que envolve todas as personagens, em vez de pequenos pedaços de argumentos soltos.

Pessoalmente, adoro este foco em personagens que são muitas vezes relegadas para um canto devoluto do lore “batmaniano”. Vemos Nightwing, Batgirl e outros imbuídos na narrativa principal, por vezes até ligados a personagens, tal como nos filmes (Mr. Freeze e Batgirl, por exemplo – “Batman & Robin”).

Comparando com quase todos os outros jogos da editora Telltale Games, Lego Batman: Legacy of the Dark Knight tem menos de uma dúzia de personagens jogáveis, bem longe das centenas de outros jogos do estilo. Mas não fiquem tristes, pois estas têm habilidades e características diferentes, que serão essenciais para completar diversos puzzles. Assim, sabemos facilmente quem é que tem uma característica específica. Utilidade acima da customização.

Rocksteady, estás aí?

O sistema de combate aproxima-se muito aos da saga Batman pela Rocksteady, mas obviamente simplificada para uma experiência mais simplista, pois não podemos esquecer o público-alvo essencial destes jogos. Esmurrar e pontapear, disparar armas, contra-atacar, desviar e aplicar finishers, tudo num lindo bailado cheio de peças de Lego espalhados por todo o ecrã. Sublime.

Temos também a vertente stealth, que na minha opinião é a que funciona menos bem, com pouco desafio. Todas esta novas adições trazem mais variedade e sabor ao habitual combate destas obras, que é simplesmente um esmagar de botão até que todos os inimigos desapareçam. Claro que não vem revolucionar nada, mas esta versão de combate altamente influenciada pela Rocksteady torna tudo bem mais interessante.

Menos é mais… Que acaba por ser menos

O crime está em todo o lado em Gotham. A história principal vai alternando entre níveis mais tradicionais e pequenas sequências de perseguição, recuperação e/ou procura de itens, charadas do Riddler…. Há sempre muito para fazer. Níveis fazem parte de capítulos mais longos. Não poucas as vezes Lego Batman: Legacy of the Dark Knight homenageia o seu material de origem: os filmes. Todas as peripécias patetas entre heróis, vilões e a singularidade de misturar eventos que aconteceram nos filmes com uma roupagem leve, divertida e cheia de humor básico e físico, que me faz soltar um esgar de alegria de miúdo pequeno. Batman e Gordon a entrar no armazém de peixe do Falcone a dançar disparatadamente, o Batman de 1989, com a icónica cena de destruição do museu ao som de “Partyman” de Prince… Pequenos exemplos que há aqui material para toda a gente, incluindo quem espera fan service.

Esta mistura entre iconografia do legado Batman e as tontices constantes típicas destas obras são equilibradas. Não teremos uma história super consistente, cheia de sumo e com uma estória que nos agarre por aí além, mas faz o que é suposto. Bem vistas as coisas, não serão muitos os que estavam à espera de algo altamente guiado pela narrativa.

Também as atividades de mundo aberto não são muito entusiasmantes. Malta que adora meter os certinhos nas listas de compras vai adorar este jogo. Há imenso que fazer, embora comparando com outros jogos Lego, este é mais comedido. Encontrar animais do zoo, deslindar as adivinhas do Riddler, encontrar cofres com itens, tudo serve para limpar o palato entre missões principais. Também as recompensas para desbravar tudo ao nosso encontro não são as mais atrativas, a não ser que tenham o sonho de ser decoradores de interiores de cavernas: o “dinheiro” obtido apenas compra coisas para decorar o quartel-general dos nossos heróis. Até as sempre desejadas peças vermelhas, que sempre foram associadas nestes jogos à obtenção de elementos importantes, aqui foram reduzidos a cores para fatos ou veículos. Percebo que com menos personagens, há que incluir mais opções de customização, mas retira a vontade e excitação de encontrar estas peças raras.

Considerações finais

Lego Batman: Legacy of the Dark Knight é claramente um passo em frente na fórmula da franquia, cortando as suas gordurinhas que impediam qualquer pessoa sã de o completar na sua plenitude. A narrativa, apesar de um pouco genérica, relata de forma divertida boa parte de todo o universo do Cavaleiro das Trevas, com referências inteligentes aos comics, passando também pelos diversos filmes. Com o piscar de olho no combate a outras obras que o influenciaram, é quase obrigatória aos fãs do nosso morceguinho a chamada ao bat-sinal da TellTale.

nota 4

Lego Batman: Legacy of the Dark Knight honra o seu legado, brincando com ele, como só a TellTale Games o sabe fazer.


+ Gotham peça a peça
+ Combate rockstediano
+ Humor inegável

– Missões secundárias
– Customização estéril