Google Pixel 11 em Frost, visto de frente e de trás
Fonte: Google

Google Pixel 11, Pixel 11 Pro e Pixel Watch 5: A Google quer que olhem menos para os ecrãs

Chegou aquela altura do ano em que a Google apresenta novos equipamentos Pixel e tenta convencer-nos de que precisamos de trocar o telemóvel que ainda funciona perfeitamente. Desta vez temos o Google Pixel 11, o Pixel 11 Pro e Pro XL e ainda o novo Pixel Watch 5. Há ecrãs mais brilhantes, câmaras melhoradas, baterias maiores e, claro, Inteligência Artificial em praticamente todo o lado.

No entanto, a ideia mais interessante desta geração não passa apenas por números. A Google parece querer que os seus equipamentos sejam mais úteis precisamente para que passemos menos tempo a utilizá-los. Parece contraditório? Talvez. Mas essa intenção está presente no novo HiLight dos modelos Pro, na assistência proativa do Gemini e até na forma como o Pixel Watch 5 tenta mostrar informação antes de termos de a procurar.

Google Pixel 11. Três câmaras e um sensor principal maior

O Google Pixel 11 mantém o formato compacto de 6,3 polegadas e traz um ecrã OLED Actua com taxa de atualização entre 60 e 120 Hz e brilho máximo anunciado de 3000 nits. A Google diz ter reduzido a espessura da barra da câmara em 40% e o equipamento pesa 197 gramas.

Na traseira encontramos novamente três câmaras, mas com um novo sensor principal de 48 MP que, segundo a Google, oferece mais 56% de sensibilidade à luz do que o usado no Pixel 10. A acompanhar esta câmara estão uma ultrawide de 13 MP e uma teleobjetiva de 10,8 MP com zoom ótico de 5x. O Super Zoom chega aos 30x, embora aqui já estejamos naturalmente dependentes do processamento de imagem.

O telemóvel chega com o novo Tensor G6, o coprocessador de segurança Titan M3, 256 ou 512 GB de armazenamento e Android 17. A Google promete mais de 30 horas de autonomia para a bateria de 4985 mAh, carregamento até 55% em cerca de 30 minutos com um carregador compatível de 30 W (vendido em separado) e carregamento Pixelsnap com certificação Qi2.2 até 25 W. Mantêm-se também os sete anos de atualizações do sistema operativo, segurança e novas funcionalidades Pixel.

Pixel 11 Pro: Uma luz para não olharem para o ecrã

Google Pixel 11 Pro e Pixel 11 Pro XL nas cores Canyon e Fog
Fonte: Google

Tal como aconteceu na geração do Pixel 10 Pro XL, os Pixel 11 Pro e Pixel 11 Pro XL voltam a ter ecrãs de 6,3 e 6,8 polegadas, respetivamente. Ambos usam painéis LTPO OLED Super Actua com taxa de atualização variável entre 1 e 120 Hz e conseguem atingir, segundo a marca, um brilho máximo de 3600 nits.

A novidade mais curiosa chama-se HiLight. Quando o telemóvel está virado para baixo, pequenas luzes LED em redor do flash podem indicar que um contacto importante está a ligar ou mostrar se o Gemini está a ouvir, pensar ou responder. Também é possível atribuir cores diferentes aos contactos favoritos. A Google diz que o sistema receberá mais funções ao longo do tempo, incluindo notificações de mensagens, o que significa que nem todas estarão necessariamente disponíveis no lançamento.

Nas câmaras temos um sensor principal de 50 MP, uma ultrawide de 48 MP e uma teleobjetiva de 48 MP com zoom ótico de 5x. A teleobjetiva usa agora um sensor maior, que a Google afirma ser 30% mais sensível à luz, e passa a permitir retratos a 5x. O Zoom Pro pode chegar aos 120x e a Visão Noturna promete captar imagens até 4,5 vezes mais depressa, mas estes continuam a ser resultados divulgados pela marca e que terão de ser testados no dia a dia.

O Pixel 11 Pro tem uma bateria de 4850 mAh e consegue carregar até 55% em cerca de 30 minutos. O Pro XL sobe para 5115 mAh e pode chegar aos 75% no mesmo período com um carregador compatível de 45 W. Nos dois casos, o Pixelsnap com Qi2.2 permite carregamento sem fios até 25 W.

Gemini está em todo o lado

Toda a família Pixel 11 usa o novo Tensor G6 e a versão mais recente do Gemini Nano. Segundo testes internos da Google, o processador permite navegar na Internet 25% mais depressa, abrir aplicações 15% mais rapidamente e executar determinadas tarefas de IA no equipamento até 3,5 vezes mais depressa, consumindo até 3,5 vezes menos energia do que o Tensor G5.

Mais interessante do que ganhar alguns segundos num teste será perceber se a chamada Gemini Intelligence consegue ser realmente útil. A promessa passa por cruzar informação entre aplicações, antecipar necessidades e reduzir tarefas com vários passos a uma sugestão pronta a usar. Como sempre acontece com o Gemini, algumas funcionalidades dependem do país, idioma, idade ou subscrição, e convém confirmar as respostas antes de confiar cegamente no assistente.

Pixel Watch 5. Gemini chega ainda mais perto

Google Pixel Watch 5 com mostrador Actua 360
Fonte: Google

O Google Pixel Watch 5 continua disponível em versões de 41 e 45 mm. O novo ecrã AMOLED Actua 360 chega aos 3000 nits, varia entre 1 e 60 Hz e mantém o formato curvo que já se tornou imagem de marca do relógio.

No interior encontramos o Snapdragon W5 Gen 2, 2 GB de RAM, 64 GB de armazenamento e Wear OS 7. A função Levantar para Falar permite chamar o Gemini sem tocar no relógio, enquanto o Num Relance apresenta informação contextual, como cartões de embarque ou as paragens que faltam numa viagem. A Google afirma ainda que algumas ações principais são agora processadas no próprio relógio, com menor latência e mesmo sem ligação à Internet.

A autonomia anunciada é de até 30 horas no modelo de 41 mm e 40 horas no de 45 mm, com o ecrã sempre ligado. Ambos conseguem chegar aos 50% de bateria em cerca de 15 minutos com a estação de carregamento rápido incluída e um transformador compatível, vendido em separado.

Mais saúde e um GPS muito mais preciso

O Pixel Watch 5 combina GPS de dupla frequência com aprendizagem automática, modelos 3D de edifícios e correções atmosféricas. Segundo a Google, o sistema consegue duplicar a precisão face ao Pixel Watch 4 em condições difíceis. É uma afirmação baseada em testes internos, por isso teremos de esperar por testes independentes para perceber a diferença real.

Também existem melhorias no acompanhamento do sono, com fases alegadamente 15% mais precisas e um Smart Wake que procura o momento de sono mais leve nos 30 minutos anteriores ao alarme. O novo Health Guardian deverá ainda criar resumos mensais sobre tendências da tensão arterial, qualidade da respiração durante o sono e resistência à insulina.

Os novos resumos mensais chegarão mais tarde e a sua disponibilidade pode variar conforme o país. Servem apenas para informação e bem-estar: não fazem diagnósticos nem substituem um médico ou equipamento clínico. A Google anunciou ainda a Deteção de Emergência Respiratória, com lançamento inicial em mercados europeus, capaz de contactar os serviços de emergência quando deteta uma queda grave e persistente na saturação de oxigénio e o utilizador não responde.

Preços e disponibilidade em Portugal

Os novos equipamentos já podem ser pré-encomendados e chegam às lojas portuguesas a 20 de agosto:

  • Google Pixel 11 – desde 1.019 euros
  • Google Pixel 11 Pro – desde 1.219 euros
  • Google Pixel 11 Pro XL – desde 1.429 euros
  • Google Pixel Watch 5 de 41 mm – desde 419 euros
  • Google Pixel Watch 5 de 45 mm – desde 449 euros

Uma geração menos preocupada com números?

Seria injusto dizer que a Google ignorou as especificações. Os ecrãs estão mais brilhantes, as câmaras foram melhoradas, o carregamento está mais rápido e o Tensor G6 promete dar um salto importante no processamento de IA. Ainda assim, a história mais interessante desta geração parece ser outra: criar equipamentos capazes de ajudar sem exigirem constantemente a nossa atenção.

O HiLight pode permitir deixar o telemóvel virado para baixo sem receio de perder uma chamada importante. O Pixel Watch 5 quer mostrar a informação certa antes de a procurarmos. E o Gemini tenta transformar vários passos numa única ação. É uma boa ideia, mas o sucesso dependerá menos da apresentação e mais da forma como tudo funciona fora dos vídeos promocionais.

Teremos de testar estes equipamentos no dia a dia para perceber se a Google conseguiu realmente tornar a tecnologia menos intrusiva. Se o resultado for abrir menos vezes o telemóvel apenas para ver as horas e acabar 20 minutos no Instagram sem saber muito bem como lá fomos parar, já será um bom começo.