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Back 4 Blood – Análise

Para princípio de conversa, um alerta importante: esta análise é escrita por um novato nas lides de jogos de tiros e de sobrevivência. Na realidade, entrar no mundo de Back 4 Blood, da Turtle Rock Studios, soava a apocalipse, daqueles que nos exige deixar a humanidade para trás, olhando apenas para a sobrevivência.

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De facto, a sobrevivência esteve sempre à flor da pele como prioridade. Já a humanidade, ficou por aqui, porque a diversão nunca parou.

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Zombies não: Riddens

A minha primeira preocupação, como newbie de FPS, fora a potencial complexidade dos sistemas e foi muito refrescante ver que Back 4 Blood é, na sua essência, bastante simples. Escolhemos uma de quatro personagens, podemos jogar a solo ou com mais três amigos em co-op e avançamos por várias missões.

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De cada vez que começamos uma missão, podemos escolher de várias cartas aleatórias para colocar no nosso deck. Não, não é para jogarmos por turnos, com muita pena minha. É, na realidade, a estratégia da Turtle Rock para mascarar um sistema de progressão mais clássico e ramificado numa lógica de deck-building: Ao longo do jogo, desbloqueamos várias cartas que podemos combinar no nosso deck de acordo com a forma como nos sentimos mais confortáveis a jogar.

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Para os colecionadores e jogadores que queiram experimentar as dificuldades mais exigentes (podem ir de Recruit até Nightmare), é um bom sistema para vos dar a maleabilidade estratégica necessária para testarem várias soluções e builds para o jogo. Se forem como eu e só quiserem disparar, no entanto, pode tornar-se algo complexo, principalmente se a experiência com este tipo de sistemas for baixa.

Left 4 Dead 3?

Tratemos do elefante morto-vivo na sala. Se jogaram algum título da saga Left 4 Dead, vão sentir-se imediatamente em casa com Back 4 Blood. Não é obra do acaso, são ambos da mesma produtora e, embora a marca tenha ficado com a Valve, a alma da saga manteve-se, claramente, com a Turtle Rock Studios. Podemos escolher entre várias personagens dum grupo de sobreviventes e somos convidados a disparar sobre hordas de Riddens a partir, provavelmente, dos primeiros 5 segundos de jogo.

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Daqui, a adrenalina e o ritmo de jogo vão escalando, à medida que somos apresentados às versões mais avançadas de inimigos, desde os assustadoramente rápidos Stinger, até aos robustos Tallboy. Os cenários e situações acabam também por testar as capacidades de cooperação com os nossos amigos, principalmente tendo em conta a curva ascendente da dificuldade.

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Porém, estarão numa constante tão bem temporizada de acção, estratégia, recuperação, acção, estratégia, recuperação, que provavelmente não notarão esse crescimento mais repentino. Sobretudo, se estiverem com camaradas de armas mais experientes. É neste ponto que o tom do jogo entra e nos ajuda a entrar num espírito menos Walking Dead e The Last of Us e mais Zombieland. O humor permeia cada momento da… enfim, “história”, se lhe podemos sequer atribuir esse adjetivo.

É suposto não nos levarmos a sério nem as missões que nos são colocadas à frente, o que ajuda a relativizar alguns momentos mais absurdos e, sinceramente? A desfrutar mais deles. Sabe bem entrar num mundo virtual onde a única premissa é divertirmo-nos com amigos.

Com alguma ajuda dos nossos amigos

Do ponto de vista de quem não tem intimidade nenhuma com FPS, Back 4 Blood fez-me sentir sempre satisfeito. Seja na mobilidade e na míriade de objetos secundários que me ajudam a diversificar as minhas acções, como nas várias armas – e sublinhe-se, são mesmo muitas – que vamos encontrando ao longo de cada missão, tudo me soube… bem? É estranho usar um adjectivo tão positivo para um universo onde somos convidados a dizimar centenas do que, outrora, foram seres humanos.

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Mas todas as armas davam prazer na sua utilização. Das pistolas para inimigos mais frágeis, às espingardas e metralhadoras, tudo soa e reage de forma prazerosa (lá está o adjetivo outra vez). O dano é satisfatório, a física da mira e dos próprios disparos são satisfatórios e a diversidade de upgrades a cada arma espalhados, aleatoriamente, pelos níveis, ajudam-nos a ir melhorando e experimentando com os vários utensílios. Ou, se preferirem uma experiência mais Halo, ir trocando constantemente de arma consoante a situação.

Era interessante os upgrades poderem ser desmontados das armas, mas infelizmente, a única forma de alterarem uma melhoria que não tenha resultado tão bem é descartar a arma ou encontrar outro upgrade que vos permita substituir o inicial. É um detalhe, é certo, mas em momentos mais intensos, encurralados por Riddens e com os vossos amigos a precisar de apoio, estarmos obrigados a utilizar um upgrade pouco conveniente desmancha um pouco a experiência e torna a dificuldade mais artificial.

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E este é, se calhar, o ponto mais importante para retirarem o máximo prazer de Back 4 Blood: joguem com amigos. Joguei-o sozinho com a consola a assumir os destinos das restantes personagens e muita da adrenalina e microhistórias que se criam com quem joga connosco perdem-se. Sem essa camada, todas as atividades e mecânicas tornam-se bem mais maçudas e… aborrecidas.

Considerações Finais

Back 4 Blood está, quanto ao desempenho, naquele misto entre duas gerações – dá para jogar numa Xbox One e numa Playstation 4, mas se o poderem fazer numa Xbox Series X/S ou numa Playstation 5, os 60fps e os gráficos vão tornar a experiência muito mais dinâmica. E neste caso, os FPS farão toda a diferença.

No fim do dia, saí deste mundo surpreendido. Os tempos dos jogos de sofá, que reuniam os amigos do bairro e da escola em sessões altamente competitivas, ficaram para trás. Contudo, a fórmula co-op de Back 4 Blood, com os seus sistemas mais focados na diversão imediata e sem grande preparação prévia. levam-nos muito perto nessa viagem pelo tempo.

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E se, porventura, tiverem uma subscrição Xbox Game Pass, este é o jogo perfeito para convencerem os vossos amigos a juntar-se. É diversão garantida, rápida e que, se usarem a vossa imaginação com muita força, vos vai levar até ao vosso quarto de adolescente, com os doces e refrigerantes da altura.

Jogá-lo sozinho, apesar de tudo, sabe ao mesmo que um hambúrguer grelhado, simples, no pão: não é mau, mas falta-lhe a cebola, os vegetais, o molho, os condimentos: o sabor.


+ Experiência de jogo intensa e imediata
+ Foco na diversão para qualquer tipo de jogador
+ Sistema de progressão complexo para fãs experientes

– Experiência menos boa quando jogada a solo
– Pouca maleabilidade na utilização de upgrades

N.R.: A análise a Back 4 Blood foi realizada numa Xbox Series X com acesso a uma cópia do jogo gentilmente cedida pela UpLoad Distribution.

O Future Behind em "Dark Mode"