King of Fighters XV

King of Fighters XV – Análise

Se foram fãs de jogos de luta nos anos 90, provavelmente estavam num de dois campos: ou pela Capcom, ou pela SNK. A cultura popular ergueu Street Fighter e Tekken como as franquias mais reconhecidas, mas a riqueza histórica de King of Fighters, a saga da SNK, manteve-se sempre influente mecânica e historicamente.

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Porém, em 2022 a arena não é a dois. À quinta iteração mainline (se descontarmos os Alpha) de Street Fighter, juntam-se Tekken 7, Guilty Gear Strive, Mortal Kombat 11, acompanhados por títulos mais arcada, como Dragon Ball FighterZ ou de arena, como Super Smash Bros Ultimate. A pergunta central desta análise é simples: há ainda espaço para um King of Fighters?

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Round 1

A primeira característica tradicional de King of Fighters e que exigirá uma preparação prévia é o formato de combate. Desenrola-se com equipas de 3 elementos cada, mas sem nenhum elemento de substituição. A exigência sobe quase de imediato relativamente à concorrência porque, no mínimo, precisamos de dominar de forma extensiva o estilo de combate de três tipos de personagens diferentes.

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A vertente estratégica é aplicada na ordem que escolhemos para cada um, tendo em conta a equipa adversária e a ordem pela qual cada combatente é lançado. Se alguma vez jogaram um KOF, então estarão em casa aqui também. Caso este seja o vosso primeiro, saibam que à medida que vão perdendo etapas, a vossa barra de especial aumenta, o que significa que o vosso último combatente terá acesso a uma maior variedade e possibilidade de golpes especiais.

Este elemento estratégico é clássico da saga e mantém-se de boa saúde em KOF XV, o que em determinados embates produz reviravoltas entusiasmantes e torna cada momento do combate mais estratégico que o habitual. Por outro lado, cada combate é, também, mais desgastante e complexo, obrigando o jogador a abordar os como mini-partidas.

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Mecanicamente, KOF XV utiliza um sistema de quatro botões para golpes leves e pesados, acrescentando-lhe a possibilidade de se esquivarem de projéteis ou encurtarem distâncias rapidamente através de uma cambalhota, e um sistema de auto-combos que fará, provavelmente, as agruras dos mais puristas deste tipo de jogos. Para casuais como eu, no entanto, é uma excelente forma de não nos sentirmos perante uma montanha absolutamente intransponível.

Round 2

Mas há mais: através do Shatter Strike, conseguem, sob pena da vossa própria vulnerabilidade, atingir o vosso adversário e deixá-lo sem reação para que possam prolongar um combo – muito semelhante aos Focus Attacks de Street Fighter IV, na realidade. Para além da sua vertente ofensiva, abre um leque estratégico defensivo diferente e abrangente a todas as personagens, acrescentando mais um elemento dinâmico a um sistema de combate já por si altamente complexo.

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Por outro lado, o MAX Mode dá-nos uma janela de melhoramento do nosso output de dano, sob pena de perdermos duas barras inteiras do nosso meter. É, claramente, uma opção de grande risco mas também de grande sucesso, se correr bem. Não se preocupem, no entanto, que os EX Specials, os golpes especiais de cada personagem, podem ser desempenhados fora deste modo e utilizam, apenas, metade da vossa barra de meter.

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Para a vossa estratégia, contam com um grupo de 39 personagens de algumas das franquias mais populares da SNK. Aos clássicos Terry Bogart ou Joe Higashi, juntam-se algumas caras novas: Dolores, uma psíquica capaz de manipular lama para deter e atacar inimigos à distância, Isla, uma graffiter com mãos voadoras que golpeiam por ela e por fim, Krhonen, capaz de utilizar elementos mecânicos para atacar corpo-a-corpo e criar distância.

Embora pequeno para um elenco normal de King of Fighters, é decididamente um elenco grande para os restantes jogos no mercado. É um ponto que, confesso, gostava de ver mais títulos a embarcar, embora perceba o lucro inerente ao modelo de DLCs atual.

Final Round

Se forem fãs dos modos de campanha de outros títulos de luta, como os Tekken da era PSX, ou os mais recentes Mortal Kombat, preparem-se para uma desilusão. King of Fighters XV toma uma decisão consciente, privilegiando a sua comunidade competitiva em detrimento de um modo singular mais robusto.

Isto porque o modo tutorial ensina… bom, o mais correcto é dizer que indica as mecânicas existentes, sem tentar contextualizá-las ou ensinar as suas reais utilidades, enquanto que o modo história é apenas um modo arcada com uma ou duas cutscenes sem grande ligação, um boss pouco equilibrado e injusto e uma cutscene final.

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Se nos anos 90, esta era a norma, nõa se justifica tão pouco investimento num elemento que pode ajudar novos jogadores a ambientarem-se com as personagens, o universo e as mecânicas existentes. Fora isto, a estrela é decididamente o modo online. São várias opções, customizáveis para cada tipo de evento online que queiramos criar. Podem criar um lobby privado, com as vossas próprias queues, espectadores e regras, perfeito para a componente de esports.

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É também possível definir o vosso próprio local de treino, online, onde podem convidar um amigo a treinar convosco. Podem, ainda, ver replays de jogos por personagem, para aprenderem novas técnicas e estratégias, sem descontar, naturalmente, os combates a contar para o rank e os combates casuais.

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Não encontrei problemas de lag nem de atribuição de adversários, foi sempre uma experiência justa, ainda que algo penalizadora para um novato em KOF – era notória a intimidade dos participantes nos combates online, mesmo nos ranks mais baixos, aplicando mecânicas e combinações mais avançadas que nos impediram de avançar muito.

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Considerações Finais

Graficamente, não estamos convencidos. Não é que seja um jogo feio – muito pelo contrário – mas o estilo 3D retira, no nosso entender, muito do charme e beleza artística que o pixel art ultra detalhado de outras iterações continha. Fora já uma decisão no KOF XIV, infelizmente, para ficar.

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King of Fighters XV não é para todos. Tal como as artes marciais em que se inspira, exige disciplina e entrega por parte de quem decidir entrar neste título da SNK. Porém, o retorno é igualmente complexo e satisfatório, por vos dar a certeza absoluta que, quando ultrapassam um adversário, é pela vossa técnica e estratégia, sentimento que por vezes está ausente de outros colossos da indústria.


+ Vertente estratégica muito boa
+ Opções de escolha de personagens muito alargadas
+ Componente online bem desenvolvida

– Estilo gráfico generalista e pouco interessante
– Exigência alta para novatos na série
– Fraca diversidade de modos offline

N.R.: A análise a King of Fighters XV foi realizada numa Xbox Series X com acesso a uma cópia do jogo cedida pela EcoPlay

O Future Behind em "Dark Mode"