Live A Live

Live A Live – Análise

Na velhinha Super Famicom foi lançado no Japão há 28 anos um jogo que se tornou por lá um clássico do género JPRG. Como tudo o que é diferente e não se encaixava naquilo que era considerado normal para a época, acabou por não ser um grande êxito de vendas e fez com que nunca tivesse sido localizado cá para os nossos lados.

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Quase três décadas depois, Live A Live tem direito a um remake na Nintendo Switch, com roupagem HD-2D que a Square Enix tão bem usou em Octopath Traveller e mais recentemente em Triangle Strategy.

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A soma de diferentes partes

Descrever Live A Live tem muito que se lhe diga. Ora bem, estamos perante um jogo com jogos dentro. Mais propriamente oito. Cada um destes jogos tem estórias, sons e mecânicas distintas, unindo-se num culminar bastante surpreendente. Cada um destes jogos, que podem demorar entre 3 a 5 horas a serem completados, representam uma era cronológica da evolução humana. Temos a Pré-História, cheia de comunicação por sons e demasiadas piadas sobre dejetos humanos e vamos até a um Futuro Longíquo embrenhado em tecnologia.

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Não vos vou aborrecer com cada uma das eras/estórias. Mas digo-vos que cada uma delas se joga de forma diferente e sentimo-las especiais, únicas. O facto do jogo original ter já este propósito demonstra que Live A Live tem capacidade para rivalizar com outros monstros do JPRG, tais como Final Fantasy Tactics ou Chrono Cross. A ligação de todos este elementos tão diferentes é uma belíssima amálgama de coisas impossíveis de antecipar mas que acabam por fazer sentido. È digno de chamar a quem projetou esta aventura uns verdadeiros loucos desmedidos de aspiração e inspiração. Nunca nos podemos esquecer que o original sai para a Super Famicom!

Combate grelhado

Talvez uma das poucas coisas que une todos estes mundos de Live A Live é o sistema de combate. Aliados e inimigos colocados numa grelha de sete por sete quadrados, onde cada um se pode movimentar livremente. Mas cada um desses movimentos irá permitir que cada inimigo se possa mexer também e que o tempo de tomar por sua vez a iniciativa se aproxime vertiginosamente do fim. Digamos que a cada mini-jogo diferente há que nos adaptar ao alcance de cada ataque que lançamos ou podemos receber. O equilíbrio entre ataque e defesa, infligir dano perto ou à distância, se devemos passar a vez ou consumir um item, tudo isto torna esta forma de combate fácil de perceber e difícil de dominar.

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Os padrões de cada ataque são muito diversos e por vezes completamente aleatórios. Parecem criar uma espécie de jogo de xadrez onde as peças se movem sob o jugo de um praticante louco que subverte todas as regras e movimentações. Isso faz com que o planeamento se torne muito difícil, principalmente quando se muda de mini-jogo e todos os inimigos têm novos padrões para memorizar.

O grinding tinha que estar presente, ou não fosse a obra original do tempo em que passar horas e horas a subir de nível era considerada a norma. É necessário algum empenho na tarefa para eliminar alguns dos bosses de cada jogo, com algumas personagens a partirem do nível um e outras do nível dez, o mais alto permitido.

Mas fica a ressalva: Live A Live não é um JPRG difícil e com muito grind necessário… Até se unificarem as estórias. A partir desse momento, há uma curva de dificuldade muito acentuada. Podemos pensar que temos um homem das cavernas, um cowboy ou um samurai com um poder desmesurado, até serem completamente estrilhaçados pelo primeiro adversário desta nova fase.

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Este remake tem um ponto que é meio contra natura para os fãs de JPRG’s: a sua duração. Live a Live acaba por ser um jogo relativamente curto, apesar de todo a sua génese variada poder indicar o contrário.

Ficam avisados. Para estes pontos e para muitos e muitos encontros aleatórios. Muitos.

A homenagem merecida

O jogo original acabou por sofrer algumas mudanças específicas que o melhoraram, sem dúvida. Lembro-me de experimentar uma tradução de fãs há muitos anos deste jogo e apesar de não desvirtuar muito a experiência, via-se que era um produto do suor de amadores amantes da obra. A Square Enix acabou por não mexer muito no argumento da versão japonesa, mas nota-se alguma americanização da versão em inglês. Algumas piadas reescritas e partes da estória com um novo sabor e atrevimento que não estavam  no original. E resultou muito bem. Até a própria voz americana de todos os intervenientes está muito bem conseguida. E não costumo ser fã delas.

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Se pensarmos bem, toda a experiência que é Live A Live e o carinho e empenho que lhe foi dado pela gigante Square Enix não deixa de surpreender, tendo em conta que poderia ser uma aposta completamente ao lado. Tudo foi adptado para tornar esta obra atual mas sem querer adulterar o que tinha sido feito. Assim sendo, os modelos das personagens e dos planos de fundo e até a perspetiva da câmara foram modificados. Foram adicionadas cut-scenes que permitiram ter vislumbres de alguma cinematografia pixelizada meio batida e vista, mas há que elogiar a aposta.

O compositor original Yoko Shinomura veio atualizar a sua obra para ouvidos do século XXI e adaptou na perfeição cada uma das eras ao seu formato fonológico. Música de western com assobio queimado pelo sol? Temos. O bater de ossos ritmados na Pré-História. Há por aqui. E não esquecer a incrível batida da música do combate dos bosses que roda aqui por casa pelas manhãs de férias.

patreon

Considerações finais

Live A Live podia ser um tremendo falhanço, dando razão a quem se negou a localizá-lo há muitos anos atrás. Há algo que vai certamente agradar a cada um dos perfis de jogadores atuais. Certamente todos vão gostar mais de algumas partes do que outras, mas a a sua maior valia é claramente a forma como se unem visões e eras de uma forma tão bem conseguida e sem parecer demasiado forçada.

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O amor e o tempo consagrado para o trazer até aos nossos dias, com tantas nuances e pequenas alterações que não maltratam a sua herança é o maior elogio que se pode fazer aos seus produtores.  Não é perfeito, mas faz muita coisa bem e vai proporcionar horas de divertimento puro, com estórias surpreendentes e visuais enriquecedores do original.

nota 5 recomendado
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Live A Live é uma garrafa de vinho velha que depois de limpa e aberta surpreende os mais desconfiados. Abram e bebam, à confiança.  


+ Variedade, variedade, variedade!
+ Visuais e sons
+ Combate intrincado

– Grinding desfasado da fase inicial

N.R.: A análise a Live a Live foi realizada numa Nintendo Switch com acesso a uma cópia do jogo cedida pela Nintendo Portugal.

O Future Behind em "Dark Mode"