Pokémon Brilliant Diamond Pokémon shinning pearl

Pokémon Brilliant Diamond – Análise

Jogo Pokémon desde 1998, ou 1999. Não sei precisar o ano. Pokémon Diamond e Pearl ocupam, desde a primeira vez que os joguei, um lugar destacado no meu pódio de experiências favoritas na saga, ao lado de Heartgold & Soulsilver e Black & White.

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A Game Freak e, mais especificamente, a ILCA, só precisavam de fazer uma coisa para que Pokémon Brilliant Diamond e Shiny Pearl corressem bem: respeitar o jogo original. E se por um lado, os valores de produção deixam muito a desejar na maior parte dos casos, o coração é o da quarta geração, com tudo o que se melhorou até lá. Portanto, e para começar a análise, uma declaração de intenções. Pokémon Brilliant Diamond & Pokémon Shining Pearl é um melhor jogo de Pokémon que Sword & Shield.

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Sinnoh, Terra de Mistérios

Regressamos a Sinnoh pela primeira vez em mais de 10 anos para reviver aquela que fora a quarta aventura principal de Pokémon. A história explica-se em traços muito gerais, aliás. Jovem parte à aventura com o seu primeiro Pokémon, descobre a sua região enquanto recolhe crachás e impede uma equipa de criminosos de utilizar Dialga e Palkia, Pokémon lendários que controlam o Tempo e o Espaço, para criar um mundo novo.

Se partiam para estes remakes à espera de alterações no enredo ou uma aproximação à história melhor explorada em Platinum, esqueçam. A filosofia de design de Pokémon, nesta fase, estava ainda focada na aventura ambiental – as histórias e os mitos que descobrimos não nos são dados através da narrativa principal, mas sim através da nossa curiosidade e exploração.

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Sinnoh é, aliás, uma região altamente mística, baseada na ilha japonesa de Hokkaido. A forma como o mapa é delimitado pelo Mount Coronet, a grande estrutura rochosa no centro do jogo, permite-nos ter vários microclimas diferentes e uma noção mais real de diferentes culturas, em comparação por exemplo com Hoenn ou Galar. Marca, também, o último mapa a premiar a exploração não-linear na saga.

Isto porque, a partir da quinta geração, o progresso passou a ser muito mais linear, com pequenas áreas secundárias ao lado das estradas principais. Em Sinnoh ainda podemos explorar várias cavernas, lagos e montanhas fora do caminho principal para podermos descobrir Pokémon, itens e TMs especiais. Nunca sentimos que o tempo dedicado a sair do caminho é perdido e a recompensa é sempre adequada.

Claro que isto não é novidade para quem jogou Diamond e Pearl, porque o jogo é, essencialmente, o mesmo. Os itens estão todos no mesmo local, na maioria dos casos, pelo que se a vossa memória não vos atraiçoar, poderão reencontrá-los. É um caso de “em equipa vencedora não se mexe”, até porque a exploração fora uma das vertentes mais elogiadas dos originais e, em 2021, acaba por ser refrescante regressar a um Pokémon que nos incentiva a isso.

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Por outro lado, e porque a experiência em termos de cenários é essencialmente a mesma, também podemos esquecer os infernais tutoriais de 5 em 5 minutos das iterações mais recentes da saga. De tal forma que, quando de facto surgem, como no caso do renovado Grand Underground, são muito bem-vindos, não acusando desgaste nem faz com que nos sintamos apenas a ler díalogo e diálogo que poderia perfeitamente ser descoberto com jogabilidade.

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Escavadoras e Pokémon

E o Grand Underground é, talvez, a maior mudança versus os originais. Nesta versão do subterrâneo de Sinnoh, podemos, para além de escavar fósseis, pedras de evolução e pedras preciosas que podemos trocar por TMs e itens de combate, criar a nossa Secret Base e procurar Pokémon fora do Dex regional.

A maior parte dos casos são os Pokémon que estavam na distribuição de Platinum, o que acaba por ser uma solução muito elegante para manter a distribuição de Diamond e Pearl (manifestamente pobre e um dos piores pontos do original) nas zonas normais, mas dando também a possibilidade de apanharmos Pokémon como Houndour, uma alternativa à Ponyta, único Pokémon de fogo disponível até o post-game.

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Nele encerra, também, uma outra mecânica interessante de desbloqueio de Pokémon e de níveis. Isto porque os níveis e o tipo de Pokémon que encontramos neste modo variam consoante o número de HMs, crachás e tipo de sala. Sim, porque o Grand Underground é uma rede enorme de corredores e salas que possuem variados biomas, desde as cavernas arenosas a salas repletas de cristais e a pequenos oásis. Os Pokémon variam de sala para sala, bem como através da utilização de estátuas especiais que desbloqueamos ao longo da nossa exploração na Grand Underground.

Este sistema faz com que, por um lado, potenciais sessões de grind tenham limites de acordo com o ponto onde estamos no jogo, para não desequilibrar demasiado a balança, mas por outro, possamos focar mais a nossa atenção na captura e nivelamento de várias espécies de Pokémon sem estarmos limitados aos poucos disponíveis no mundo normal.

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E falando em nivelamento… sim, o Exp.Share é mandatório e não se consegue desactivar. A mecânica implementada passa por dar uma fatia maior de experiência aos Pokémon que estiveram envolvidos no combate, versus os que não estiveram. Porém, vão certamente perceber que, enquanto estiverem a passar a história e a colecionar crachás, a menos que troquem constantemente de equipa, estarão sempre uns níveis acima dos líderes de ginásio.

Existe uma enorme controvérsia, na comunidade Pokémon, sobre se este facto torna o jogo demasiado fácil. E a resposta é… nim. Como em tudo, depende muito dos Pokémon utilizados. Se jogarem com uma equipa composta por Silcoon, Cascoon, Kricketune e Bidoof, então sim, não o torna mais fácil. Se jogarem com uma equipa equilibrada, no entanto, vão sentir a maior parte das batalhas a voar e o potencial para se sentirem cansados é maior.

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A exploração recebeu também uma melhoria fenomenal com o fim dos HMs obrigatórios – são agora apps no Pokétch, que podemos utilizar sem termos que, de facto, gastar uma slot no moveset dos nossos Pokémon. Podem dizer adeus ao Defog e ao Rock Climb que ocupavam aquele espaço desnecessário, ou ao Bidoof que vos acompanhava com HM Slave.

Contudo, a possibilidade de podermos, com menos penalizações, mudar elementos da equipa ou até, se for caso disso, ter alternativas niveladas para certos combates, é muito bem-vinda e faz todo o sentido. Até porque, ao contrário do que o discurso comum sugere, Pokémon Brilliant Diamond e Shiny Pearl não se torna muito fácil só por terem níveis muito mais altos.

O Tamanho (dos níveis) não importa

A quarta geração de Pokémon é, também, popular por ser a primeira geração com uma vertente competitiva mais estruturada. Pokémon enquanto esports nasce muito com a divisão daquilo que eram ataques especiais e ataques físicos por tipo de ataque e não por tipo de Pokémon, bem como um aumento dos movesets disponíveis para uma maior diversidade de estratégias que possam aplicar e ainda a componente online, que aproximou uma geração inteira de fãs de Pokémon através do Wi-Fi.

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E se Pokémon Diamond e Pearl não nos convida a explorar esse ponto em momento algum do jogo, reservando esse ponto para a Battle Tower… Pokémon Brilliant Diamond e Shiny Pearl são outra conversa. A quarta geração é também conhecida pela popular Cynthia, a campeã da liga de Sinnoh. Por um lado, graças ao design muito bem conseguido e interessante, mas também graças ao poderio da sua equipa.

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Até então, só Blue, o primeiro rival, tinha tido direito a ser campeão com uma equipa variada. A equipa de Cynthia é, provavelmente, a equipa mais diversa e competitiva de todos os campeões Pokémon. Contudo, nenhuma das suas forças era utilizada com sinergia, mantendo-se apenas num nível elevado e com movesets básicos. Com duas ou três alternativas mais niveladas, o desafio de Cynthia e da Elite Four torna-se redundante.

Foi com esta confiança que entrámos na Elite Four com uma equipa composta por Empoleon, Garchomp, Mew, Roserade, Honchrow e Luxray. Noutros jogos, daria perfeitamente para os gastos. Contudo, levámos um banho de humildade. Os níveis são equilibrados para os da nossa equipa, mas os EVs e, principalmente, as estratégias aplicadas são muito mais competitivas que o habitual.

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Cada treinador tem uma estratégia para a qual temos que preparar alternativas para a contrariar. Um desses casos é Flint, porque se no original, os movesets deixavam muito a desejar, neste caso, temos que enfrentar uma estratégia de Baton Pass: O Drifblim troca o original Double Team pelo Minimize, acrescentando o Strenght Sap. Ou seja, não só temos que enfrentar um Pokémon super robusto, como ele tem a possibilidade de nos roubar ataque curando-se a si próprio, enquanto aumenta a sua capacidade de evasão e… utiliza o Baton Pass para passar todas estas alterações, geralmente, para o Infernape.

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E de repente, precisam de não só conseguir acertar num Infernape com vários níveis de Evasão elevada, como esqueçam a esperança de conseguir um one hit KO: Todos os Pokémon da Elite Four têm um item competitivo equipado e, no caso do Infernape, é um Focus Sash, o que significa que sobrevive sempre com 1 HP a um golpe fatal. O que, no caso, é o suficiente para limpar uma equipa.

Este é só um exemplo dos quatro treinadores que precisam de ultrapassar até chegar à campeã. Entrar mais nivelado não é a solução, desta vez, obrigando-nos a conhecer profundamente o jogo e a explorá-lo com maior afinco, para podermos criar uma estratégia mais equilibrada e que nos ajude a sobreviver.

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O aumento dos TMs disponíveis na loja de Veilstone é também uma boa nova, que sem este contexto pode soar apenas a facilitismo, mas que, sabendo que a Elite Four é de facto desafiante, ajuda-nos a escolher melhor e – pasmem-se! – a ter que utilizar componentes estratégicas e competitivas para acabar o jogo. O confronto final com Cynthia é o clímax e, arrisco-me a dizer, o melhor boss final da saga de sempre. Desta vez, o movepool está atualizado e altamente competitivo.

Cada Pokémon é otimizado e possui uma estratégia de acordo com as suas habilidades, obrigando-nos a pensar como vencer cada um deles especificamente. Lembram-se dos pesadelos com Garchomp? Boa sorte a sobreviver até lá, porque desta vez o Milotic vem com uma Flame Orb, ajudando-o a tirar partido da sua habilidade Marvel Scale, que aumenta a defesa em caso de estar com um efeito nocivo. Achavam que o Lucario precisava só de um Flamethrower? Trabalhem muito nos EVs de velocidade e ataque especial, porque vem equipado com um Wise Glasses e o Nasty Plot, tornando o seu ataque especial quase inalcançável.

E isto é apenas a fase normal. Porque depois de finalmente conseguirem vencer o jogo, para além de poderem explorar a ilha da Battle Tower e ter combates mais competitivos nessa secção, podem rebatalhar os líderes de ginásio, da Elite Four e a Cynthia com equipas melhoradas… e com níveis ainda maiores. É, finalmente, a ILCA a ouvir os pedidos da comunidade para uma experiência mais desafiante e que nos leva a ter ainda mais apreço pelo que Pokémon é, enquanto jogo.

Se fosse só isto, era facilmente um jogo de cinco estrelas. Contudo, precisamos de falar do desempenho.

As aparências iludem, mas chateiam.

Pokémon Brilliant Diamond e Shiny Pearl não são jogos bonitos. Ou otimizados, do ponto de vista gráfico. Percebe-se perfeitamente que, ou existiu pouco tempo de produção para aprimorar a maior parte das texturas, sofrendo o jogo dum complexo de copy-paste da maior parte dos ícones e ambientes, ou não houve investimento suficiente para torna-los polidos.

O movimento da nossa personagem é altamente errático, tanto no d-pad, onde apresenta sérios problemas de lag, como no analógico, não detetando corretamente, muitas das vezes, a física dos objetos que o rodeiam e se é, de facto, possível ou não passar por determinadas zonas.

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As animações dos Pokémon são também francamente pobres, num misto entre Let’s Go e SwSh, com o mínimo de movimento possível. Destaca-se, pela negativa, as “acções” quando se faz o Surf e o nosso Pokémon sai, numa posição estática, sem se mover, disparado para trás de uma onda, como se fosse um ícone a ser arrastado por um rato. A mecânica dos Pokémon que nos acompanham sofre do mesmo problema de pouco polimento, com modelos repletos de bugs nos movimentos, muitas vezes presos entre nós e o caminho de forma aleatória e com uma escala completamente desproporcional, tornando todos os Pokémon do mesmo tamanho, por vezes de forma absolutamente hilária.

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A música, no entanto, é mais um hit de Shota Kageyama, que arranja de forma sumptuosa alguns dos temas mais clássicos de toda a franquia. Eterna Forest é ainda mais mágica e bela nas suas mãos, enquanto que o tema da Elite Four está agora marcadamente distinto das batalhas de Ginásio e com uma clara diferenciação de instrumentos e do gravitas do momento no jogo. E é triste que assim seja.

Porque todo o conjunto artístico e mecânico do jogo maravilha e encanta, se o pudéssemos jogar de olhos fechados. Não o podendo – e não esquecendo que o update de day-one tinha alterações à cutscene final, pelo que o cartucho do jogo não contém a versão final do jogo – torna-se um exercício de abstração que nem sempre é possível.

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Nos combates mais intensos a estratégia e jogabilidade é tão boa que se torna fácil ignorar a preguiça nos cenários de combate e as texturas incompletas. Contudo, no resto do jogo, é complicado e prejudica o que é, na sua essência, uma melhoria do que já era um belíssimo título Pokémon.

Considerações Finais

No fim do dia, Pokémon Brilliant Diamond e Shiny Pearl ocupam um espaço muito especial na história da saga. Por elevarem, talvez, a jogabilidade ao pico da geração da DS, tanto em termos do desafio como da diversidade de soluções, mas também pelo que oferece no post game para satisfazer todos os colecionadores de Pokémon e os fãs do combate.

Uma visão a olho nu, em caso de escolha entre estes e os mais recentes Sword e Shield, poderão colocar as preferências nos títulos na região de Galar. Mas não se enganem: Estes remakes são superiores em todos os aspectos, menos na apresentação gráfica. Se Sword e Shield são pratos de haute cuisine, com uma apresentação aprimorada e criativa mas com uma ausência total de sabor, Brilliant Diamond e Shiny Pearl são aquele prato da nossa infância, com molho a transbordar dos vértices da louça, feio, com aspecto tosco, mas com um sabor divinal, que fica connosco para o resto da vida.

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Quero com isto dizer que sim: estes são os melhores jogos Pokémon dos últimos 10 anos e se são fãs da saga, são absolutamente indispensáveis. Se nunca jogaram um Pokémon, são também obrigatórios. A existir definição sobre o que torna um jogo Pokémon bom, é a sensação de maravilha, quando surge um Pokémon raro, quando enfrentamos um treinador e nos vemos quase de bicos nos pés a enfrentá-lo, ansioso para reformular a estratégia e estudar todas as formas de o conseguirmos vencer na próxima vez.


+ Escala de progressão equilibrada e desafiante
+ Mantém os mesmos beats do original e expande na jogabilidade
+ Banda-sonora arrepiante e post-game viciante

– Não poder contratar empregados a full-time
– Deficiência gráfica e má otimização do motor

N.R.: A análise a Pokémon Brilliant Diamond foi realizada numa Nintendo Switch com acesso a uma cópia do jogo gentilmente cedida pela Nintendo Portugal.

O Future Behind em "Dark Mode"