Game Dev Camp: o futuro dos videojogos portugueses nas nossas mãos

É o maior evento para programadores, artistas e gestores de videojogos em Portugal. Numa escala completamente diferente, é certo, mas é a Game Developers Conference ‘à portuguesa’. Ontem a sede da Microsoft em Portugal recebeu dezenas de pessoas que têm todas, pelo menos, um gosto em comum: o gaming.

Se ainda está naquela fase em que pensa que Portugal não tem uma comunidade de criadores de videojogos com uma presença significativa, talvez este vídeo ajude a mudar essa ideia:

O Game Dev Camp 2016 foi rico para quem quis aprender mais sobre videojogos. Tanto numa perspetiva técnica, como no contacto com exemplos de outros programadores portugueses e estrangeiros que têm conseguido vingar neste mercado que nunca é fácil para quem está a iniciar-se.

Mas mais numa perspetiva de jogador, o Game Dev Camp também foi uma boa oportunidade para experimentar aquele que pode ser – e em alguns casos será – o futuro dos videojogos em Portugal.




Encontramos jogos em estados de desenvolvimento completamente diferentes, desde os que estão prestes a ser lançados – Strikers Edge, Tale Wind Game – aos que foram até à GDC 2016 para recolher feedback sobre os seus primeiros trabalhos. Do que experimentámos ao longo do dia ficámos com a sensação de que existem projetos que querem de facto avançar num sentido mais comercial, enquanto outros aparentavam ser claramente projetos pessoais de programadores.

Mas há algo que parece certo: o ecossistema de videojogos portugueses está em movimento e de evento para evento continuam a surgir novas ideias de videojogos. Um elemento positivo e que não pode ser negado.

Um dos jogos que encontrámos já quase completo foi Super Nanny Sleepytime, uma produção do estúdio Space Pajamas. As pessoas que compõem o estúdio têm todos ‘habilidades’ diferentes e decidiram fazer um jogo no qual é preciso tomar conta de crianças que não querem ir para a cama.

O objetivo é usar uma almofada para as enviar a todas para dormir e para isso vale tudo, incluindo fazer um movimento especial que na prática é um mini-furacão para ‘varrer’ os mais novos.

O jogo começou por ser desenvolvido para computador, mas agora o principal objetivo da equipa é que Super Nanny Sleepytime chegue aos dispositivos móveis.

Quem estiver interessado pode experimentar uma versão alpha do jogo aqui.

Um outro jogo que deixou bons indicadores apesar de ainda estar num nível de desenvolvimento inicial foi Project Buds. Durante a experimentação o seu autor, Ricardo Toureiro, preferiu não adiantar muito sobre a história e o objetivo do jogo, preferindo que os visitantes fossem descobrindo por si próprios.

Mesmo depois de dez minutos a jogar Project Buds é difícil de descrever o jogo. Gostamos do estilo zen e ‘dark’ que o jogo aparenta ter e ficámos com a certeza de que é preciso usar ‘energia branca’ para trazermos alguma vida a este mundo quase sem cor.

No final ficamos com a sensação de que o objetivo era fazer crescer uma espécie de jardim, isto é, ir trazendo alguma vida a determinados elementos do nível para criarmos um ecossistema de vida autónomo e que nos ia permitindo desbravar mais terreno.

Ficamos à espera de mais novidades deste jogo.

Mais ou menos do mesmo patamar de desenvolvimento está o novo jogo do DreamStudios, um estúdio formado por três elementos: Pedro Barreto, João Barreto e Fábio Carvalho. Já são conhecidos por jogos como Guess What, mas desta vez estão a fazer um trabalho diferente.

O novo jogo da DreamStudios é um RPG de aventura, mas com inspirações claras em Paper Mario. O estilo dos bonecos em ‘folha de papel’ é algo diferente para o que costuma ser visto nos videojogos portugueses e mesmo sendo apenas uma demo alpha, o jogo já apresenta algum potencial. Já há uma pequena vila para explorar e também já está implementado parte do sistema de combate.



Ainda há muito a fazer e a equipa promete ter um projeto mais coeso pela altura do Lisbon Games Week, que caso a tradição se mantenha, deverá ocorrer no mês de novembro.

Exemplo do design dos níveis do novo jogo da DreamStudios. #Crédito: DreamStudios

Um dos jogos mais divertidos que experimentámos no Game Dev Camp 2016 foi Shutix, um jogo de tiros multiplayer um pouco ao estilo de Gunkatana. Cada nível pode ter um máximo de quatro personagens e todas elas têm armas com habilidades diferentes.

É preciso saber adaptar o estilo de jogo a cada uma destas personagens, mas as pessoas pareciam estar confortáveis com o jogo: é divertido, as rondas são rápidas de concretizar e ao longo do dia houve sempre gente agarrada aos quatros comandos que estavam disponíveis.

Hora após hora, Shutix esteve sempre com jogadores em frente ao computador prontos para um desafio multijogador. #Crédito: Future Behind

Um outro jogo que foi recebendo bons indicadores dos jogadores ao longo da tarde foi Entanglement, um trabalho de Filipe Baptista. Este é um jogo de puzzles no qual temos duas personagens que se movem ao mesmo tempo, mas em direções opostas. O objetivo é fazer com que as duas personagens fiquem diante da porta correspondente às suas cores, mas o que parece simples pode não ser tão fácil de concretizar.

No total havia mais de uma dezena de jogos em exposição e todos com estilos bastante diferentes, o que acaba por ser um ponto positivo pois mostra diversidade entre a comunidade de criadores de videojogos em Portugal.

Ficou prometida a realização de uma nova edição do Game Dev Camp em 2017, com os elementos da organização – Tiago Loureiro, Diogo Vasconcelos e Ricardo Flores – a dizerem que a próxima versão do evento vai ser realizada num formato renovado.

Rui da Rocha Ferreira: Fã incondicional do Movimento 37 do AlphaGo.
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