Vamos desenferrujar a PlayStation Vita

Esta semana a PlayStation Vita celebra o seu quinto aniversário. No dia 22 de fevereiro de 2012 chegava à Europa a segunda grande consola portátil da Sony Interactive Entertainment (SIE). A PS Vita até começou relativamente bem, mas dificilmente alguém conseguiria adivinhar o que viria a acontecer depois.

Antes da chegada à Europa, a PlayStation Vita tinha estreado nos EUA na semana anterior e no Japão já estava disponível desde o final de 2011. No dia 28 de fevereiro de 2012 a SIE anunciava ao mundo que a PlayStation Vita já tinha vendido 1,2 milhões de unidades. Dez meses após o seu lançamento, a Vita apresentava-se com quatro milhões de unidades vendidas.




Na altura estas vendas não foram vistas como positivas, antes pelo contrário – a título de comparação, a PlayStation Portable teve um começo muito mais forte e ao fim de dois anos já tinha perto de 25 milhões de unidades comercializadas. Aparentemente a questão das vendas começou a afetar a forma como a Sony olhava para a PS Vita.

Depois de um período inicial onde comprometeu-se a ter um grande número de jogos exclusivos, promessa essa que foi levemente cumprida, com o passar dos trimestres a Sony foi deixando de prestar atenção à Vita. Esta ‘saída de cena’ foi gradual e não foi anunciada com firmeza.

As desconfianças dos consumidores começaram a materializar-se em algo mais concreto durante a Electronic Entertainment Expo (E3) em 2014, na qual a Sony quase não referiu a PlayStation Vita durante a sua apresentação. Isto foi apenas dois anos depois do lançamento da consola.

No ano seguinte, em 2015, veio aquilo que nenhum dono de uma PlayStation Vita queria ouvir: a SIE não estava a produzir mais jogos para a consola. Ou seja, a empresa que desenvolveu o hardware e que em condições normais devia dar-lhe o maior dos suportes, foi na realidade uma das primeiras a ‘abandonar o barco’.

Desde então a PlayStation Vita tem vivido do lançamento de videojogos de estúdios externos. A consola não tem uma base de utilizadores muito grande quando comparada com outros sistemas de jogo, mas os números da PlayStation Vita também não são inteiramente negativos. Em agosto de 2015 a consola registava 12 milhões de unidades comercializadas – deste valor o Japão contribuiu com a maior fatia.

Além do abandono prematuro da Sony relativamente à Vita, existem outros motivos que ajudam a explicar a pouca adoção que a consola teve.

Muitos utilizadores mantiveram-se ‘agarrados’ à PlayStation Portable, consola que só foi descontinuada em 2014. A PlayStation Vita utilizava um sistema de armazenamento proprietário e que era muito caro, mesmo para os padrões da altura – um cartão de memória de 32GB custava perto de 100 euros, quando os cartões tradicionais custavam menos de metade. O crescimento dos smartphones e dos tablets trouxe novas formas de jogo mobile. A Nintendo 3DS posicionou-se como uma alternativa muito forte. Quando a Vita mais precisou da ajuda da Sony, a empresa tornou-a basicamente num acessório de jogabilidade remota da PlayStation 4. E onde está aquele jogo de Bioshock prometido?

É muito comum encontrar análises da imprensa especializada que defendem que a PlayStation Vita não teve a vida que merecia. O potencial da consola podia ter-lhe trazido momentos de mercado muito mais gloriosos. Como dono de uma PlayStation Vita concordo com a ideia de que a consola podia ter sido muito mais do que aquilo que é.

Como peça de hardware, a PlayStation Vita está muitíssimo bem construída – acabamentos em metal e parte frontal envidraçada. Como peça tecnológica a PlayStation Vita também não estava nada mal – tinha dois painéis sensíveis ao toque, um frontal e outro traseiro, tinha uma câmara fotográfica já para jogos de realidade aumentada e tinha um ecrã OLED, aquela tecnologia que a Apple aparentemente quer começar a incorporar nos seus iPhone. Os jogos também tinham um bom aspeto gráfico e estavam anos-luz à frente dos jogos que existiam então para dispositivos móveis.

Mesmo com a Sony a não lançar jogos para a PlayStation Vita, a tecnológica japonesa ainda não abandonou por completo o sistema de jogo. Continua a desenvolver atualizações de software para a Vita – sobretudo relacionadas com estabilidade e correção de bugs – e continua a incluir todos os meses pelo menos dois títulos para a consola no seu serviço PlayStation Plus.

Se ainda tem uma PlayStation Vita lá por casa, mesmo que esteja parada, talvez queira dar-lhe um presente neste seu quinto aniversário. Afinal de contas, não é todos os dias que uma consola celebra cinco anos de mercado.

Deixamos aqui em baixo uma lista com 24 sugestões de jogos que pode usar para desenferrujar a sua PlayStation Vita. Sobretudo na área dos jogos independentes, a consola da SIE é bastante forte. Mas também há títulos AAA que mesmo tendo alguns anos, continuam a ser uma mais-valia para os donos de uma PlayStation Vita. Outras sugestões são bem-vindas na caixa de comentários.

Rui da Rocha Ferreira: Fã incondicional do Movimento 37 do AlphaGo.
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