Imagem oficial de Call of Duty: Modern Warfare 4 com três soldados armados a avançar na escuridão ao lado do logótipo do jogo
Fonte: Activision

Call of Duty: Modern Warfare 4 – Activision pede desculpa e vai retirar imagens da tragédia de Itaewon

Há temas com os quais os videojogos podem, e devem, mexer. A guerra é um deles, e a série Call of Duty vive disso há mais de 20 anos. Mas há uma linha que não se deve atravessar, e a Activision parece tê-lo percebido da pior maneira. A editora pediu desculpa e confirmou que vai retirar de Call of Duty: Modern Warfare 4 as imagens reais da tragédia de Itaewon, em Seul, que apareciam na sequência de abertura do jogo.

Para quem não acompanhou a polémica, Modern Warfare 4 chegou a 23 de outubro à PlayStation 5, Xbox Series X|S, PC e Nintendo Switch 2, com uma campanha passada numa guerra fictícia na península coreana, depois de uma invasão da Coreia do Sul pelo Norte. A abertura do jogo mostra uma montagem de noticiários sobre o conflito e, como explica o Video Games Chronicle, no meio dessas imagens surgia um plano real breve (cerca de três segundos, segundo a agência Yonhap) de socorristas a fazer reanimação a uma vítima. Os jogadores perceberam rapidamente de onde vinha. Era material das reportagens feitas logo após a tragédia de Itaewon, a 29 de outubro de 2022, em que uma multidão concentrada nas ruelas do bairro para celebrar o Halloween provocou 159 mortos.

Modern Warfare 4: famílias das vítimas pediram a remoção

A 28 de outubro, a associação das famílias das vítimas e um comité de cidadãos pediram publicamente a remoção da cena. Segundo a BBC, as famílias disseram não conseguir deixar de ficar “chocadas” por ver aquele momento usado num jogo, considerando que usar a tragédia como material de entretenimento é “altamente inapropriado”. A associação de consumidores de videojogos da Coreia do Sul também exigiu explicações e um pedido de desculpa.

A resposta chegou a 30 de outubro. Num comunicado enviado à imprensa sul-coreana, citado pelo The Korea Herald, a Activision garante que nunca teve a intenção de evocar ou desvalorizar a tragédia e que as imagens “serão completamente removidas” na atualização prevista para 12 de novembro. A editora deixa ainda as suas “mais profundas condolências e sinceras desculpas” às famílias, às vítimas e a todos os que foram afetados. Ainda assim, segundo a BBC, as famílias dizem que não receberam um pedido de desculpa direto.

Uma atualização que devia ter sido desnecessária

Para mim, é a decisão certa, mas fica a pergunta: como é que ninguém, numa produção deste tamanho, reparou de onde vinham aquelas imagens? Não estamos a falar de um estúdio pequeno com pouca gente, estamos a falar de uma das maiores séries da indústria, que até já mudou de mãos com a compra da Activision pela Microsoft (e que, como vimos, até já ficou com o próximo Halo nas mãos). Usar noticiários reais para dar realismo a uma história fictícia não é novidade na série (já acontecia, por exemplo, em Call of Duty: Black Ops Cold War), mas ir buscar uma tragédia real que nada tem a ver com guerra, num país que ainda está a fazer o luto, é outra conversa.

Quem já me leu sabe que não sou propriamente fã de todas as decisões da série, basta lembrar a minha análise a Call of Duty: Modern Warfare 2. Mas aqui nem se trata de gosto. Trata-se de bom senso, e ainda bem que, desta vez, chegou, mesmo que tarde.

Call of Duty: Modern Warfare 4, desenvolvido pela Infinity Ward e publicado pela Activision, já está disponível para PlayStation 5, Xbox Series X|S, PC e Nintendo Switch 2. A atualização que remove as imagens chega a 12 de novembro.

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