Shin Ji-seong, a personagem de Ma Dong-seok, a lutar com dois rivais numa rua de Shinjuku em GANG OF DRAGON
Fonte: Nagoshi Studio (GANG OF DRAGON)

Nagoshi Studio – O estúdio do criador de Yakuza fechou oficialmente e GANG OF DRAGON fica no ar

Há notícias que já se adivinhavam há meses e que, mesmo assim, custam a ler. A Nagoshi Studio, o estúdio fundado por Toshihiro Nagoshi, o pai da série Yakuza (hoje Like a Dragon), foi oficialmente dissolvida. E com ela fica em suspenso o GANG OF DRAGON, o jogo com o ator Ma Dong-seok que tanta gente deixou de boca aberta nos The Game Awards do ano passado.

A confirmação chegou através de um aviso publicado hoje, 2 de novembro, no Kanpo, o jornal oficial do governo japonês, como avançou o Gematsu. Segundo o documento, a Nagoshi Studio foi dissolvida por decisão dos acionistas numa assembleia realizada a 31 de outubro, e Minoru Morinaga foi nomeado liquidatário. Os credores têm agora dois meses para apresentarem as suas reclamações, e a empresa entra em processo de liquidação.

Nagoshi Studio: do Yakuza à NetEase

Para quem não está a ligar o nome à pessoa, Toshihiro Nagoshi passou décadas na SEGA, onde esteve por trás de Yakuza, mas também de clássicos como Daytona USA, Spikeout ou Super Monkey Ball. Saiu em 2021 e montou a Nagoshi Studio em Tóquio, com financiamento total da chinesa NetEase Games, com a ambição de fazer jogos de consola de grande orçamento para o mercado global.

O primeiro (e, ao que tudo indica, único) projeto foi o GANG OF DRAGON, revelado nos The Game Awards de dezembro de 2025. Uma aventura de ação passada nas ruas de Shinjuku e Kabukicho, com Ma Dong-seok (o Don Lee de Train to Busan) no papel de Shin Ji-seong, um membro de um sindicato do crime coreano. Para quem cresceu a andar à pancada em Kamurocho, era quase um regresso a casa. Um pouco como quando Hideo Kojima nos apresentou o Bill Skarsgård como estrela de PHYSINT, havia ali um misto de cinema e videojogo que dava vontade de ver mais.

O que correu mal

A verdade é que os sinais estavam todos lá. Em março, a Bloomberg noticiou que a NetEase ia cortar o financiamento ao estúdio a partir de maio, e segundo a Inven Global, terminar o GANG OF DRAGON exigiria pelo menos 7 mil milhões de ienes adicionais. A NetEase até aceitava deixar o estúdio tornar-se independente, mas a equipa teria de pagar para ficar com os recursos e a propriedade intelectual do jogo. Desde então:

  • Maio: o site oficial deixou de estar acessível e vários elementos da equipa saíram.
  • Outubro: a imprensa japonesa avançou que Nagoshi e outros responsáveis já não constavam da administração da empresa.
  • 31 de outubro: os acionistas votaram a dissolução, publicada hoje no Kanpo.

E o GANG OF DRAGON?

Oficialmente, ninguém cancelou o jogo. A página do GANG OF DRAGON no Steam continua ativa, com a data de lançamento marcada como “brevemente”, mas não há qualquer anúncio sobre novos investidores, transferência do projeto ou retoma do desenvolvimento. Sinceramente, não estou muito otimista.

Depois da notícia de que a EA terá fechado a BioWare, é mais um nome de peso a cair numa indústria que continua a cortar a direito. Fica a pena de nunca vermos o que o homem que nos deu Kiryu Kazuma (e cuja série já passou várias vezes por cá, como na nossa análise a Yakuza: Like a Dragon) tinha preparado para Shinjuku. Se houver novidades sobre o futuro do GANG OF DRAGON ou do próprio Toshihiro Nagoshi, eu conto-vos.

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