Personality Core Wheatley, com o olho azul aceso, numa cena oficial de Portal 2 da Valve
Fonte: Valve (Portal 2)

F-Stop – A prequela cancelada de Portal foi reconstruída a partir de fugas e já é jogável

Há jogos que viram lenda precisamente porque nunca ninguém os jogou, e o F-Stop era um desses casos. A prequela de Portal que a Valve cancelou em 2007 foi reconstruída pela comunidade a partir de três fugas de informação diferentes e, quase 20 anos depois, pode finalmente ser jogada do início ao fim. Ou quase, como já vão perceber.

A história foi avançada pelo Kotaku e confirmada por sites como a PC Gamer e o The Verge. Para perceberem o que está em causa, é preciso recuar até ao final de 2007: depois do sucesso da Orange Box, Gabe Newell dividiu a Valve em cinco equipas durante três meses, naquilo a que chamou “Directed Design Experiments”, e cada uma criou um protótipo de jogo. O F-Stop era um deles.

F-Stop: uma câmara em vez de uma portal gun

Em vez de abrir portais, no F-Stop usamos uma câmara experimental da Aperture Science para fotografar objetos, que ficam guardados numas fotografias ao estilo Polaroid e podem depois ser colocados noutro sítio para resolver os puzzles. Se isto vos soa familiar, é normal, porque é uma ideia muito próxima da que o Viewfinder explorou em 2023. Segundo o Kotaku, Gabe Newell gostou muito do projeto, mas os testes com jogadores não correram tão bem e o jogo acabou na gaveta, com algumas personagens, diálogos e mecânicas a serem reaproveitados em Portal 2.

Como é que isto foi parar à internet

A reconstrução junta três peças distintas:

  • Os recursos do jogo: vieram da enorme fuga de dados do Steam de agosto, com mais de 12 TB e depots de 2003 a 2013, que já incluía grande parte do F-Stop.
  • O código-fonte: apareceu nos últimos dias no servidor de Discord do projeto Valve Cut Content.
  • Os ficheiros dos mapas: surgiram no mesmo Discord e foram verificados pela equipa do projeto. Segundo o Kotaku, quem os partilhou chegou a pedir 1000 dólares, mas acabou por os dar de graça.

O resultado, de acordo com a TechPowerUp, é uma versão bastante estável, mas ainda com algumas texturas e falas em falta, e uma campanha que se termina em menos de uma hora. Os vídeos que já andam pelo YouTube mostram uma versão inicial de Cave Johnson a falar com o jogador (sem a voz de J.K. Simmons) e os primeiros Personality Cores como companheiros nos puzzles, o que para os fãs de Portal é quase arqueologia.

Valve em silêncio

A Valve ainda não comentou o caso e nada indica que o F-Stop venha a ter um lançamento oficial. O servidor de Discord passou entretanto a funcionar apenas por convite, por isso a forma mais simples (e mais tranquila) de o conhecerem é mesmo ver uma das partidas completas no YouTube. Convém lembrar que estamos a falar de material que saiu da Valve sem autorização, e não vou ser eu a dizer-vos para irem atrás dele.

Para mim, o mais interessante é ver como uma ideia descartada acaba por ajudar a perceber o que veio depois. A Valve tem esta mania de nos deixar à espera, seja com o terceiro Half-Life ou com hardware, e não é por acaso que a prenda dos 25 anos de Half-Life ou os preços da Steam Machine fizeram tanto barulho por cá. E, a propósito de preservação, é um bom lembrete de que há muitos jogos que só não desaparecem graças às comunidades, numa altura em que até a GOG quer voltar a vender jogos de PC em formato físico.

Portal 2, que herdou parte das ideias do F-Stop, continua disponível no Steam para PC. Quanto ao F-Stop, fica como aquilo que sempre foi: uma experiência de três meses que, afinal, não ficou perdida para sempre.

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