Ni no Kuni: Wrath of the Witch Queen

Três Tostões sobre: Ni no Kuni: Wrath of the Witch Queen

Pá, sabem quando olham para os vossos jogos na prateleira ou no vosso PC / telemóvel / excel / bloco de notas / pesadelos e pensam: é tudo tão sério? Quando o mundo lá fora é tão cinzento, tão cheio de temas sérios, que exigem discernimento, pensamento crítico, decisões complicadas, dá um certo quentinho no coração quando podemos ligar a nossa consola e entrar, por uns minutos, num mundo colorido, simples e mágico.

O que torna a disponibilização do remaster de Ni no Kuni: Wrath of the Witch Queen para o Game Pass e Xbox ainda mais prazerosa e crucial. É um JRPG, certo, mas não precisam de tirar uma hora da vossa vida para ver vídeos sobre a história em vários capítulos, nem de apontar no caderno todas as mecânicas envolvidas. É a história do pequeno Oliver, a braços com uma tragédia familiar num mundo mágico onde, com novos amigos e várias peripécias, aprende a conviver com a perda, a tristeza e a depressão para as ultrapassar e ajudar os que o rodeiam.

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A forma como usamos a magia para substituir, nos corações deprimidos, entusiasmo, coragem, alegria, permite-nos desconstruir, para miúdos e graúdos, conceitos altamente complexos sem sentirmos o peso dessa mesma complexidade. Porque é, literalmente, um conto de fadas – de facto existe uma fada, Drippy, que nos segue e acompanha em toda a história. E também porque cada píxel desta remasterização transpira arte e magia. Imaginem que faziam pausa no Princess Mononoke ou no Spirited Away, que vos davam um comando e podiam caminhar e explorar os cenários. Ni no Kuni permite-nos essa fantasia, com detalhes ilustrados de fazer corar de inveja jogos com outra envergadura e orçamento.

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Mas não é por isso que se tornou o meu ritual diário depois do lufa-lufa da vida de adulto. É muito porque é dos raros, infelizmente cada vez mais raros, jogos que não querem ser para adultos nem para crianças. São só para todos. As mecânicas com pequenos monstrinhos são simples, o combate é completamente despido de complexidade e insere-se numa versão muito básica do sistema de Pokémon, a exploração e sound design inspira-se em Dragon Quest… enfim, é tudo familiar nem se leva a sério.

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Já o completei, na altura, na PS3 e jogar agora na Series X é como um regressar àquele café onde lanchávamos com os nossos avós ou pais: embora sejamos outros e nos pareça apenas mais um estabelecimento, sem mística, assim que pedimos o mesmo bolo que comíamos e nos recordamos do sabor, somos imediatamente arremessados para os sapatinhos das nossas versões mais pequenas e o olhar recupera, ainda que por breves instantes, a inocência de quem está a descobrir um mundo novo pela primeira vez.

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Tudo é mais colorido ainda, mais dinâmico e pormenorizado, mais rápido. Vou se calhar perto da primeira metade do jogo e, não me preenchendo o lado crítico e emocional que Xenoblade Chronicles 3 me deixou, tem sido o bálsamo perfeito para quando quero despir a capa do crítico de videojogos, que necessita de observar, estudar e analisar mecânicas, temas e gráficos e posso ser só o Carlos, fã de fantasia e de videojogos.

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Ni no Kuni: Wrath of the Witch Queen é uma excelente porta de entrada para o reino dos JRPGs, para todas as idades, aberta ao som duma banda-sonora imaculada, composta pelo mestre Joe Hisaishi. Não é perfeito, nem muitas vezes equilibrado. Contudo, é diferente das propostas atuais e a história do Oliver, e dos seus amigos, ajudará muito coração quebrado ou mais cansado a recuperar cor e alegria.

Mas também, olhem: são só os meus três tostões.

O Future Behind em "Dark Mode"