Bem-vindos à primeira edição de Jogões das Subscrições, uma nova rubrica dedicada a destacar aqueles jogos que, apesar de estarem disponíveis em serviços como o PlayStation Plus e o Xbox Game Pass, nem sempre recebem a atenção que merecem. Não vai ter dia nem data certa, mas queremos destacar pérolas dos serviços que subscrevemos que nem sempre exploramos.
E para começar, não podia escolher melhor do que Mafia: The Old Country.
Há jogos que passam despercebidos no meio dos grandes lançamentos, mas que merecem muito mais atenção. Mafia: The Old Country é um desses casos. Com uma história envolvente sobre ambição, lealdade e o preço de pertencer à máfia, esta aventura da Hangar 13 é uma experiência que muitos jogadores não deviam deixar escapar.
Lançado em 2025, o mais recente capítulo da conhecida série Mafia acabou por ficar um pouco na sombra de outros grandes títulos. Talvez por não ser um jogo de mundo aberto tão ambicioso como muitos esperavam, ou por não apresentar grandes novidades na jogabilidade, a verdade é que esta aventura tem muito mais para oferecer do que aquilo que a sua popularidade pode sugerir.
E é precisamente pela sua história que merece ser jogado.
Uma história de crime, família e ambição
Mafia: The Old Country transporta-nos para a Sicília do início do século XX, onde acompanhamos Enzo Favara, um jovem que tenta escapar a uma vida de sofrimento nas minas de enxofre. Depois de fugir das condições desumanas em que trabalhava, Enzo encontra uma oportunidade de mudar de vida ao entrar para a família Torrisi, uma organização mafiosa local.
A partir deste momento, acompanhamos a sua ascensão no mundo do crime, num percurso marcado por escolhas difíceis, violência e uma constante luta por reconhecimento. Enzo procura uma vida melhor, mas rapidamente percebe que o preço de pertencer à máfia pode ser muito mais elevado do que imaginava.
É esta evolução da personagem que torna a narrativa tão interessante. Mais do que uma sucessão de tiroteios e confrontos, o jogo apresenta uma história sobre a procura de um lugar no mundo, os laços familiares e a dificuldade de escapar a um destino que parece estar traçado. A narrativa não reinventa propriamente o género. Existem momentos previsíveis e situações que já vimos noutras histórias sobre a máfia. Ainda assim, a qualidade das personagens, os diálogos e as sequências cinematográficas conseguem manter o jogador interessado.
É uma daquelas aventuras em que queremos continuar a jogar não apenas pela próxima missão, mas sobretudo para descobrir o que vai acontecer a Enzo e às pessoas que o rodeiam.
A história surpreendeu-me no final, e mesmo sabendo que podia haver um volte face, não esperava assim o seu desfecho, chegando mesmo a emocionar-me.






Uma Sicília que merece ser apreciada
Um dos maiores trunfos de Mafia: The Old Country é a recriação da Sicília.
A Hangar 13 conseguiu construir um cenário impressionante, com pequenas aldeias, estradas de terra, vinhas e paisagens montanhosas que ajudam a transmitir a atmosfera da época. Existe uma enorme atenção ao detalhe, tanto nos ambientes como na forma de apresentar os costumes e o quotidiano das personagens.
A parte visual contribui também para a narrativa. A Sicília não serve apenas de cenário à aventura, mas ajuda a compreender o contexto social em que Enzo vive e as razões que o levam a procurar uma vida diferente. É um jogo que nos convida a abrandar e a apreciar aquilo que está à nossa volta e conduzir pelas estradas sicilianas ou atravessar uma pequena aldeia pode ser tão interessante como participar num tiroteio.
Mafia: The Old Country demonstra que não precisamos de um mapa gigantesco para criar um mundo memorável.
Nem tudo precisa de ser um mundo aberto
Nos últimos anos, a indústria dos videojogos parece ter desenvolvido uma obsessão pelos mundos abertos, pelas centenas de missões secundárias e pelas experiências que exigem dezenas de horas para serem concluídas.
Mafia: The Old Country segue um caminho diferente. A aventura aposta numa estrutura mais linear, com missões que servem principalmente para desenvolver a narrativa. Não existem dezenas de atividades secundárias para completar, nem tarefas repetitivas que nos afastem constantemente da história principal.
A jogabilidade combina exploração, condução, furtividade e combate. Os tiroteios utilizam um sistema de cobertura como em muitos jogos, enquanto os confrontos com facas acrescentam alguma variedade, embora acabem por se tornar repetitivos. Não estamos perante um jogo que pretende revolucionar a forma como jogamos, mas a sua maior qualidade está na capacidade de proporcionar uma aventura bem construída, sem complicar aquilo que funciona.
A campanha pode ser concluída em aproximadamente 10 a 15 horas, uma duração que considero adequada para uma experiência tão focada na narrativa. Num mercado onde muitos jogos parecem querer ocupar todo o nosso tempo livre, esta abordagem sabe muito bem.
Uma pérola escondida nas subscrições
É precisamente aqui que Mafia: The Old Country ganha ainda mais importância.
Quando um jogo chega a um serviço de subscrição, existe uma oportunidade para descobrir títulos que, por diferentes razões, ficaram fora do radar de muitos jogadores. E este é um excelente exemplo.
Uma aventura com uma história de crime bem construída, personagens interessantes e uma atmosfera que nos transporta para uma época muito específica. Naturalmente, existem algumas limitações. A jogabilidade não é particularmente inovadora, os combates podem tornar-se repetitivos e a liberdade de exploração é reduzida. Mas será que isso é suficiente para ignorar o jogo? Na minha opinião, não.
Mafia: The Old Country deve ser apreciado pelo conjunto das suas qualidades, sobretudo pela forma como conta a história de Enzo. A sua jornada, desde as minas de enxofre até ao interior de uma organização mafiosa, é o elemento que sustenta toda a experiência.
É também um jogo que me faz recordar uma época em que muitos videojogos apostavam numa campanha bem definida, com princípio, meio e fim. Uma aventura que nos entretém durante algumas horas, conta uma história e deixa-nos satisfeitos quando os créditos aparecem.
Um jogo que muitos deviam experimentar
Se tens uma subscrição do PlayStation Plus ou do Xbox Game Pass e ainda não experimentaste Mafia: The Old Country, esta é uma excelente oportunidade para o fazer.
Não esperes encontrar um novo Grand Theft Auto, nem uma experiência de mundo aberto repleta de possibilidades. O que vais encontrar é uma aventura cinematográfica sobre a máfia, com uma história envolvente, personagens que despertam o nosso interesse e uma excelente ambientação. Pode não ser o jogo mais revolucionário de 2025, mas é precisamente a sua aposta numa narrativa bem definida que o torna tão especial.
É uma pérola escondida que merece ser descoberta, especialmente por quem gosta de boas histórias e de jogos que sabem exatamente aquilo que querem ser.
E é este o objetivo de Jogões das Subscrições, dar visibilidade a jogos que merecem uma oportunidade, mesmo quando já não estão nas primeiras páginas das notícias ou nas listas dos lançamentos mais aguardados e que falhamos no seu lançamento.
Porque, por vezes, os melhores jogos que podemos descobrir não são aqueles que acabámos de comprar, mas sim aqueles que já estão à nossa espera na subscrição que pagamos todos os meses.

