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Phantom Blade Zero – Análise

Depois de muitos anos, muitos trailers e muita expetativa, um dos jogos mais esperados do ano chegou-nos às mãos. Phantom Blade Zero é lançado numa altura crítica, com muitos e excelentes títulos a darem cotoveladas para ter o seu lugar ao sol antes do mega lançamento de Grand Theft Auto VI.

Desenvolvido pela S-Game e num estilo “Kung Fu Punk” (mistura de artes marciais tradicionais chinesas, folclore, steampunk, cyberpunk e tecnologia), este jogo traz-nos uma história rica, cenários deslumbrantes e um dos melhores combates dos últimos anos.

Uma história de vingança e mistério

A aventura acompanha Soul, um guerreiro que pertence à Ordem e cuja vida muda depois de ser acusado do assassinato do líder da organização. Ferido e perseguido pelos antigos companheiros, o protagonista consegue sobreviver graças à ajuda de uma personagem conhecida como The Flesh Sculptor, que lhe substitui o coração por um órgão artificial. Esta solução permite-lhe continuar vivo, mas apenas durante 66 dias. Soul tem, por isso, pouco tempo para descobrir quem está por detrás da conspiração, limpar o seu nome e encontrar uma forma de sobreviver.

A história apresenta uma ideia interessante e permite explorar temas como a vingança, a traição e a sobrevivência. O universo de Wulin também tem bastante potencial, com diferentes grupos, guerreiros e personagens que escondem os seus verdadeiros objetivos. Soul não é apenas um guerreiro que procura derrotar os seus inimigos. É uma personagem que precisa de descobrir o que aconteceu, perceber quem o traiu e encontrar respostas sobre o seu próprio passado. Esta procura ajuda a dar sentido à aventura e aos vários confrontos que encontramos pelo caminho.

Apesar de ter uma boa base, a história nem sempre é fácil de acompanhar. Existem momentos em que a narrativa mistura acontecimentos do passado com situações do presente, o que pode tornar alguns episódios confusos. Também há personagens que poderiam ter sido melhor desenvolvidas, de forma a criar uma ligação mais forte connosco.

O jogo apresenta ainda vários documentos e elementos que ajudam a conhecer melhor o mundo de Wulin. Embora sejam interessantes para quem quer descobrir todos os detalhes, nem sempre acrescentam algo importante à história principal, mas sim ao lore do mundo.

A narrativa acaba por ser um dos elementos que poderia ter sido mais bem trabalhado, mas ainda assim, a história de Soul consegue manter o interesse e oferece contexto que ajuda a dar importância aos acontecimentos da aventura.

Um combate espetacular e fora de série

É no combate que Phantom Blade Zero mostra o seu verdadeiro valor. A S-Game conseguiu criar um sistema que combina velocidade, precisão e uma enorme variedade de movimentos, tornando cada confronto numa experiência extremamente satisfatória. Soul movimenta-se com uma agilidade impressionante, passando de ataques rápidos para esquivas, defesas e contra-ataques de forma muito natural. As animações marcam a diferença e são excelentes fazendo com que cada sequência de golpes pareça uma coreografia de artes marciais.

O mais interessante é que não estamos apenas a assistir a movimentos bonitos. O jogador tem todo controlo sobre a ação e precisa de tomar decisões constantemente. É necessário perceber quando devemos atacar, defender ou afastar-nos de um adversário. A velocidade dos combates é um dos aspetos que mais impressiona. Soul consegue executar vários golpes seguidos, mudar de posição e continuar a atacar sem perder o ritmo. Tudo isto é acompanhado por efeitos visuais e sonoros que tornam os confrontos ainda mais intensos. O som das espadas a bater umas nas outras(que podemos aumentar nas opções), as faíscas durante os ataques e a reação dos inimigos aos golpes ajudam a transmitir uma grande sensação de impacto. Cada ataque parece ter peso, tornando a ação muito mais satisfatória.

Apesar de ser um jogo bastante agressivo, não basta atacar sem pensar. A defesa é igualmente importante, sobretudo contra os adversários mais fortes. Saber quando bloquear, esquivar ou contra-atacar pode fazer toda a diferença.

O sistema de equilíbrio Sha-Chi permite pressionar os inimigos até estes ficarem mais vulneráveis. Ao atacar e defender no momento certo, conseguimos criar oportunidades para executar golpes mais poderosos.

Esta combinação entre ataque e defesa torna os confrontos muito interessantes. Uma defesa bem executada pode dar origem a um contra-ataque, que por sua vez permite continuar uma sequência de golpes. Quando conseguimos dominar estas mecânicas, o combate torna-se quase uma dança entre Soul e os seus adversários.

É difícil encontrar outro jogo que consiga transmitir uma sensação tão grande de controlo sobre um guerreiro. Phantom Blade Zero transforma cada batalha num espetáculo de artes marciais, sem retirar ao jogador a liberdade de decidir como quer combater.

O combate é simplesmente espetacular e fora de série. A velocidade, a qualidade das animações e a variedade de movimentos fazem desta uma das melhores experiências de ação que podemos encontrar na PlayStation 5.

A variedade de armas

A variedade de armas é outro dos pontos fortes do jogo. Phantom Blade Zero apresenta diferentes armas principais e secundárias, cada uma com características próprias.

As armas principais têm diferentes velocidades, alcances e movimentos. A possibilidade de equipar duas armas e alternar entre elas durante os combates permite criar combinações bastante interessantes. Esta opção não serve apenas para mudar a aparência dos ataques. Cada arma pode alterar a forma como enfrentamos os inimigos. Algumas são mais adequadas para ataques rápidos, enquanto outras permitem executar golpes mais fortes.

As Phantom Edges, as armas secundárias, acrescentam ainda mais opções. Estas permitem executar ataques especiais e causar danos consideráveis, mas usá-las exige algum cuidado.

A possibilidade de experimentar diferentes combinações ajuda a manter o combate interessante. Em vez de utilizar sempre a mesma arma, podemos adaptar o nosso estilo de jogo às situações que encontramos. Esta variedade é particularmente importante nos confrontos contra os bosses, onde a escolha do equipamento pode ajudar a ultrapassar os desafios.

Bosses que elevam a experiência

Os confrontos contra os bosses são alguns dos momentos mais impressionantes de Phantom Blade Zero. São mais de 50 e vão dar muito trabalho.

Cada adversário apresenta movimentos próprios e diferentes formas de atacar. Alguns são extremamente rápidos e obrigam a uma atenção constante, enquanto outros utilizam golpes mais pesados que exigem uma boa leitura dos seus movimentos.

A qualidade das animações torna estas batalhas especialmente interessantes. Os bosses parecem verdadeiros mestres das artes marciais, com ataques que combinam força, velocidade e movimentos acrobáticos. A dificuldade também tem um papel importante. Nem sempre conseguimos vencer à primeira tentativa, sendo necessário aprender os padrões de ataque e perceber quando devemos atacar ou recuar.

A variedade dos bosses ajuda ainda a evitar que os confrontos se tornem demasiado repetitivos. Alguns apresentam novas mecânicas, enquanto outros obrigam a mudar a estratégia utilizada até então. São batalhas que mostram tudo aquilo que o sistema de combate tem para oferecer e que ajudam a tornar a aventura memorável.

Exploração e estrutura dos níveis

Apesar de apresentar várias zonas para explorar, Phantom Blade Zero não é um mundo aberto. A aventura está dividida em diferentes áreas, com caminhos principais que conduzem aos objetivos da história e outros percursos que escondem conteúdos opcionais. Esta estrutura permite manter um ritmo de progressão relativamente controlado. Sabemos qual é o nosso objetivo, mas podemos desviar-nos do caminho para descobrir segredos, recolher materiais ou enfrentar inimigos que não fazem parte da missão principal.

A exploração é recompensada com armas, melhorias e outros recursos que ajudam a desenvolver Soul. Existem também zonas que podem ser acedidas através de determinadas habilidades/acessórios, que nos incentiva o regresso a locais anteriormente visitados. É uma abordagem interessante, embora nem sempre consiga surpreender. Alguns caminhos são bastante lineares e a liberdade de exploração é mais limitada do que encontramos noutros jogos de ação e aventura.

As missões secundárias também ajudam a conhecer melhor o universo. Algumas permitem descobrir novas personagens e pequenas histórias, enquanto outras apresentam objetivos mais simples. Nem todas são igualmente interessantes. Existem tarefas que acabam por se resumir a recolher objetos ou derrotar inimigos, sem acrescentar grande variedade à experiência. Ainda assim, a presença de segredos, áreas opcionais e conteúdos adicionais dá mais motivos para explorar o mundo e prolonga a aventura.

Progressão e evolução de Soul

Ao longo do jogo, Soul pode melhorar o seu equipamento, desbloquear habilidades e experimentar diferentes armas. Esta evolução permite preparar o protagonista para os desafios mais exigentes.

Os recursos recolhidos durante a aventura podem ser utilizados para melhorar as armas e aumentar a sua eficácia. Estas melhorias ajudam a tornar os confrontos mais acessíveis, sobretudo quando enfrentamos inimigos mais poderosos. A progressão também está ligada à forma como escolhemos combater. A utilização de diferentes armas e habilidades permite adaptar o estilo de jogo às nossas preferências.

Esta liberdade é importante porque evita que a experiência dependa de uma única estratégia. Podemos experimentar novas combinações e encontrar soluções diferentes para os desafios. Apesar de funcionar bem, a evolução nem sempre apresenta o melhor equilíbrio. Em determinados momentos, algumas melhorias podem tornar os confrontos contra inimigos comuns menos exigentes.

Direção artística e apresentação visual

A direção artística é um dos elementos que mais contribui para a identidade de Phantom Blade Zero.

O jogo baseia-se num universo inspirado na cultura chinesa, misturando elementos tradicionais das artes marciais com fantasia e uma atmosfera mais sombria. A S-Game utiliza esta combinação para criar cenários bastante diferentes daquilo que encontramos habitualmente no género.

Ao longo da aventura, passamos por aldeias, templos, florestas e locais marcados por destruição. Cada zona apresenta características próprias, ajudando a dar variedade à experiência. Há zonas que em termos de design, estamos habituados a ver noutros jogos passados na Ásia, mas outras mostram toda a criatividade da equipa S-Game. Há cenários que são extraordinários e fantásticos, deixando-me de boca aberta a contemplá-los. Simplesmente não estava preparado para alguns dos sítios que Phantom Blade Zero me levou.

Os cenários beneficiam de uma boa utilização da iluminação e de efeitos visuais que reforçam a atmosfera. A qualidade das animações também merece destaque, sobretudo durante os combates, onde os movimentos de Soul e dos adversários ajudam a criar uma apresentação muito cinematográfica.

O design visual é um dos pontos fortes da produção. Mesmo quando a exploração se torna mais previsível, os ambientes conseguem despertar curiosidade e reforçar a personalidade do jogo.

Desempenho na PlayStation 5

A versão PS5, jogada em modo Performance, permite-nos desfrutar de uma experiência orientada para a fluidez e para a resposta dos comandos.

Num jogo onde os combates são tão rápidos, esta escolha faz bastante sentido. A possibilidade de reagir aos ataques dos inimigos, executar esquivas no momento certo e encadear diferentes movimentos beneficia de uma ação fluida.

A rapidez dos movimentos de Soul e a qualidade das animações tornam os confrontos particularmente impressionantes. A sensação de controlo é importante para que o combate não seja apenas visualmente espetacular, mas também satisfatório de jogar. O modo Performance privilegia a fluidez em vez da qualidade gráfica máxima. No entanto, considero que esta é uma escolha acertada para Phantom Blade Zero, tendo em conta a importância da componente de ação.

Som e banda sonora

A componente sonora ajuda a criar a atmosfera de Phantom Blade Zero.

Os efeitos das armas, os impactos dos ataques e os sons dos adversários contribuem para tornar os confrontos mais intensos. O som das espadas ao embaterem uma com a outra é particularmente importante, ajudando a transmitir a sensação de força e impacto.

A banda sonora mistura influências tradicionais chinesas com elementos mais modernos, acompanhando a identidade visual do jogo. Esta combinação funciona bem e ajuda a dar personalidade ao universo. Durante as batalhas contra os bosses, a música ganha ainda mais importância. A intensidade da banda sonora acompanha a ação e torna os confrontos mais emocionantes. Se bem que acho que ficava melhor com uma banda sonora épica ao estilo de Elden Ring, esta mistura entre música tradicional chinesa e contemporânea, resulta muito bem.

O som não é apenas um elemento de apoio. É uma parte importante da aventura, ajudando a reforçar a imersão, a espetacularidade dos combates e num boss em particular, uma experiência inigualável.

Considerações finais

Phantom Blade Zero é uma aventura que consegue destacar-se num género bastante competitivo. A S-Game apresenta um jogo com uma identidade própria, uma história interessante, uma boa variedade de armas e um sistema de combate que representa o seu maior destaque.

A história de Soul tem uma premissa que desperta curiosidade, embora nem sempre seja apresentada da forma mais clara. A exploração oferece segredos e conteúdos opcionais, mas a estrutura relativamente linear limita algumas das possibilidades. A progressão e a variedade de armas ajudam a manter a experiência interessante, enquanto os bosses proporcionam alguns dos momentos mais memoráveis.

É no combate que Phantom Blade Zero atinge o seu melhor nível. A combinação entre animações impressionantes, velocidade, precisão e variedade transforma cada batalha numa experiência extraordinária.

Apesar de algumas limitações na história e na exploração, estamos perante uma produção que merece ser reconhecida pela sua qualidade. Não é um jogo perfeito, mas consegue oferecer uma experiência de ação que poucos conseguem igualar. Phantom Blade Zero é uma aventura recomendada a todos os fãs do género. A sua direção artística, os confrontos contra os bosses e a qualidade do sistema de combate fazem dele um dos títulos mais interessantes da sua geração.

No final, é difícil não ficar com a sensação de que a S-Game conseguiu criar algo verdadeiramente especial. Uma aventura que não vive apenas da sua história ou dos seus cenários, mas que encontra no combate uma das melhores demonstrações de qualidade e criatividade que podemos encontrar num videojogo de ação.

nota 4 recomendado
Clica na imagem para mais informação sobre as nossas classificações

+ Combate fora de série
+ Se investirmos, tem uma boa história
+ Temos de jogar em modo Performance

– Inimigos um quanto repetitivos

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